O que é a Osteodistrofia Hereditária de Albright?
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| Figura 1. Fotos e radiografias das mãos e pés da paciente. |
Uma mulher de 71 anos idade apresentou-se a uma clínica para o controle de hipertensão. No exame físico, foi observada a ausência da quarta articulação metacarpofalângica (knuckle) em ambas as mãos e braquimetatarsia dos quartos dedos dos pés (Fig.1A). A paciente não apresentava déficits cognitivos nem características dismórficas. Os níveis séricos de cálcio, fósforo e hormônio da paratireoide estavam normais. A radiografia das mãos e dos pés revelou encurtamento dos quartos metacarpos e metatarsos, juntamente com características osteodistróficas (Fig.1B). Um diagnóstico de osteodistrofia hereditária de Albright foi feito.
O caso foi reportado e descrito em 2012 no periódico New England Journal of Medicine (Ref.1).
A osteodistrofia hereditária de Albright foi descrita pela primeira vez por Fuller Albright em 1942. Fenotipicamente, caracteriza-se por baixa estatura, obesidade, face redonda, pescoço curto, nariz com base larga e dorso achatado, braquidactilia, principalmente encurtamento dos quarto e quinto metacarpos - resultando na perda do "nó" proeminente quando a mão está fechada - e, às vezes, também dos metatarsos, e calcificação em tecido subcutâneo.
As alterações endócrinas mais comumente associadas são o pseudo-hipoparatireoidismo, hipotireoidismo e hipogonadismo. Indivíduos afetados pela síndrome podem ainda apresentar catarata, defeitos dentários, retardo mental e calcificação dos gânglios da base.
O pseudo-hipoparatireoidismo ocorre pela resistência periférica à ação do hormônio da paratireóide (PTH) em receptores de órgãos-alvo.
Laboratorialmente simula quadro de hipoparatireoidismo com hipocalcemia e hiperfosfatemia, porém com valores elevados de PTH.
Existem dois tipos principais de pseudo-hipoparatireoidismo, tipo IA e IB. O tipo mais frequente de pseudohipoparatireoidismo é o IA, em que a resistência ao paratormônio é resultante de uma mutação no gene GNAS1 que codifica a subunidade Gsα da proteína G estimuladora, causando uma diminuição da expressão ou função da Gsα. Essa subunidade é responsável por regular a atividade da adenilciclase, proteína necessária para a transdução do sinal aos tecidos alvos endócrinos, ou seja, é uma proteína sinalizadora amplamente expressa em tecidos humanos, incluindo os túbulos proximais renais e tecidos endócrinos, que são de origem materna. Entende-se, assim, por que a resistência hormonal está associada aos alelos Gsα de origem materna.
Nesse sentido, a proteína G não consegue ativar a adenilciclase para produzir Adenosina Monofosfato Cíclico (AMPc), que é imprescindível para a manutenção da homeostase fosfato-cálcica e para a resposta ao PTH. Além disso, a expressão de Gsα a partir dos alelos GNAS1 materno e paterno não é similar em todos os tecidos. No túbulos renais proximais, por exemplo, a expressão de Gsα é realizada por intermédio do alelo materno, e o alelo paterno é silenciado, e, nas glândulas tireoides existe uma expressão significativamente maior do alelo materno GNAS1.
O pseudo-hipoparatireoidismo lA é o mais comum e o IC, também conhecido como pseudopseudo-Hipoparatiroidismo (PPHP), manifestando-se do alelo paterno, é o tipo mais raro, o qual apresenta manifestações clínicas e laboratoriais similares ao pseudo-hipoparatireoidismo lA, distinguindo-se apenas pelos níveis de bioatividade da Gsα ou pelo rastreio de mutações do GNAS. O pseudopseudo-hipoparatireoidismo e o pseudo-hipoparatireoidismo IA são causados por mutações epigenéticas do gene GNAS, desse modo, é importante realizar o teste genético para diferenciar as alterações
O diagnóstico da doença é estabelecido por anamnese, exame físico e exames complementares. A detecção de níveis séricos aumentados de PTH em um indivíduo com hipocalcemia, hiperfosfatemia e função renal normal sugere pseudo-hipoparatireoidismo.
Pacientes com pseudopseudo-hipoparatireoidismo geralmente não necessitam de tratamento específico ou acompanhamento adicional.
REFERÊNCIAS
- Rolla & Rodriguez-Gutierrez (2012). Albright's Hereditary Osteodystrophy. NEJM, 367:2527. https://doi.org/10.1056/NEJMicm1208779
- Freitas et al. (2008). "Você conhece esta síndrome?" Anais Brasileiros de Dermatologia, 83(1). https://doi.org/10.1590/S0365-05962008000100012
- Mendes et al. (2024). OSTEODISTROFIA HEREDITÁRIA DE ALBRIGHT: Relato de caso com revisão de literatura. Afya Faculdade de Ciências Médicas de Ipatinga. Link do PDF

