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Esse inseto salvou o Japão do imperialismo Ocidental


           A antiga religião nativa Shinto é ainda amplamente influente na atual cultura Japonesa. Shinto é um sistema animístico de crença que percebe kami (espíritos ou deuses) em todos os objetos naturais e antropogênicos, incluindo plantas, animais, montanhas, rios, pedras, lugares de certa significância, construções e até veículos. Nesse sentido, rituais diversos são praticados para festejar o equilíbrio e interações entre humanos e diversos elementos naturais, especialmente para os kami que habitam seres vivos sacrificados para o consumo humano. E, nesse contexto, os mushi (insetos) ganham um importante destaque histórico. Além de notáveis exemplos como os 'elmos de samurais' (kabuto, homenageados no nome do besouro-rinoceronte-Japonês, kabutomushi) (1), temos o inseto considerado o grande salvador do Japão, a mariposa da espécie Bombyx mori (L.), mais especificamente sua larva, popularmente conhecida como bicho-da-seda.   

(1) Para mais informações, acessePor que o besouro-rinoceronte-Japonês é tão popular no Japão? 


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   ROTA DA SEDA

           A sericicultura é a atividade que consiste na criação do bicho-da-seda para a produção de casulos que serão utilizados como matéria-prima na produção de seda, um tecido de fibra proteica muito valorizado na indústria têxtil. A sericultura começou na China provavelmente em tempos neolíticos, sendo monopolizada pelos Chineses por milhares de anos e protagonizando a famosa Rota da Seda. Evidências arqueológicas apontam possível exploração humana dos casulos do bicho-da-seda na China no período de 2600-2300 a. C., e os mais antigos vestígios de seda descobertos datam da Dinastia Shang (séculos XVI-XIII a. C.).


          A invenção da seda tem sido tradicionalmente atribuída à Sra. Xiling (Sra. Xi Ling Shi), a esposa do lendário Imperador Amarelo (Huangdi), que supostamente viveu no período de 1698-1598 a. C. (Ref.2). Segundo Confúcio, enquanto ela estava bebendo uma xícara de chá sob uma amoreira, um casulo de seda caiu-lhe na xícara. Xiling, então, observou que o fio de seda começou a desenrolar-se no chá quente. Desenrolando os fios de seda, usou-os para fabricar tecidos.

           A Rota da Seda (sichou zhi lu 絲綢之路), em si, teve início quando comerciantes e exploradores encontraram passagens da China para a Europa e o Oriente Médio no século II a.C., sendo suportada pelo comércio e transporte de seda e produtos baseados em seda produzidos pelos Chineses, mas também incluindo pedras preciosas, joias, especiarias, papel, vidro e outras mercadorias de grande valor; também englobou rotas marítimas ligando a China ao Sudeste Asiático, Índia, Arábia, Leste Africano e alcançando o Japão (Ref.3-4). Persistindo por mais de 1000 anos sob a dependência do Estado Centralizado Chinês, a Rota da Seda deflagrou o estabelecimento de um forte mercado na Ásia Central e Ocidental e muitos acadêmicos a consideram como o grande pilar inicial do capitalismo de mercado, muito antes do mercantilismo Europeu (Ref.5). Uma vasta e complexa rede dinâmica de rotas comerciais, a Rota da Seda conectou geografias diversas e populações da China, Estepe Eurasiano, Ásia Central, Índia, Ásia Ocidental e Europa, e catalisou grandes avanços e revoluções culturais, ideológicas e tecnológicas, ao suportar intensa troca de pessoas, religiões, tecnologias, filosofias e de ideias antes isoladas.

