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A proteína da soja faz mal para a musculação?

 

           Além de conter todos os aminoácidos essenciais de que nosso corpo precisa, e possuir ótimo valor biológico ( os nutrientes são absorvidos e assimilados facilmente pelo corpo), a proteína de soja é super barata. A sua farinha, a qual ainda possui diversas vitaminas, proteínas e lipídios benéficos, pode ser encontrada em diversos mercados a preços irrisórios. Para os praticantes de musculação, principalmente aqueles que não possuem condição financeira avantajada para se darem aos luxos dos supervalorizados suplementos, a proteína da soja é uma opção perfeita. Inclui-la junto às suas outras fontes proteicas é o melhor negócio possível.

Ambas são parecidas, estruturalmente, entre si
            Mas, ao longo dos anos, diversos boatos surgiram, e persistiram, sobre sua ação negativa nos níveis de testosterona do corpo masculino ( algo que atrapalharia os resultados da musculação), e efeitos de feminização, como a ginecomastia. Os supostos culpados seriam os fitoestrógenos presentes na soja, substâncias estas que são muito semelhantes quimicamente ao estrógeno, uma classe dos principais hormônios sexuais femininos. No caso da soja, os hormônios predominantes fazem parte do grupo das isoflavonas. Porém, o corpo masculino não possui receptores específicos para os fitoestrógenos como acontece com os verdadeiros estrógenos, como o estradiol, fazendo com que os efeitos desses hormônios terem um efeito centenas de vezes mais reduzido. Ou seja, essas substâncias passarão, virtualmente, despercebidas pelo sistema em equilíbrio da testosterona-estrógeno do homem especialmente considerando as concentrações presentes na soja. Diversos estudos conclusivos (1) já mostraram que, tanto as isoflavonas quanto a soja em si, não alteram perceptivelmente a biodisponibilidade e concentração total de testosterona nos homens, a contagem/mobilidade dos espermatozoides, o volume ejaculatório ou qualquer outro tipo de alteração testicular. E dizer que as isoflavonas da soja causam ginecomastia é pura mentira. Não existe maior produção de estrógenos circulantes no corpo masculino decorrente da ingestão de soja. Caso você esteja consumindo proteína de soja e começou a perceber alguma ginecomastia no peitoral, a real causa, provavelmente, é um remedinho especial sendo aplicado para melhorar o rendimento e anabolismo muscular ( você sabe do que eu estou falando, certo?). Existem uma certa desconfiança que crianças muito novas possam ser mais sensíveis as fitoestrógenos (Ref.22, 23 e 24), algo ainda inconclusivo, mas em adultos, não existe risco significativo.

             E, já no caso das mulheres, a soja parece só ajudar, principalmente depois da menopausa, . onde os fitoestrógenos ajudariam a minimizar a osteoporose e outros efeitos colaterais nesta idade, como os calores súbitos, causados pela escassez na produção desses hormônios. Além disso, diversos estudos mostram que estes fitoestrógenos podem contribuir para abaixar os níveis de colesterol na corrente sanguínea, para ambos os sexos, e diminuir os riscos de câncer de próstata no caso dos homens e câncer de mama nas mulheres ( por causa da competição por receptores entre as isoflavonas, especialmente a genisteína e os estrógenos poderosos, como o estradiol, estes os quais são fortes estimuladores da proliferação de células mamárias, incluindo as cancerígenas). Todos esses benefícios ainda estão no campo das incertezas, mas prejuízos causados por esses hormônios são muito pouco prováveis.

