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Insetos Comestíveis: Solução para um mundo mais sustentável?

            Como alternativa ao modo tradicional de agricultura e de criação de animais visando a alimentação humana - o qual está sendo um dos principais fatores de fomento do aquecimento global antropogênico - muitos cientistas vêm argumentando pelo maior investimento na criação de insetos como fonte de alimento para a população humana, especialmente no Ocidente. Dois destaques entre os principais insetos hoje visados para esse fim - e já amplamente usados para a alimentação de animais de criação - são a mosca da espécie Hermetia illucens e o besouro Tenebrio molitor, em específico as larvas dessas duas espécies. Longe de serem uma novidade, insetos vêm sendo consumidos há milênios pela humanidade, e continuam sendo uma iguaria muito comum e apreciadas em várias populações.

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   ENTOMOFAGIA

          Um estudo publicado recentemente no periódico PLoS Climate (Ref.1) concluiu que se os humanos parassem com as atividades de pecuária (criação de animais) e adotassem uma dieta exclusivamente baseada em plantas nos próximos 15 anos, isso resultaria em uma redução de 68% na emissão de dióxido de carbono (CO2) até o ano de 2100, fornecendo 52% da redução total necessária para limitar o atual processo de aquecimento global em 2°C acima dos níveis pré-industriais - limite mínimo para evitar uma desastrosa mudança climática. Além disso, haveria dramática redução em poderosos gases estufas (metano e óxido nitroso) e enorme espaço para a recuperação de biomassa em ecossistemas naturais destruídos para o estabelecimento de extensos pastos.

            Embora uma dieta planta-baseada é considerada por muitos nossa única salvação - especialmente considerando que a população humana pode alcançar um total de 10 bilhões até 2050 (Ref.2) -, os insetos são frequentemente ignorados nessas discussões aqui no Ocidente. Para a produção de proteína, por exemplo, larvas da mosca-soldado-negra (Hermetia illucens) - visionada como nosso alimento do futuro por alguns cientistas - são muito mais eficientes e ambientalmente amigáveis do que plantas com rico conteúdo proteico (ex.: soja). Além disso, essas larvas podem reciclar resíduos diversos como fonte de alimento. 

 

> Para mais informações sobre as larvas da mosca-soldado-negra (uso na alimentação humana, composição nutricional, etc.), acesse: Cientistas argumentam que essa larva é o nosso alimento do futuro

          De uma perspectiva ambiental, a criação de insetos produz baixa emissão de gases estufas, requer menos água e espaço, representa um investimento econômico muito menor, e possui uma maior eficiência na taxa de conversão alimentícia relativo à agropecuária tradicional. Por exemplo, para vários grilos e larvas de insetos, 1 kg de proteína requer apenas 40 litros de água para a produção; enquanto isso, para se produzir 1 kg de carne bovina e de carne ovina são necessários em torno de 15000 litros e de 10000 litros, respectivamente, e, para se produzir 1 kg de trigo, são necessários >1800 litros (Ref.3-5). E, no geral, os insetos possuem uma relação de 2 kg de alimento para 1 kg de biomassa, enquanto bovinos possuem uma relação de 8 kg de alimento para 1 kg de massa corporal.

          Do ponto de vista ético, insetos também trazem grande vantagem. Críticas voltadas ao bem-estar de animais de criação são voltadas de forma praticamente exclusiva aos animais vertebrados, com cérebros mais desenvolvidos e com grande capacidade cognitiva. É ainda debatido se insetos são conscientes ou sofrem com a dor (!), e larvas, por exemplo, são tipicamente encontradas amontoadas no ambiente, assim como vários insetos adultos. Nesse último ponto, torna-se muito mais fácil construir espaços de criação com máxima produção e eficiência (nível industrial) sem interferir muito com o comportamento e típico habitat desses animais, ou expô-los a danos. De fato, existe inclusive o temo 'dieta entovegana', este o qual sugere que os insetos podem ser compatíveis com uma dieta planta-baseada. Diferente da carne tradicional, insetos não parecem ser percebidos como um alimento imoral por vegetarianos (Ref.6). 