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> Importante mencionar que corredores para viagens assim como para a transferência de mercadorias (ex.: trigo, cabras, gado, milho, etc.) e de informações ao longo da Eurásia são muito mais antigas do que o "início" histórico da Rota da Seda - oficialmente estabelecida durante a Dinastia Han (202 a.C. - 220 d.C.) -, com evidências arqueológicas de importantes influências entrando na China via Ásia Central datadas do segundo milênio a.C. (Ref.6). A tecnologia do Bronze, por exemplo, pela qual o período Shang (1570-1045 a.C.) se tornou famoso, é hoje pensada ter sido introduzida na China ao longo desses corredores (ou rotas), especificamente a partir da estepe Eurasiana durante o terceiro milênio a.C. Outro exemplo é a carruagem, a qual parece ter sido introduzida no Norte da China a partir do Cáucaso antes de 1200 a.C. Além disso, existe evidência de que os corredores da Rota de Seda foram fundados sobre rotas já sendo naturalmente trabalhadas por criadores nômades de animais atravessando as montanhas Asiáticas há quase 5 mil anos (Ref.7-8).

> O termo 'Rota da Seda' foi cunhado pelo explorador Alemão Baron von Richthofen, em 1877.  

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          Durante o período Han, a demanda do Império Romano pela seda Chinesa chegou a uma escala tão grande que alegadamente começou a ruir a economia Romana tamanha era a evasão de metais preciosos para o pagamento do produto (Ref.6). A seda era um artigo de extremo luxo em Roma no período inicial do império, e o peso do produto parece ter alcançado equivalência em ouro naquela época.

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   CEDA, JAPÃO E MOTHRA

           No Japão, técnicas para a produção de seda foram introduzidas no período Yayoi (século IX a.C. - século III d.C.) (Ref.9). No entanto, a qualidade e a quantidade dos tecidos de seda produzidos não eram muito altas no país, e, até o início do século XVIII, os tecidos de ceda de mais alta qualidade eram importados da China. 

           Após completar a fase de pupa, o bicho-da-seda produz enzimas proteolíticas para quebrar o casulo e emergir como uma mariposa adulta. Devido ao fato das enzimas danificarem a seda, os casulos são fervidos para matar a pupa antes do adulto emergir. Para lembrar do sacrifício dos bichos-da-seda, um ritual de mushi kuyō (serviço memorial para insetos) é ainda realizado anualmente no Santuário do Bicho-da-Seda (Kaiko no Yashiro) na cidade de Uzumasa, sul de Kyoto.

           Os bichos-da-seda são também homenageados na cultura Japonesa no contexto dos famosos filmes de Kaiju (literalmente, "bestas estranhas"). De fato, o mais popular inseto Kaiju é Mothra, este o qual inclusive possui uma contraparte vilã, Battra (uma mariposa preta gigante). Mothra é baseada na B. mori adulta - mas também sendo representada nas telas de cinema como lagartas e casulos [de seda] gigantes - e é considerada divina, como uma fênix, e benevolente. Nos cinemas, Mothra, salvou o Japão do destrutivo Godzilla, um poderoso e destrutivo réptil kaiju. E essa batalha espelha um real e crítico evento na história do Japão, quando a mariposa B. mori - especificamente a seda produzida pela sua fase larval - salvou o país do imperialismo Ocidental ("Godzilla").



           O bicho-da-seda mudou completamente o destino do Japão e foi responsável por torná-lo uma das grandes potências mundiais.

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   ESTRADA DA SEDA JAPONESA

           Em 1853, o Comodoro da Marinha Norte-Americana, Matthew C. Perry, chegou à Baía de Edo (hoje Baía de Tokyo). Perry tinha sido ordenado pelo Presidente Millard Fillmore a forçar o Japão a garantir acesso dos seus portos a países estrangeiros. Desde o início do período Edo (1635), o Japão tinha se isolado dos estrangeiros sob a política de seclusão nacional implementada pelo governo Shōgun (em português, Xogum, basicamente uma ditadura militar feudal). Isso foi feito primariamente para prevenir a disseminação do Cristianismo, o qual poderia ter desafiado a autoridade absoluta do Xogum. O Cristianismo foi introduzido no Japão durante um período conhecido como "Século Cristão" (1549-1650), e pelo ano de 1614 é estimado um total de 300 mil Cristãos no território Japonês (Ref.11). A subsequente seclusão engatilhou retrocesso econômico e tecnológico no território Japonês, ao sacrificar o promissor comércio com a Indonésia, Filipinas e as chances de expansão colonial, além de impedir a entrada da ciência e de progressos industriais Ocidentais no país (Ref.12). Em meados do século XVII, todos os missionários Cristãos haviam sido expulsos do Japão, e todo aprendizado Ocidental foi proibido (Ref.13).

