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Os cigarros eletrônicos são realmente seguros?

     

         Muita gente confunde, mas o que causa toda a toxidade cancerígena do cigarro é a inalação da fumaça gerada pela queima do tabaco, e não a nicotina, a qual não traz danos significativos à saúde em quantidades controladas. A nicotina é, virtualmente, apenas responsável pelo vício - mas a sua toxicidade pode ser extremamente prejudicial em certas situações, como na gravidez, independente da quantidade.

        Existem várias alternativas para cortar o fumo, sem tirar a substância viciante da rotina, como chicletes, adesivos, e o recente cigarro eletrônico (ou e-cigarro), o qual vem crescendo colossalmente em vendas nos EUA e já é moda na Europa. Além de garantirem total prevenção de doenças cancerígenas relacionadas ao uso do cigarro de tabaco tradicional, os preços acabam sendo mais lucrativos ao consumidor a longo prazo. Mas será que esta alternativa é realmente mais saudável?

        O cigarro eletrônico possui a vantagem de manter o ´ato´ de fumar na ativa, pois um dos maiores problemas das outras formas de absorver nicotina é a falta de se ter um cigarro na mão sendo tragado. O cérebro condiciona o ato de assimilar nicotina com a ação de puxar a fumaça do cigarro e ter este em mãos, deixando as pessoas viciadas em um grande estresse quando apenas mascam o chiclete ou colocam os adesivos. O cigarro eletrônico acaba com parte desse problema, pois no seu interior é gerado um vapor de uma solução de líquidos orgânicos (majoritariamente, propileno glicol), os quais arrastam a nicotina e fazem o mesma tarefa da fumaça do cigarro, com a vantagem de ser, supostamente, inofensiva aos pulmões e outros órgão, além de possuir a forma física de um cigarro comum, mimetizando ainda mais o antigo hábito. E este processo também pode ser usado para outras drogas, como a marijuana, eliminado a necessidade de queimar o baseado.

O cigarro eletrônico pode ser dividido em quatro partes: A. Normalmente onde fica um LED vermelho para imitar o brilho vermelho intenso ( queima) na ponta causado pela aspiração do cigarro comum; B. É onde fica a bateria; C.É onde fica a mistura líquida do solvente e nicotina, o qual será aquecido por meio de um aquecedor alimentado pela bateria; D. É onde o vapor produzido será aspirado.

         Mas, apesar das aparentes vantagens, existem muitas controvérsias relacionadas a esses dispositivos, como o fato do vício das substâncias ativas continuar. Além disso, existe a tendência dos fabricantes, ilícitos ou não, em aumentarem a quantidade de nicotina nos cigarros eletrônicos, tanto para manter um público mais cativo quanto por pura negligência,  aumentando a toxicidade desse composto no organismo. Este último problema torna-se pior ainda quando passamos a considerar outras drogas mais fortes - adicionadas e-cigarro para serem inaladas - e a falta de uma fiscalização rígida por parte dos órgãos reguladores. E o líquido contendo a nicotina dentro dos dispositivos pode ser acidentalmente ingerido ou acabar caindo sobre a pele se vazado. Com isso, altas doses de nicotina acabam indo parar no corpo, o que pode causar problemas graves. Acidentes como este já foram registrados e geraram grandes danos aos usuários.
 
Sem uma suficiente fiscalização, e limites impostos por lei, os líquidos de vapor podem conter quantidades excessivas de nicotina ou presença de outras substâncias nocivas; além disso, acidentes de ingestão ou contato na pele com eles são comuns e perigosos
               Outro ponto é que a simples ideia de que o e-cigarro é mais saudável do que o comum é suficiente para atrair um número gigante de novos usuários, criando ainda mais viciados. As pessoas que antes ficavam receosas em começar o vício por causa da fumaça cancerígena do cigarro comum, acabam sendo incentivadas a entrar na onda dos cigarros eletrônicos, principalmente pelo fato da maioria vendê-los como algo perfeitamente saudável. Isso pode ainda induzir futuros usos de outros produtos contendo nicotina por esses usuários, como o próprio cigarro. Por último, temos a questão dos anúncios irresponsáveis. Fabricantes inescrupulosos estão investindo pesado em propagandas que possuem adolescentes e pré-adolescentes como alvo, produzindo líquidos de vaporização com odores doces e atrativos aos jovens. O objetivo, claro, é produzir fiéis (viciados) consumidores adultos.