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(!) Enquanto insetos possuem neurônios sensoriais nociceptores que respondem a estímulos causados por lesões e danos, isso não necessariamente implica consciência da resposta nociceptiva. Em contraste à nocicepção, a percepção de dor envolve a experiência subjetiva de "uma sensação aversiva e sentimento associado com o atual ou potencial dano tecidual". É ainda incerto se insetos possuem qualquer percepção, sensação ou experiência subjetiva.
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           Existem mais de 1 milhão de espécies de insetos já descritas, e milhões mais estão esperando ser descobertas. Críticos para o equilíbrio ecológico de vários biomas, esses animais invertebrados (artrópodes da classe Insecta) são caracterizados por um exoesqueleto de quitina, o qual fornece suporte externo e proteção contra parasitas, agentes infecciosos, predadores e trauma. Existem inúmeras espécies de insetos comestíveis, os quais podem ser (e já são) usados para a alimentação tanto de animais de criação (ex.: gado) quanto de humanos.

          A entomofagia (consumo de insetos) já é amplamente estabelecida no Oriente, incluindo iguarias desde grilos até larvas de espécies diversas, e pode representar a melhor fonte de proteína com mais baixa emissão de carbono e destruição ambiental em substituição às carnes tradicionais, além de uma rica fonte de micronutrientes e lipídios de boa qualidade. 

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   INSETOS COMESTÍVEIS

          A maioria dos insetos comestíveis são larvas de besouros, borboletas e mariposas (49%). O restante engloba abelhas, vespas e formigas (14%); gafanhotos e grilos (13%), hemipteranos (ex.: cigarras, percevejos) (10%); libélulas (3%); cupins (3%); e moscas (2%). Vários insetos podem ser consumidos como ovos, larvas, pupas ou adultos, mas nem todos os insetos são comestíveis em todos os estágios de desenvolvimento. Podem ser consumidos de diferentes formas, incluindo crus, assados, cozidos ou fritos. Existem, conhecidas, pelo menos 1611 espécies de insetos comestíveis, 81 espécies de insetos medicinais e 4 usadas tanto como alimento quanto para fins medicinais (Ref.8).   

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VOCÊ SABIA? A maior e mais massiva larva de inseto já registrada (e também comestível) pertence ao besouro-rinoceronte (Megasoma actaeon), a qual ultrapassou 200 gramas no seu pico de massa! Para mais informações e foto da larva, acesse: Qual é o maior inseto do mundo?

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          Segundo o Global Market Insights, em 2019 o tamanho do mercado global de insetos comestíveis excedeu US$112 milhões, e é estimado que haverá um crescimento de 47% entre 2019 e 2026, especialmente na América do Norte e na Europa (Ref.10), e um aumento de 10 vezes na criação comercial de insetos até 2025 (Ref.7). Em 2019, a região Ásia-Pacífica, liderada pela Tailândia, China e Vietnã, dominou esse setor, com cerca de 41% dos lucros de mercado, seguida pela Europa (22%) - liderada pelo Reino Unido, França e Holanda -, América Latina (21%), América do Norte (13%), e Oriente Médio e África (3%). É comumente reportado que em torno de 2 bilhões de pessoas no mundo consomem insetos, apesar desse número ter sido recentemente questionado como uma provável superestimativa (Ref.11).

          Em relação ao tipo de inseto comestível comercializado, o mercado global é dominado pelas larvas de besouros (30% dos lucros), seguido pelas lagartas e por insetos da ordem Hymenoptera (abelhas, vespas e formigas).

          Em 2021, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) aprovou a larva seca da espécie Tenebrio molitor e os gafanhotos secos e congelados da espécie Locusta migratoria como seguros para o consumo humano [Commission Implementing Regulation (EU) 2021/882]. As larvas do Tenebrio molitor, em particular, são consideradas um dos insetos mais apetitosos e têm sido usadas para a produção de vários produtos alimentícios, como hambúrgueres e almôndegas. Devido ao processamento, muitos desses produtos tornam-se quase indistinguíveis de outros produtos tradicionais de origem animal.



           Aliás, a companhia Francesa, Ÿnsect, recentemente anunciou (Ref.12) que irá iniciar o primeiro programa de produção industrial de larvas-da-farinha visando o consumo humano. Já muito consumidas na Ásia, a larva-de-farinha tem sido usada no mundo inteiro como isca e ração para vários tipos de animais de criação. Em 2021, a Ÿnsect publicou o genoma desa larva, e agora está trabalhando para identificar variantes genéticas dessa espécie e de outros besouros expressando fenótipos que otimizem a produção industrial, como mais rápido crescimento e reprodução, consumo alimentar mais eficiente, e resistência a patógenos.

