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Homem de 30 anos com granuloma piogênico conjuntival


- Atualizado no dia 3 de dezembro de 2023 -

          Um homem de 30 anos de idade apresentou-se ao hospital com uma lesão pediculada* sobre sua pálpebra inferior direita que cresceu ao longo de um período de 3 dias. Duas semanas antes da apresentação, um cisto tinha sido rompido na mesma pálpebra. A nova lesão começou como um pequeno nódulo na conjuntiva bulbar e aumentou progressivamente de tamanho até se projetar a partir da pálpebra. A evolução clínica do paciente e o exame físico sugeriam um granuloma piogênico, uma lesão vascular benigna caracterizada por células inflamatórias e proliferação capilar lobular.

          Os granulomas piogênicos conjuntivais crescem rapidamente nos dias ou semanas seguintes a uma lesão conjuntival decorrente de cirurgia ou trauma e podem se desenvolver na conjuntiva ou nas superfícies externas das pálpebras. O diagnóstico diferencial inclui granulomas de sutura, papilomas escamosos, e tumores malignos, como carcinoma de células escamosas e melanoma amelanótico.


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            Granulomas piogênicos são frequentemente friáveis e tendem a sangrar, podendo ser tratados com glicocorticoides ou excisões cirúrgicas. No relato de caso em questão, uma injeção intra-lesional de triancinolona foi administrada no momento da excisão para reduzir o risco de recorrência. O triancilnolona é um anti-inflamatório sem efeito mineralocorticoide, prevenindo desequilíbrios eletrolíticos e alterações de hidratação no tecido alvo. Uma análise histopatológica confirmou o diagnóstico. Três meses após a excisão, o paciente foi novamente avaliado: havia cicatrizes mínimas na superfície conjuntival e nenhuma evidência de recorrência.

           O caso foi reportado em 2017 no periódico New England Journal of Medicine (Ref.1).

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> O granuloma piogênico é uma lesão vascular benigna comum da pele e da mucosa, e encontrado predominantemente na cavidade oral, incluindo gengiva, lábios, língua palato e mucosa oral. O desenvolvimento do granuloma piogênico normalmente está associado a uma resposta tecidual exuberante a fatores irritativos locais crônicos de baixa intensidade ou a um trauma, sendo relatada, também, a suscetibilidade genética, inflamação crônica de baixa intensidade, alergias e, principalmente, interferência de fatores hormonais (ex.: é muito comum em gestantes) (!). Sangramento e ulcerações são complicações comuns. 

Paciente do sexo masculino de 20 anos de idade, natural de Recife, Pernambuco, com um granuloma piogênico no lábio inferior. No histórico da manifestação cutânea, o paciente relatou que há ~6 meses havia mordido sem querer o lábio inferior e após aproximadamente um mês apareceu uma bolha no lábio que desde então veio aumentando de tamanho. A lesão variava de uma coloração branco-amarelado para um vermelho-acastanhado. Excisão cirúrgica com anestesia local foi suficiente para resolver o problema. Ref.3

> A condição foi primeiro descrita em 1897, mas o nome "granuloma piogênico" primeiro surgiu em 1904. Nesse último ponto, o nome é errôneo, já que a condição é apenas uma proliferação benigna de tecido conectivo e não está associada com formação de pus e não é histologicamente um verdadeiro granuloma (Ref.4). Devido ao controverso nome histórico, vários outros nomes alternativos têm sido usados na literatura médica para se referir à mesma lesão, como fibroangioma, tumor vascular benigno, hemangioma capilar polipoide, doenças de Crocker e de Hartzell, hemangioma capilar lobular, entre outros. 

(!) Nesse caso, é chamado de "granuloma gravídico". Para mais informações: Quais são as manifestações cutâneas mais comuns na gravidez?

*Lesões podem ter uma base séssil ou pediculada (ou penduculada). Base séssil = base da lesão MAIOR que o corpo da lesão. Base pediculada = base da lesão MENOR que o corpo da lesão.

Ilustração: Sanar Saúde

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REFERÊNCIAS
  1. Tan & Turner (2017). Pyogenic Granuloma of the Conjunctiva. New England Journal of Medicine, 376 (17), 1667–1667. https://doi.org/10.1056/NEJMicm1613657
  2. Şekkeli et al. (2021). Granuloma piogênico conjuntival durante a gravidez. Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, 84(5). https://doi.org/10.5935/0004-2749.20210072
  3. Martorelli et al. (2021). Granuloma piogênico em lábio inferior - relato de caso. Research, Society and Development, v. 10, n. 16. http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v10i16.23099
  4. Martinez et al. (2023). Oral Pyogenic Granuloma: A Narrative Review. International Journal of Molecular Sciences 24(23), 16885. https://doi.org/10.3390/ijms242316885