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Paciente com cálculo gigante na bexiga

Figura 1. (A) Radiografia ou raio-X simples do abdômen mostrando um grande cálculo cervical calcificado e arredondado. (B) Foto do cálculo gigante removido do paciente. Ref.1

          Um homem de 32 anos de idade apresentou-se a uma clínica de urologia com histórico de dor abdominal inferior e disúria (dor ao urinar). Esses sintomas vinham sendo sentidos nos últimos 2 anos e eram progressivos. O paciente queixava-se frequentemente de urgência urinária, polaquiúria (vontade frequente de urina mas em pequenos volumes), esvaziamento incompleto e, às vezes, hematúria (sangue na urina). Não havia histórico de qualquer lesão. O paciente havia recebido alguns antibióticos e analgésicos para infecção do trato urinário recorrente no último ano.

          No exame físico, os sinais vitais do paciente estavam normais e o abdômen estava flácido. O exame retal digital revelou próstata normal. Da mesma forma, os exames de sangue, função renal e hepática estavam dentro dos limites normais. 

          Os resultados da urinálise mostraram pH 5,2, com 10 células de eritrócitos por campo de visão no sedimento urinário e presença de cristais de oxalato de cálcio. Leucócitos e nitrito foram negativos na urinálise. 

           A radiografia simples do abdômen revelou um grande cálculo calcificado e arredondado na região pélvica medindo 12,4×7,8 cm (Fig.1A). A ultrassonografia abdominal confirmou a presença do cálculo (pedra) dentro da bexiga.

          Nesse sentido, o paciente recebeu ciprofloxacina intravenosa e foi submetido a uma cistolitotomia aberta sob anestesia geral para remoção do cálculo gigante. Apesar do grande tamanho do cálculo vesical, ele foi removido de forma fácil e completa, sem aderências à parede da bexiga. 

           O cálculo removido da bexiga possuía 12.6 x 9.8 × 7.5 cm e  832 g e era constituído de oxalato de cálcio (Fig.1B). 

           O paciente recebeu alta no 6º dia e não apresentou sinais de complicações. A ferida pós-operatória permaneceu cicatrizada, sem infecção ou inflamação significativas. Durante o acompanhamento, o paciente permaneceu assintomático e não apresentou formação de novos cálculos.

          O caso foi descrito no periódico Urology Case Reports (Ref.1).


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   Cálculos Vesicais Gigantes

          O termo cálculo vesical refere-se à presença de pedras ou material calcificado na bexiga. Cálculos vesicais respondem por aproximadamente 5% de todas as pedras no trato urinário. Geralmente, essas pedras estão associadas à estase urinária (urina que permanece parada na bexiga), mas podem aparecer em indivíduos sem evidência de defeitos anatômicos, infecções ou outras alterações. A presença de cálculos (pedras) no trato urinário superior (rins, ureteres) que podem migrar - através dos ureteres - para a bexiga predispõem o aparecimento de cálculos vesicais.

        No geral, a causa mais comum de formação de cálculo vesical é a obstrução da saída da bexiga. Dessa forma, a urina fica acumulada. Cristais são formados na urina parada, desenvolvendo cálculos maiores.

           Nesse sentido, o problema está comumente relacionado a condições que dificultam a eliminação da urina e/ou o esvaziamento completo da bexiga. Por causa disso, os cálculos vesicais podem aparecer em crianças com malformações congênitas, indivíduos com bexiga neurogênica, estenose uretral e em homens que têm hiperplasia prostática benigna - essa última uma condição em que a próstata aumenta de tamanho, comprimindo a uretra e dificultando a micção.

          Por isso é essencial eliminar também a causa da possível obstrução urinária durante o tratamento médico e não apenas remover os cálculos da bexiga, para evitar recorrências.

          Outra forma de desenvolvimento de cálculos vesicais é devido à presença de corpos estranhos na bexiga, que servem como um ninho para a formação da pedra. Esses corpos estranhos podem ser: material de sutura, migração de aparelhos contraceptivos, stents (cateteres) ureterais, entre outros.

          Os cálculos vesicais podem também ser induzidos por infecção e, nesse cenário, provavelmente se formam exclusivamente como consequência da hidrólise da ureia, catalisada pela urease bacteriana. Amônia (NH3) e dióxido de carbono (CO2) são gerados como produtos da reação. Um novo processo de hidrólise forma íons amônio e bicarbonato, com a alcalinização da urina como consequência direta - embora não tenha sido o caso do paciente do relato inicial.

          Em indivíduos com idade mais avançada, as pedras geralmente são formadas na própria bexiga e são compostas basicamente por ácido úrico ou fosfato magnesiano. As pedras que se originam nos rins geralmente são compostas por oxalato de cálcio.