               E sobre esses vapores, muitos especialistas reclamam que não existem estudos suficientes para atestar a segurança dos mesmos quando em contato com o interior do corpo humano. Alguns trabalhos científicos até encontraram ligação entre a exposição do vapor desses produtos em células humanas e o risco aumentado de câncer. Outros trabalhos, mostraram que quanto maior a tensão ("voltagem") aplicada no e-cigarro - a maioria dos dispositivos disponibilizam tensões entre 3,5 e 5V, sendo estes valores diretamente proporcionais à quantidade de vapor e, consequentemente, de nicotina/etc. sendo inalados - , maiores as quantidades de formaldeído produzidas, substância a qual é cancerígena. Outro componentes tóxicos são também apontados  pelas agências internacionais de saúde como constituintes do vapor gerado pelos cigarros eletrônicos, como nitrosaminas, dietileno glicol, partículas de metais (como o cobre) e oxidantes. E, por enquanto, não existem estudos de longo prazo (vários anos de uso) para avaliar os potenciais malefícios da exposição ao vapor.

 O cigarro eletrônico imita o ato do fumo, iludindo o cérebro, e evita a fumaça da combustão; mas será que esses vapores são totalmente inofensivos?

          Analisando todos os argumentos acima, é difícil chegar a uma conclusão óbvia. Se houvesse uma rígida fiscalização e restrição de uso somente aos já viciados no cigarro comum, seria até plausível a completa aceitação dos cigarros eletrônicos, porque estaríamos encarando esses aparelhos como um auxiliar no tratamento do vício e preventor das doenças cancerígenas proporcionadas pela queima do tabaco. Porém, muitos viciados estão sendo iniciados através desses produtos. No final, vale lembrar que drogas viciantes serão sempre drogas viciantes. Quando um indivíduo está preso e zumbificado a algo, aproveitadores sempre surgirão e tentarão vender seu produto de qualquer maneira, não importando o mal causado. A única maneira de combater  o vício é prevenindo-o através da conscientização da população desde a idade estudantil. Lembre-se: entre escolher o cigarro comum e o eletrônico, escolha não começar a fumar.



Propaganda típica dos cigarros eletrônicos: "Fumar não é mais bacana... Faça a troca para os cigarros eletrônicos" Quem dera se o marketing ficasse só focado nessa ´troca´

IMPORTANTE: Grávidas não devem usar esses produtos por causa dos efeitos adversos que a nicotina pode ter sobre o feto, sem contar outras toxinas potencialmente danosas ao corpo que podem estar presentes no vapor gerado pelo aparelho.

OBSERVAÇÃO: Aproveitando o assunto, é bom deixar algo bem claro às pessoas.  Muitos acham que o cigarro de palha, só por ser feito de modo natural, são mais benéficos ou até mesmo completamente inofensivos à saúde. Ledo engano. Os cigarros de palha por não possuírem filtro fazem com que mais fumaça tóxica vá direto para o seu corpo. Além disso, eles possuem quantidades muito maiores de nicotina do que o cigarro comum, causando uma maior dependência e envenenamento causados pela substância em excesso. Conclusão: eles acabam sendo até piores do que o seu primo industrializado.  O único bom deles (se é que posso usar essa palavra nesse assunto...) é que eles tendem a ficar apagando toda hora, porque a palha de milho usada para embalá-lo é péssima para manter uma combustão mínima e contínua. Isso induz o usuário a não consumi-lo excessivamente.

          Qualquer ato de fumo, seja para o trago da nicotina, maconha ou qualquer outra droga, é extremamente prejudicial pelo fato de produzir fumaças carregadas por centenas de substâncias cancerígenas, além de envenenar o corpo com o próprio princípio ativo. Tente fugir do vício procurando tratamento profissional.

ATUALIZAÇÃO (23/05/16): Segundo o FDA (Agência de Drogas e Alimentos dos EUA), ano passado o número de estudantes do ensino fundamental e médio nos EUA usando os cigarros eletrônicos atingiu a absurda marca de 3 milhões. Atualmente, cerca de 16% dos estudantes do ensino médio e 5,3% dos estudantes no ensino fundamental são usuários desses produtos, em um aumento de uso sem controle. Ações mais rígidas estão entrando em vigor nos EUA e em diversos outros países onde o número de usuários desses aparelhos explodiu. Como eu disse no artigo acima, a indústria dos e-cigarros está almejando forte os mais jovens, e as propagandas cada vez mais pesadas realçando a suposta segurança no consumo desses produtos está incentivando cada vez mais pessoas a se viciarem em nicotina. (Ref.21)

