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Tucanos são carnívoros ou frugívoros?

Figura1. Na foto, predação de um lagarto da espécie Tropidurus torquatus pelo tucano R. toco, no Rio de Janeiro (cidade), na Mata Atlântica. Foto: Márcia Barbosa

          Tucanos são aves neotropicais da família Ramphastidae, famosos pelos enormes bicos serrados. Apesar do tamanho, os bicos são leves, constituídos de uma estrutura parcialmente oca e suportada por fibras ósseas e queratina, mas a origem evolucionária é incerta - embora possuam várias funções ecológicas e comportamentais. Hipóteses propostas [causa primária de evolução] englobam ornamentação (atração sexual), afugentar potenciais predadores e facilitar o alcance de alimentos. Existem variações dramáticas em termos de dimensões corporais entre as espécies de tucanos - são 50 espécies descritas distribuídas em 5 gêneros. A maior e mais conhecida é a Ramphastos toco ("Tucano-grande"), com 61 cm de comprimento e ~860 gramas de massa corporal, enquanto as menores são a espécie Selenidera nattereri (<32 cm) e a subespécie Pteroglossus inscriptus inscriptus (~95 gramas).

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          Apesar de muito distintos à primeira vista, os tucanos são filogenicamente próximo-relacionados dos pica-paus (Picidae) - e também da família Capitonidae -, possuindo várias características físicas e comportamentais comuns, como zigodactilia (pés com dois dedos para frente e dois dedos para trás), língua longa, estreita e com formato de "penas", penas curtas e duras na cauda (rectrizes) e construção obrigatória de ninhos em cavidades de árvores.

          Habitando florestas úmidas nas Américas Sul e Central, os tucanos são primariamente frugívoros e geralmente passam grande parte do dia buscando árvores com frutos para se alimentar - atuando também como importantes dispersadores de sementes. Porém, também podem complementar a dieta [necessidades proteicas] com insetos, rãs, lagartos (Fig.1), aves e até mesmo peixes. Também são comumente observados roubando ovos do ninho de outras aves, e um recente vídeo de Tik Tok inclusive viralizou mostrando o ataque de um tucano (R. toco) a um ninho (!).

(!) Vídeohttps://www.instagram.com/p/CoNw-EPplz7/

           Podem viver até 18 anos, e algumas espécies se encontram ameaçadas de extinção ou vulneráveis, como a Ramphastos ariel, encontrada em algumas partes da Amazônia e da Mata Atlântica.

> CURIOSIDADE: Em 2020, pesquisadores reportaram no periódico Brazilian Journal of Biology (Ref.5) o primeiro registro de leucismo (albinismo parcial) na espécie Ramphastos toco, no Distrito Federal, Brasília. Na Fig.2, indivíduo com leucismo parcial (foto acima) e um normal para comparação (foto abaixo). A detecção de indivíduos com leucismo é considerada difícil, já que esses animais são mais visíveis e, consequentemente, mais facilmente predados. Além disso, o fenótipo anômalo pode dificultar a reprodução, impedindo que o traço seja passado para frente e limitando o número de indivíduos com a característica.

Figura 2. O leucismo, também conhecido como albinismo parcial, é uma anomalia cromática ainda pouco esclarecida. Indivíduos portadores dos genes que condicionam a doença apresentam ausência de pigmentação em uma parte ou em todo o corpo, porém os olhos não apresentam alteração.


REFERÊNCIAS

  1. https://animals.sandiegozoo.org/animals/toucan
  2. https://www.scielo.br/j/bn/a/sQQphx6JnrD4wy4t3LBSC7N/abstract/
  3. Oliveira et al. (2022). Predation of Tropidurus torquatus (Squamata: Tropiduridae) by Ramphastos toco (Aves: Ramphastidae) in the Atlantic Forest, Brazil. Herpetology Notes, volume 15: 877-880.
  4. https://lafeber.com/vet/basic-information-sheet-ramphastidae/
  5. https://www.scielo.br/j/bjb/a/zvpTFVYV8jcyjBHrfCvCr9p/