           Os cálculos variam muito de tamanho e os menores costumam ser eliminados naturalmente sem que a pessoa perceba. Os maiores, no entanto, causam vários incômodos que incluem:  

- dor ou desconforto ao urinar; 

- dor abdominal, nas costas, no quadril e na região pélvica; 

- presença de sangue na urina (hematúria); 

- jatos mais curtos de urina que são interrompidos independentemente da vontade da pessoa; 

- febre (principalmente se estiver acompanhada de infecção urinária); 

- mal-estar. 

          Cálculos vesicais gigantes são uma entidade clínica rara, e alguns podem ultrapassar 20 cm de extensão e 1 quilo (kg) de massa total (Ref.4). São definidos como cálculos vesicais com mais de 100 gramas (g) ou medindo mais de 4 centímetros (cm) na maior dimensão. O cálculo vesical mais massivo descrito na literatura médica possuía uma massa de 6,294 kg (Ref.5). Avanço da idade e sexo masculino parecem ser fatores de risco significativos para a ocorrência de pedras gigantes na bexiga (Ref.6).

 

Figura 2. Fotos mostrando (A) o diâmetro (18,5 cm) e (B) massa (1,328 kg) de um cálculo vesical gigante de um paciente de 51 anos de idade, removido em um hospital da Bahia, Brasil. Ref.7


Figura 3. (A) Vista coronal de tomografia computadorizada (CT) mostrando um grande cálculo vesical de um paciente brasileiro de 56 anos de idade. (B) Reconstrução óssea da CT abdominal. (C) Cálculo vesical gigante removido do paciente, medindo 17 × 13 × 16 cm e pesando 2730 g. A pedra gigante na bexiga desse paciente estava associada com um cálculo coraliforme no rim direito e com obstrução na bexiga. Ref.8
 
Figura 4. (A) Tomografia computadorizada (CT) simples de um paciente de 52 anos de idade mostrando um cálculo vesical gigante. Em (B), cálculo removido da bexiga, medindo 10.6 cm × 8.6 cm × 8.8 cm e pesando 726 g. Ref.9

          A cistolitotomia - procedimento cirúrgico endoscópico, aberto ou percutâneo para a remoção de cálculos (pedras) da bexiga urinária - é o principal tratamento, mas este pode ser dificultado quando há aderência da pedra à mucosa da bexiga. A cistolitotomia é indicada quando as pedras são grandes, numerosas ou quando técnicas menos invasivas (como a fragmentação a laser) não são possíveis.

          Outro tratamento - usado para remoção de cálculos em geral no sistema urinário - é a Litotripsia Extracorpórea por Ondas de Choque (LECO), técnica não invasiva em que as pedras são fragmentadas por meio de ondas acústicas de alta energia, o que facilita sua eliminação.

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> Hidratação: Ingestão adequada de líquidos ajuda a evitar o acúmulo de sais minerais na bexiga que, com o tempo, podem se aglutinar, formando os cálculos. Esse cuidado com a hidratação previne recidivas e protege quem nunca passou por isso. 

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REFERÊNCIAS

  1. Junita et al. (2019). Giant bladder stone with history of recurrence urinary tract infections: A rare case. Urology Case Reports, Volume 26, 100945. https://doi.org/10.1016/j.eucr.2019.100945
  2. https://www.iun.com.br/dicas-de-saude/calculo-vesical
  3. https://www.einstein.br/n/vida-saudavel/pedras-na-bexiga-quais-sao-os-sinais-e-por-que-elas-aparecem
  4. Corrêa et al. (2025). Cálculo gigante na bexiga: relato de caso. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.11, n.9, p.01-11. https://doi.org/10.34117/bjdv11n9-015
  5. Arthure, H. (1953). A large abdominal calculus. BJOG, Volume 60, Issue 3, Page 416. https://doi.org/10.1111/j.1471-0528.1953.tb14080.x
  6. Gadelkareem et al. (2023). Predictors of clinical and surgical characteristics of giant stones of the urinary bladder: a retrospective study. BMC Urology 23, 83. https://doi.org/10.1186/s12894-023-01261-2
  7. Pires et al. (2022). Giant Urinary Bladder Stone in a Middle-Aged Male, EMJ Urology. https://doi.org/10.33590/emjurol/21-00239
  8. Souza et al. (2023). Giant vesical calculus associated with staghorn calculus. International Journal of Case Reports Images, 14(1):75–79. https://www.ijcasereportsandimages.com/archive/article-full-text/101387Z01IS2023
  9. Baral et al. (2024). Giant urinary bladder stone: A rare case report. International Journal of Surgery Case Reports, Volume 122, 110174. https://doi.org/10.1016/j.ijscr.2024.110174