           Apenas dois países, China e a Holanda, foram permitidos de comercializar com o Japão, e apenas através da pequena ilha artificial de Dejima, em Nagasaki. Nenhum outro porto foi disponibilizado para estrangeiros. Navegantes estrangeiros de navios naufragados eram aprisionados ou executados, e navios desabastecidos buscando suprimentos eram repelidos. 

            À medida que o comércio Chinês e de baleias aumentou na parte noroeste do Pacífico, os EUA foram forçados a voltar os olhos para os portos Japoneses. Esse desejo pelos territórios marítimos do Japão foi alimentado pelo declínio de poder do governo Xogum após 200 anos de domínio absoluto. Seguindo o princípio de "Diplomacia das Canhoneiras", o citado Comodoro Perry atirou com seus 73 canhões 'vazios' (sem munição) ao longo da Baía de Edo, e os barulhos produzidos foram suficientes para amedrontar os burocratas Japoneses e permitir um encontro com Perrry e seus representantes. No ano seguinte, Perry visitou o Japão novamente, trazendo uma impressionante frota de 10 poderosas embarcações de guerra e forçando o governo Japonês a assinar a Convenção de Kanagawa (1854), a qual permitiu acesso estrangeiro a alguns portos Japoneses.

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> Diplomacia das Canhoneiras (Gunboat Diplomacy) é um termo usado historicamente para se referir a demonstrações abusivas de poder naval, em especial das forças navais Britânicas. Na segunda metade do século XIX, a diplomacia das canhoneiras era frequentemente utilizada pelos impérios colonialistas Europeus sobre nações mais fracas ou colônias com o intuito de fazer prevalecer suas vontades e interesses (Ref.14). 

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            A decisão dos burocratas do Xogunato de permitir o acesso estrangeiro ao Japão enfureceu vários samurais, estes os quais acreditavam que os estrangeiros "sujos" iriam corromper o sagrado território Japonês. Apesar de serem em grande parte inúteis durante tempos de paz, a classe samurai era bem educada e, mesmo com o ódio xenofóbico inicial em relação à intrusão de estrangeiros, não levou muito tempo para alguns deles reconhecerem a superioridade tecnológica - em especial as armas de fogo - dos países Ocidentais. Além disso, os samurais começaram a perceber, assustados, que a maior parte do mundo havia sido colonizada pelas potências Ocidentais, com o continente Africano literalmente dividido pelo Reino Unido, França, Holanda, Alemanha, Portugal, Espanha e Itália; o Sudeste Asiático pelo Reino Unido, França e Holanda; a Índia pelo Reino Unido; a América do Sul por Portugal e Espanha; e com a China em um status de "colonização em progresso".

           Nesse contexto, intelectuais e políticos Japoneses começaram a ficar muito preocupados: o Japão era uma ilha relativamente pequena e em estado de precário desenvolvimento tecnológico e industrial, uma consequência do extremo isolacionismo, e já sob pressão de uma grande potência em ascensão (EUA). Isso engatilhou uma corrida no país por urgente e rápida modernização para deter o avanço imperialista das potências Ocidentais. Porém, modernizar um país que era essencialmente agrário e pobre não mostrou-se uma tarefa nada fácil à primeira vista.

           Após uma sangrenta batalha, as forças anti-Xogunato venceram uma guerra civil que havia estourado no país em resposta à expansão econômica e militar das potências Ocidentais e à precária situação do Japão. Como resultado do conflito, em 1868 foi estabelecido um novo governo inspirado nos sistemas parlamentares Prussiano e Britânico, com o Imperador Meiji como chefe de estado. Essa volta ao controle imperial (Restauração Meiji), apesar de representar um "retrocesso" histórico, trouxe uma nova e massiva campanha de importação de tecnologias e de ideias da Europa e dos EUA visando modernizar o Japão.

