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Grávidas que dormem de costas possuem um risco três vezes maior de um natimorto


- O artigo foi atualizado no dia 3 de julho de 2019 -

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          O natimorto é o produto do nascimento de um feto morto. Considera-se feto morto aquele que nasce pesando mais de 500g e que não possui evidência de vida depois de nascer. Não é preciso dizer que esse infeliz infortúnio é uma tragédia para a família. Agora, um importante estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Huddersfield, e publicado hoje no periódico EClinical Medicine (Ref.1), mostrou que mulheres grávidas podem diminuir substancialmente o risco de um natimorto ao dormir de lado, não sobre as costas. No Reino Unido, onde o número de natimortos é de 1 a cada 225 nascimentos (ou 9 natimortos por dia), o achado já foi incorporado na lista de recomendações de saúde do NHS (Sistema Nacional de Saúde) (Ref.2).

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          Para a realização do estudo, os pesquisadores analisaram dados de 851 mães que tinham perdido o bebê (no caso, natimortos) e 2257 mulheres que estavam com uma gravidez em curso. As mulheres analisadas representavam um acumulado de dados da Nova Zelândia, do Reino Unido, da Austrália e dos EUA. O principal achado foi que dormir sobre as costas (posição materna de supino) a partir da 28° semana de gravidez aumentava o risco de um natimorto tardio em 2,6 vezes. Esse aumento de risco persistiu mesmo após a consideração de outros co-fatores de risco durante a análise dos dados.

          É a primeira vez  que práticas ligadas ao ato de dormir são claramente e conclusivamente associadas ao risco de um natimorto. Estudos prévios já sugeriam um risco de 2,3-8 vezes maior de natimorto com a posição de supino na hora de dormir, mas sem robustez de dados suficientes para um sólido suporte científico da hipótese. Segundo os pesquisadores, o risco é aumentado com a posição de dormir sobre as costas porque o peso do útero pode reduzir a circulação sanguínea no bebê.




          Seguindo a conclusão do estudo, as mulheres grávidas precisam ser encorajadas a dormirem de lado (direito ou esquerdo). Não foram encontradas diferenças de risco em relação a dormir de lado na direita ou na esquerda. Se todas as mulheres grávidas dormissem de lado, o estudo estimou que 5,8% dos casos de natimorto seriam prevenidos. Caso a grávida acorde de costas, mesmo tendo ido dormir de lado, isso não é motivo de preocupação, segundo os especialistas, mas é necessário que ela sempre volte a dormir de lado. Isso porque a posição na qual a mulher vai primeiro dormir possui a mais longa duração ao longo da noite, comparado com outras posições que eventualmente possam surgir inconscientemente (movimentos involuntários).

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   QUAIS FATORES AUMENTAM O RISCO DE NATIMORTO?

          As causas para muitos natimortos ainda permanecem desconhecidas. Algumas mulheres culpam a si mesmas pelo trágico ocorrido, mas frequentemente o natimorto acontece independentemente das coisas que a grávida fez ou deixou de fazer. De forma geral, os contribuidores para o natimorto geralmente caem em uma dessas três categorias:

1. Problemas com o bebê (falhas genéticas, por exemplo);

2. Problemas com a placenta ou com o cordão umbilical (onde a mãe e o bebê trocam oxigênio e nutrientes);

3. Certas condições na mãe (diabetes e/ou hipertensão não controlados, obesidade, entre outros).

4. De acordo com um estudo publicado recentemente na PLOS Medicine (Ref.7), uma gravidez prolongada está associada com um risco extra significativo de natimorto. O risco vai de 0,11 natimortos a cada 1000 gravidezes com uma idade gestacional de 37 semanas para 3,18 natimortos para cada 1000 gravidezes em 42 semanas. De 40 para 41 semanas de gestação, foi encontrado um aumento de 64% no risco de natimorto. Os pesquisadores concluíram que mães querendo prolongar a gravidez além de 37 semanas precisam estar informadas desse risco adicional.

          E, além do já explorado 'dormir de supino', temos outros fatores não-endógenos que aumentam os riscos de natimorto - e de outras complicações diversas - durante a gravidez:

- Ser adolescente;
- Ter 35 anos de idade ou mais;
- Não ser casada;
- Fumar cigarros ou outras drogas recreativas, como a maconha (2);
- Possuir múltiplas gravidezes;
- Ter tido uma perda prévia de gravidez.



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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2589537019300549?via%3Dihub
  2. https://www.hud.ac.uk/news/2019/april/stillbirth-sleep-position-stacey-huddersfield/
  3. https://www.cdc.gov/ncbddd/stillbirth/facts.html
  4. https://www.cdc.gov/ncbddd/stillbirth/data.html
  5. https://medlineplus.gov/stillbirth.html
  6. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3719843/
  7. https://journals.plos.org/plosmedicine/article?id=10.1371/journal.pmed.1002838