           Em geral, consumidores no Ocidente são menos propensos a aceitarem insetos como alimento por causa de fatores culturais, porém, muitos são favoráveis ao consumo de alimentos inseto-baseados que não tenham a forma de insetos (ex.: farinhas ou hambúrgueres) (Ref.13).

 
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IMPORTANTE: Aracnídeos NÃO são insetos. Além de insetos, vários outros artrópodes, especialmente marinhos (ex.: crustáceos), são comestíveis, incluindo aracnídeos como aranhas e escorpiões.
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   PERFIL NUTRICIONAL DOS INSETOS

          Em geral, insetos são considerados uma rica fonte de proteína, gordura e vitaminas; no entanto, o valor nutricional desses animais varia com a dieta, estágio de desenvolvimento, sexo, espécie, ambiente de crescimento e métodos qualitativos e quantitativos de medição. Na média, o conteúdo de proteína dos insetos comestíveis varia entre 35 e 60% da massa seca ou 10 e 25% da massa fresca, comparável ou superior a outras fontes proteicas tradicionais de origem animal: carne de aves (~20%), bovina (~21%), suína (~15%) e peixes (~16%). Na massa seca de larvas do Hermetia illucens, o conteúdo proteico alcança até 53% na massa seca. A larva do Tenebrio molitor chega a possuir próximo de 34% de conteúdo proteico na massa fresca (Ref.14).

          Proteínas desses insetos são de alta qualidade e tipicamente contêm todos os aminoácidos essenciais. O valor biológico alcança 85-93%, maior do que a caseína (uma importante proteína do leite; em torno de 73,5%). Após secagem com ar quente (60-70°C), método comum para estender a validade do alimento, a digestibilidade proteica de insetos comestíveis permanece alta, em torno de 87%.

 

          O segundo maior componente da composição nutricional de insetos é gordura (lipídios), macronutriente que varia substancialmente devido a múltiplos fatores. As ordens Orthoptera (gafanhotos e grilos), Lepidoptera (no caso, lagartas de borboletas e mariposas), Blattodea (baratas), Isoptera (cupins) e Coleoptera (no caso, larvas de besouros) possuem uma média de gordura de 13,41%, 27,7%, 29,9%, 32,7%, e 33,4% da massa seca, respectivamente. No geral, larvas e pupas possuem mais gordura do que os insetos adultos. Insetos geralmente possuem mais ácidos graxos insaturados do que ácidos graxos saturados (um perfil tipicamente mais saudável), incluindo ácidos oleico, linoleico, alfa-linolênico, láurico e palmítico. Por exemplo, insetos da ordem Hymenoptera (abelhas, vespas e formigas) contêm aproximadamente 30% de ácidos graxos saturados, 48% de mono-insaturados e 15% de poli-insaturados.

          Carboidratos nos insetos existem principalmente em duas formas: quitina e glicogênio. Quitina é um polímero de N-acetil-D-glucosamina que é o componente primário do exoesqueleto, enquanto que o glicogênio é uma forma de reserva energética nas células e tecidos musculares. Na média, o conteúdo de carboidratos de insetos comestíveis varia de 6,7% até 16,0%. Quitina em especial têm sido qualificada como antioxidante, antitumoral e antimicrobiana, além de representar uma fonte de fibras, e oferece um amplo espectro de aplicações em várias áreas. Por outro lado, remoção de quitina dos insetos adultos antes do consumo pode aumentar a biodisponibilidade de proteínas; por exemplo, a digestibilidade proteica de abelhas é de 71,5% com quitina, comparado com 94,3% sem quitina. Para cada quilo (kg) de massa seca de insetos, temos entre 11,6 mg e 137,2 mg de quitina.

            Em relação aos micronutrientes (vitaminas, minerais, etc.), alguns insetos como grilos, gafanhotos, larva-da-farinha (Tenebrio molitor) e cupins são ricos em ferro, zinco, cálcio, cobre, fósforo, magnésio e manganês. Invertebrados, sem esqueleto mineralizado, possuem muito pouco cálcio. A maioria dos insetos possuem um conteúdo de ferro similar àquele encontrado na carne tradicional, mas a biodisponibilidade é incerta. Informações sobre o conteúdo vitamínico desses animais são limitadas, mas trabalhos qualitativos indicam presença significativa de caroteno e de vitaminas B1, B2, B6, C, D, E e K. Em particular, as ordens Orthoptera e Coleoptera são ricas fontes de ácido fólico. No geral, são deficientes nas vitaminas A, C e E, como ocorre com outros produtos de origem animal.