          As estruturas organizacionais e táticas de batalha do exército Prussiano e da Marinha Real Britânica foram sistematicamente copiadas para a formação do Exército e da Marinha Imperiais Japonesas, respectivamente. Jovens estudantes e servos civis foram enviados para o estrangeiro para aprender sobre sistemas políticos, econômicos, educacionais, militares e industriais de países Ocidentais. Avançado Maquinário Industrial foi importado e copiado para a produção em massa. Entre 1873 e 1914, a extensão das linhas ferroviárias no Japão aumentaram dramaticamente, de 29 para 11400 km, e o número de navios a vapor aumentou também de forma dramática, de 26 para 1514. 

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> Hoje, o sistema ferroviário do Japão é um dos mais avançados do mundo, e qualquer um pode viajar para quase qualquer lugar no país por trem. A fundação desse extensivo sistema ferroviário foi erguida durante o período Meiji.

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           Essa rápida expansão de industrialização e de desenvolvimento requereu massivo investimento de capital, um enorme desafio para um país cuja economia era baseada essencialmente na produção de arroz. E é aqui que entra o bicho-da-seda, porque foi esse inseto que forneceu o capital necessário para o processo de dramática modernização do Japão. Durante esse período, a produção total de seda básica aumentou de 1026 toneladas para 12460 toneladas, e a quantidade exportada aumentou de 649 toneladas para 9462 toneladas. Já pelo fim do período Meiji, seda básica - cuja demanda e valor eram muito elevados no mercado externo - respondia por 45% dos lucros oriundos da exportação Japonesa. Em 1905, as exportações de seda no Japão superaram as exportações Chinesas, e, em 1930, as exportações de seda Japonesa eram o triplo daquelas da China, dominando 80% do mercado global (Ref.16).


  

            Dois notáveis eventos permitiram o protagonismo internacional dos bichos-da-seda Japoneses nessa época. O primeiro foi a proliferação de duas doenças afetando esses insetos na Europa (pebrina e flacherie), devastando a indústria Europeia de seda. Enquanto a pebrina é causada pelo fungo parasita Nosema bombycis, a flacherie é causada por alguns tipos de vírus, sozinhos ou em combinação com certas bactérias (Serratia marcescens ou espécies dos gêneros Streptococcus e Staphylococcus). O segundo fator foi que a China estava em meio a uma extensiva guerra civil, a Rebelião Taiping (2), tornando muito arriscado para os Europeus viajarem para a China, onde tradicionalmente compravam seda. Nesse contexto, os compradores Europeus de seda voltaram a atenção para o Japão, e rapidamente a demanda superou o suprimento.

 

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> Alguns historiadores argumentam que as doenças dizimando os bichos-da-seda na Europa e a Rebelião Taiping não foram os únicos ou mais relevantes fatores que determinaram o grande sucesso da indústria de seda no Japão. É sugerido, nesse sentido, que os especialistas Europeus também reconheciam a qualidade superior da seda e das técnicas de sericultura do país.

(2) Leitura recomendada: Rebelião Taiping: O segundo maior massacre na história da humanidade

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          A seda produzida pelo B. mori e processada por várias trabalhadoras femininas catapultaram o Japão de um país agrário empobrecido para uma nação industrial moderna em um espaço de apenas 40 anos. Com os novos poderios industriais e militares, o Japão ganhou a Guerra Sino-Japonesa (1894-1895) - uma guerra travada com a China pelo controle da Coreia - e, pelo final do século XIX, o Japão se juntou à mesa com as potências Europeias para dividir o território Chinês. Mais tarde, em 1905, o Japão ganhou inclusive a Batalha de Tsushima, humilhando a Marinha Imperial Russa e estabelecendo-se como uma importante peça no tabuleiro geopolítico. Essa onda de vitórias militares levou o país até a Primeira Guerra Mundial, à infame invasão da China, ao ataque a Pearl Harbor e, finalmente, à derrota na Segunda Guerra Mundial, ao virar alvo prioritário do poderio nuclear dos EUA em 1945.