             Se você não tem condição de comprar toneladas de WheyProtein, não fique triste, porque a soja está aí para te ajudar. A farinha de soja, por exemplo, possui maior concentração proteica do que qualquer outra fonte animal, além de conter ótimos carboidratos e fibras saudáveis. Os únicos que ficarão realmente tristes serão as empresas multimilionárias de suplementos, as quais se alimentam dos leigos iludidos por certos anunciantes, artigos e canais patrocinados no Youtube. E nunca se limite a um só tipo de fonte proteica. Invista sempre na diversidade. Ovos, carnes, leite. Cada um desses alimentos conterão mais ou menos de cada um dos seus aminoácidos constituintes e outros nutrientes essenciais, sendo importante, portanto, a combinação de todos eles, junto, claro, da maior variação possível de alimentos na sua dieta.

Aminoácidos essenciais: são aqueles que não podem ser sintetizados pelo nosso organismo, sendo necessário ingeri-los através da alimentação. São nove: fenilalanina, valina, treosina, triptofano, metionina, leucina, isoleucina, lisina e histidina e histidina. Cada fonte proteica terá mais ou menos de cada um deles, sendo, por isso, necessário uma diversificação alimentar na dieta para suprir bem o corpo com quantidades ideais de todos esses aminoácidos.

Valor biológico: é a capacidade de digestão e assimilação dos nutrientes de diversas fontes alimentares. Cada alimento disponibilizará mais facilmente ou menos facilmente certos nutrientes em sua composição devido à fatores bioquímicos diversos. Normalmente, o valor biológico é usado para fazer referência à digestibilidade das proteínas.

Apesar da farinha/proteína texturizada de soja ( assim como grande parte dos outros alimentos vegetais) ter proteínas com valor biológico ( 71-75%) bem menor do que as carnes, ovos, laticínios e suplementos proteicos ( todos com valor maior do que 90%), ela é compensada pela grande presença de fibras muito saudáveis, antioxidantes e quantidades enormes de proteína.

Fonte/Instagram Saber Atualizado


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(1) Artigos Científicos
  1. https://dx.doi.org/10.1016%2Fj.fertnstert.2009.04.038
  2. http://nrc.ajums.ac.ir/_nrc/documents/Toxins%20in%20food.pdf (
    Dabrowski WM (2004). Toxins in Food. CRC Press Inc. p. 95)
  3. http://www.clinsci.org/content/100/6/613 
  4. http://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/jf0009246
  5. http://journals.lww.com/greenjournal/Abstract/2002/03000/Benefits_of_Soy_Isoflavone_Therapeutic_Regimen_on.5.aspx 
  6. http://www.scielo.br/pdf/cta/v26n1/28868.pdf 
  7. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16965235
  8. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/14963058
  9. http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/07315724.2013.770648
  10. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/bju.12435/full
  11. https://www.betterhealth.vic.gov.au/health/healthyliving/soybeans
  12. http://www.fertstert.org/article/S0015-0282%2809%2900966-2/abstract
  13. http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1207/s15327914nc4702_1
  14. http://www.degruyter.com/view/j/jpem.2004.17.2/jpem.2004.17.2.191/jpem.2004.17.2.191.xml
  15. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0015028210003687
  16. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0015028209009662
  17. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0015028209035948 
  18. http://www.nature.com/ejcn/journal/v60/n12/abs/1602473a.html 
  19. http://archive.ahrq.gov/clinic/epcsums/soysum.htm 
  20. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20378106
  21. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19524224
  22. http://pediatrics.aappublications.org/content/121/5/1062.long
  23. http://turkishneurosurgery.org.tr/pdf/JTNEPUB_18549_online.pdf
  24. http://ehp.niehs.nih.gov/wp-content/uploads/advpub/2016/8/EHP428.acco.pdf
  25. http://jn.nutrition.org/content/145/5/871.short
  26. https://synapse.koreamed.org/DOIx.php?id=10.3345/kjp.2012.55.8.265
  27. http://www.fertstert.org/article/S0015-0282(09)00966-2/abstract
  28. http://www.clinsci.org/content/100/6/613
  29. http://www.fda.gov/Food/IngredientsPackagingLabeling/GRAS/SCOGS/ucm261441.htm
  30. https://medlineplus.gov/ency/article/007204.htm
  31. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17585029