 


          Nesse sentido, insetos comestíveis também podem ser usados de forma eficiente para fortificar alimentos diversos, como farinhas (ex.: trigo). Para a produção de pão, suplemento de até 10% de larva-da-farinha ou de grilo na farinha de trigo aumenta substancialmente o valor proteico e nutritivo da massa sem comprometer o sabor (Ref.15).

          Conteúdo calórico total varia tipicamente de 293 a 776 quilocalorias (kcal) para cada 100 gramas (g) de massa seca, e pode variar dramaticamente mesmo entre espécies próximo relacionadas. Por exemplo, a larva da mariposa Latebraria amphipyrioides fornece 349 kcal por 100 g, similar ao conteúdo calórico do gafanhoto Acrida exaltada (337 kcal/100 g); já a larva da mariposa Phassus triangularis fornece 761 kcal para cada 100 g.

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   ENTOMOFAGIA NO BRASIL

          No Brasil, a cultura de comer insetos tem origem indígena, mas esse hábito
não se restringe aos índios. O consumo de formigas conhecidas por içás, saúvas ou tanajuras (fêmeas aladas de Atta spp.), é relatado em muitos Estados, como o Amazonas, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Ceará, onde inclusive há um festival em que celebra essa tradição. Além do consumo de formigas, há no território brasileiro o consumo de outros insetos, que na sua fase larval são utilizados como fonte de alimento, como besouros (Coleoptera) das espécies Pachymerus cardo, Caryobruchus sp., Rhynchophorus palmarum, Rhina barbirostris e Pachymerus nucleorum (bicho-de-coco); borboletas (Lepidoptera) das espécies Brassolis sophorae e Myelobia smerintha; abelhas (Hymneoptera) das espécies Frieseomelitta silvestrii, Geotrigona mombuca e Melipona asilvai.

          Na Amazônia em particular, larvas e pupas de vespas são muito consumidas por populações indígenas (Ref.17). No Brasil há ocorrência de seis espécies de vespas sociais que são utilizadas como fonte de alimento por povos indígena: Brachygastra lecheguana, Polybia occidentalis, Pseudopolybia vespiceps, Polybia dimidiata, Epipona quadrituberculata e Apoica pallen. Entre os Guarani as larvas de  besouros, Himonópteras e Lepidópteras são iguarias consumidas  no  cotidiano, e consideradas alimentos sagrados. Além disso os Guarani usam essas larvas para curar várias doenças e condições (ex.: feridas) e, em crianças recém-nascidas, a gordura dessas larvas é usada para hidratar a pele, evitando ressecamento (Ref.18).     

 

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          No Brasil, é reportado que as mulheres apresentam maior aversão ao consumo de insetos do que homens. Em geral, há preferência em consumir os insetos na forma de farinha, e inteiro para aqueles com mais familiaridade ao consumo desses animais. A maior parte dos consumidores brasileiros não tem opinião sobre a segurança em consumir insetos, contudo, em maiores níveis de escolaridade e familiaridade com esse tipo de alimento, os consumidores posicionam-se favoráveis (Ref.19).

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> Existem 300 etnias indígenas e 180 línguas faladas em várias regiões do Brasil. A maior parcela das populações indígenas encontra-se no Amazonas, seguido do Mato Grosso do Sul.
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   CONCLUSÃO

          Do ponto de vista da sustentabilidade, os insetos são considerados uma fonte natural renovável e sua criação causa um impacto ambiental mínimo, em comparação com os causados pela pecuária e avicultura, além de representarem uma rica fonte proteica para a crescente população humana potencialmente muito mais sustentável do que aquela de origem vegetal. Nesse sentido, a entomofagia apresenta-se como uma boa aliada na conservação do meio ambiente, e pode ajudar a diminuir o desmatamento, uso de agrotóxicos e a degradação dos solos associados às práticas de pecuária e de agricultura.