           Sem o bicho-da-seda, a história do Japão poderia ter sido muito diferente, provavelmente se transformando em uma colônia e persistindo pelas décadas seguintes como um país subdesenvolvido. Nada mais justo do que colocar nas telas de cinema uma mariposa gigante para deter um perigoso kaiju emergindo dos mares.


REFERÊNCIAS

  1. Zhang, Y.-Q. (2002). Applications of natural silk protein sericin in biomaterials. Biotechnology Advances, 20(2), 91–100. 
  2. Papavero & José Roberto Pujol-Luz (2011). Notas sobre o bicho-da-seda no folclore Chinês. Revista Brasileira de Entomologia 55(1): 141–142.  
  3. Church et al. (2018). The Eurasian Silk Road: Its historical roots and the Chinese imagination. Cambridge Journal of Eurasian Studies, vol. 2: 1-13. http://dx.doi.org/10.22261/CJES.XW4ESF
  4. Abe et al. (2021). Did ancient glassware travel the Silk Road? X-ray fluorescence analysis of a Sasanian glass vessel from Okinoshima Island, Japan. Journal of Archaeological Science: Reports Volume 40, Part A, 103195. https://doi.org/10.1016/j.jasrep.2021.103195
  5. Peters, Michael A. (2019). The ancient Silk Road and the birth of merchant capitalism. Educational Philosophy and Theory, Volume 53, Issue 10. https://doi.org/10.1080/00131857.2019.1691481
  6. Frachetti et al (2017). Nomadic ecology shaped the highland geography of Asia’s Silk Roads. Nature 543, 193–198. https://doi.org/10.1038/nature21696
  7. Tan et al. (2021). Megadrought and cultural exchange along the proto-silk road. Science Bulletin, Volume 66, Issue 6, Pages 603-611. https://doi.org/10.1016/j.scib.2020.10.011
  8. Wang et al. (2022). Revealing lost secrets about Yingpan Man and the Silk Road. Scientific Reports 12, 669. https://doi.org/10.1038/s41598-021-04383-5
  9. Nakamura et al. (2019). Radiocarbon Dating of Textile Components from Historical Silk Costumes and Other Cloth Products in the Ryukyu Islands, Japan. Radiocarbon, 1–12. https://doi.org/10.1017/RDC.2019.105
  10. Su, Nan-Yao (2022). Insects in Japanese Culture, and One That Saved the Country. American Entomologist, Volume 68, Issue 1, Pages 52–58. https://doi.org/10.1093/ae/tmac010
  11. Nosco, Peter (2003). Early Modernity and the States Policies toward Christianity in 16th and 17th century Japan. Bulletin of Portuguese - Japanese Studies, No. 7, pp. 7-21.
  12. Boxer, C. R. (1952). The Christian Century in Japan 1549-1650. Monumenta Nipponica, Vol. 8, No. 1/2, pp. 424-428. https://doi.org/10.2307/2383024
  13. Hiraoka, Ryuji (2005). Jesuit Cosmological Textbook in ‘the Christian century’ Japan: De sphaera of Pedro Gomez (Part I). SCIAMVS 6, 99-175.
  14. Souza, A. L. F. R. (2018). A Diplomacia das Canhoneiras e o Século XXI: Uma Revisão Conceitual. HOPLOS, Vol.1, No.2.
  15. Hashino, T. (2016). Contrasting Development Paths of Silk-Weaving Districts in Modern Japan. In: Hashino, T., Otsuka, K. (eds) Industrial Districts in History and the Developing World. Studies in Economic History. Springer, Singapore. https://doi.org/10.1007/978-981-10-0182-6_4
  16. Debin, Ma (2004). Why Japan, Not China, Was the First to Develop in East Asia: Lessons from Sericulture, 1850–1937. Economic Development and Cultural Change, Volume 52, Number 2.