ATUALIZAÇÃO (30/08/16): Especialistas continuam reforçando que grávidas não devem usar o e-cigarro. A falsa e pesada propaganda de total segurança no uso desses aparelhos pode induzir mães já viciadas na nicotina a usarem o aparelho pensando não estarem fazendo mal ao seu feto, algo longe da verdade. A nicotina entrando no corpo, sob quaisquer formas, pode comprometer o desenvolvimento saudável do feto. (Ref.22)

ATUALIZAÇÃO (27/11/16): Pesquisadores reforçam que ainda existem escassos estudos avaliando a segurança dos e-cigarros, especialmente relativo aos efeitos a longo prazo. E como o uso dos mesmos está em crescimento quase exponencial, especialmente entre jovens, e que substâncias potencialmente nocivas já foram identificadas no vapor do e-cigarro, é urgente que mais estudos analisem a situação. Apesar disso, muitos concordam que esses aparelhos podem ser uma boa alternativa para fumantes que querem parar com o hábito. (Ref.23)

ATUALIZAÇÃO (01/12/16): Pesquisas recentes mostram que uma boa parte dos adultos não sabem que expor crianças pequenas aos vapores do e-cigarros faz mal ao corpo delas. Mesmo não liberando as fumaças tóxicas causadas pela combustão do tabaco, os vapores dos cigarros eletrônicos carregam nicotina, a qual, além de ser inalada pelas crianças (e tende ser bem tóxica para elas), se acumula nas superfícies da casa e outros locais fechados, e podem ser ingeridas por elas ao manusear objetos diversos.

As agências de saúde ao redor do mundo pedem que o uso dos e-cigarros não seja feito perto de crianças ou em ambientes fechados onde elas se encontram. Isso sem contar que ainda é incerto se os vapores dos líquidos desses dispositivos causam danos ao organismo a longo prazo. Outro perigo é deixar os carregadores e cigarros eletrônicos perto delas, já que o líquido dentro deles, contendo alta concentração de nicotina, pode ser ingerido e causar sérios danos à saúde. Além disso tudo, é sempre um mau exemplo consumir substâncias de vício perto de crianças. (Ref.25)

ATUALIZAÇÃO (17/02/17): Um estudo avaliando a presença de 5 metais tóxicos e carcinogênicos (chumbo, cádmio, manganês, níquel e cromo) em 5 das mais populares marcas de e-cigarros nos EUA, encontrou todos eles nos líquidos de vaporização desses aparelhos. Os  pesquisadores envolvidos pedem mais estudos para avaliar o problema e se as quantidades encontradas caracterizam os e-cigarros como uma importante fonte desses metais (Ref.24). Bem, e isso acaba sendo fruto da falta de fiscalização em cima desses produtos, o que aumenta ainda mais a preocupação dos órgãos de saúde com a enorme e crescente demanda pelos mesmos.


Artigo relacionado: Por que o uso do cigarro nunca será proibido?


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.scientificamerican.com/article/smoke-screen-are-e-cigarettes-safe/
  2. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1600-0668.2012.00792.x/full
  3. http://www.scientificamerican.com/article/ramping-up-e-cigarette-voltage-produces-more-dangerous-formaldehyde/
  4. http://www.scientificamerican.com/article/e-cigarettess-effect-on-cells-similar-to-that-of-tobacco-smoke/
  5. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0033350615002693
  6. http://journal.publications.chestnet.org/article.aspx?articleid=1187047&issueno=6&rss=1&ssource=mfr
  7. http://clincancerres.aacrjournals.org/content/20/2_Supplement/B16.abstract
  8. http://tobaccocontrol.bmj.com/content/23/suppl_3/iii3.short 
  9. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/add.12623/full
  10. http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0066317
  11. http://ntr.oxfordjournals.org/content/early/2014/08/18/ntr.ntu166.short
  12. http://circ.ahajournals.org/content/129/19/1972.short 
  13. http://tobaccocontrol.bmj.com/content/23/1/77.short
  14. http://onlinelibrary.wiley.com/enhanced/doi/10.1111/j.1465-3362.2012.00512.x/
  15. http://tobaccocontrol.bmj.com/content/23/2/133.short
  16. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0749379715000355
  17. http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMclde1602420#t=article
  18. http://tobaccocontrol.bmj.com/content/early/2013/11/20/tobaccocontrol-2013-051122.short
  19. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0376871613001762
  20. http://pediatrics.aappublications.org/content/134/1/e29.short 
  21. http://www.fda.gov/TobaccoProducts/Labeling/ProductsIngredientsComponents/ucm456610.htm 
  22. http://www.atsjournals.org/doi/abs/10.1164/rccm.201510-2013PP
  23. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0302283816309265
  24. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0013935116306995
  25. https://www.eurekalert.org/pub_releases/2016-10/aaop-mas101416.php
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