           Infelizmente, muitas pessoas, principalmente de países ocidentais, consideram o consumo de insetos como prática ultrapassada, alimentação de pessoas pobres e marginalizadas. Somando-se a isso, algumas culturas consideram a maioria dos insetos como animais nocivos, sujos, transmissores de doenças e vistos como pragas, o que afeta negativamente a prática da entomofagia. Entretanto, os benefícios ecológicos e nutricionais do uso dos insetos na alimentação são muito promissores, e, por isso, a entomofagia precisa ser mais promovida como uma alternativa econômica e socioambiental.

          Atualmente o preço por quilograma (kg) de insetos comestíveis não é viável, em particular devido à relativa baixa oferta global do alimento, já que a criação de insetos para consumo ainda é muito baixa, especialmente a nível industrial. Por outro lado, à medida em que os insetos sejam cada vez mais aceitos pela sociedade como fonte alternativa de alimento, esse problema poderá ser resolvido.

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

  1.  Eisen & Brown (2022) Rapid global phaseout of animal agriculture has the potential to stabilize greenhouse gas levels for 30 years and offset 68 percent of CO2 emissions this century. PLOS Clim 1(2): e0000010. https://doi.org/10.1371/journal.pclm.0000010
  2.  Schlüter et al. (2021). Bioavailability of nutrients from edible insects. Current Opinion in Food Science, Volume 41, Pages 240-248. https://doi.org/10.1016/j.cofs.2021.08.003
  3. Muratoglu, Abdullah (2019). iSTE-CE'2019- International Conference on Innovation, Sustainability, Technology and Education in Civil Engineering, 13-15 June, 2019, Iskenderun, Hatay / TURKEY.
  4. https://www.fao.org/family-farming/detail/es/c/1300546/  
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  7. Ordoñez-Araque & Egas-Montenegro (2021). Edible insects: A food alternative for the sustainable development of the planet. International Journal of Gastronomy and Food Science, 23, 100304. https://doi.org/10.1016/j.ijgfs.2021.100304
  8. Ishara et al. (2022). Inventory reveals wide biodiversity of edible insects in the Eastern Democratic Republic of Congo. Scientific Reports 12, 1576. https://doi.org/10.1038/s41598-022-05607-y
  9. Itterbeeck & Pelozuelo (2022). How Many Edible Insect Species Are There? A Not So Simple Question.  Diversity, 14(2), 143. https://doi.org/10.3390/d14020143
  10. Mancini et al. (2021). Exploring the Future of Edible Insects in Europe. Foods, 11(3), 455. https://doi.org/10.3390/foods11030455
  11. Huis et al. (2021). How many people on our planet eat insects: 2 billion? Journal of Insects as Food and Feed: 8(1), Pages: 1-4. https://doi.org/10.3920/JIFF2021.x010
  12. https://www.science.org/content/article/news-glance-mysterious-space-filaments-damaged-dinosaur-tracks-and-edible-worms
  13. Danaher et al. (2022). Australians’ experience, barriers and willingness towards consuming edible insects as an emerging protein source. Appetite, Volume 169, 105832. https://doi.org/10.1016/j.appet.2021.105832  
  14. https://riu.ufam.edu.br/handle/prefix/5957
  15. M.O. Ashiru (1989) The food value of the larvae of anaphe venata
    butler (Lepidoptera: Notodontidae), Ecology of Food and Nutrition, 22:4, 313-320.  https://doi.org/10.1080/03670244.1989.9991080
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  17. Bueno et al. (2020). Marimbondos (Hymenoptera, Vespidae) como fonte de alimentação humana no Brasil: Uma revisão de literatura. Ethnoscientia, V.5, n.1. http://dx.doi.org/10.18542/ethnoscientia.v5i1.10302
  18. http://cadernos.aba-agroecologia.org.br/cadernos/article/view/6444/4619 
  19. Schardong et al. (2019). Percepção de consumidores brasileiros aos insetos comestíveis. Ciência Rural, 49(10). https://doi.org/10.1590/0103-8478cr20180960 
  20. Duarte et al. (2022). ENTOMOFAGIA: UMA OPÇÃO SUSTENTÁVEL. Revista Científica Da Faculdade De Educação E Meio Ambiente, 13(edespmulti). Recuperado de https://revista.faema.edu.br/index.php/Revista-FAEMA/article/view/967