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Enrolar a língua é decidido apenas pela genética?


- Artigo atualizado no dia 23 de dezembro de 2018 -

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       Mesmo ainda persistindo em diversas aulas de ciência, a capacidade de enrolar a língua não é inteiramente definida pela genética. E isso já é sabido desde um amplo estudo realizado com gêmeos, em 1953, explorando essa curiosidade anatômica.

       Para se ter uma ideia, estima-se que entre 65% e 81% das pessoas possuem a capacidade de enrolar a língua! O porquê de não vermos muitas delas fazendo isso é que fatores ambientais e de aprendizado influenciam muito na questão. Por exemplo, se você pedir uma criança pequena, que tenha a capacidade de enrolar a língua, para fazê-lo, ela, provavelmente, não conseguirá enrolá-la. Depois de um tempo, ela pode acabar aprendendo por conta própria, mas algo comum é ela passar a vida toda não sabendo como fazer isso ou conseguir apenas dobrar timidamente as bordas da língua.

        Em outras palavras, não se pode dizer que enrolar a língua é uma característica inteiramente genética. Ela envolve uma maior complexidade de genes (mais do que simples 'recessivos' ou 'dominantes'), fatores ambientais e 'treinamento específico'. Outra evidência conclusiva para desbancar esse mito genético é que diversos irmãos de gêmeos idênticos não possuem essa habilidade, enquanto seus irmãos a possuem, mesmo todos eles possuindo o mesmo genótipo.

Existem várias formas de se enrolar/dobrar a língua

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          E, como mencionado no início, esse mito ainda persiste em livros sérios de ensino. Já foram até registrados casos de jovens alunos questionando se eram adotados, já que seus pais conseguiam enrolar a língua e eles não*.
  
        E você, consegue enrolar a língua? Lembra quando descobriu ser capaz de fazer isso?

*Lembrando que fenótipos podem não ser expressos nos descendentes mesmo que os alelos em questão sejam de caráter dominante. Um pai e uma mãe podem ter olhos castanhos e o filho não, por exemplo. Tudo dependerá das combinações das variantes genéticas, além de mutações aleatórias.

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        E, por falar em língua, existe outro problema, também devido a vários fatores (1), incluindo genética, que incomoda e confunde bastante gente.

        Língua Fissurada é uma condição fisiológica normal que afeta entre 2 e 5% da população mundial. É caracterizada por profundas fissuras na língua, as quais podem ultrapassar os 6 mm. À medida que a idade avança, as fissuras tendem a se tornar mais acentuadas.

         Não existem sintomas ou prejuízos para a saúde devido às fissuras. Raramente, pessoas que portam essa condição podem experienciar esporádicas sensações de ardência. Porém, devido à natureza das fissuras, restos de comida podem ficar agarradas nelas com facilidade, especialmente se não existir um hábito constante de limpeza bucal, e isso pode fomentar um mau hálito. Para contornar isso, é só melhorar a limpeza mecânica da boca, através da escovação, por exemplo.

Típica língua fissurada

        O mais importante são as pessoas com língua fissurada saberem que essa condição é normal, não precisando se preocuparem.

(1) Não se sabe ao certo as causas de todos os casos de língua fissurada, mas o fator genético é, provavelmente, o principal.


Artigo relacionado: Por que temos dois olhos, dois ouvidos e dois buracos no nariz?


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://go.galegroup.com/ps/anonymous?id=GALE%7CA380092473&sid=googleScholar&v=2.1&it=r&linkaccess=fulltext&issn=00309923&p=AONE&sw=w&authCount=1&isAnonymousEntry=true
  2. http://jhered.oxfordjournals.org/content/62/2/125.extract
  3. http://europepmc.org/abstract/med/6230562
  4. http://www.jstor.org/stable/29540011?seq=1#page_scan_tab_contents
  5. http://jhered.oxfordjournals.org/content/43/1/24.extract
  6. http://udel.edu/~mcdonald/mythtongueroll.html
  7. http://journals.cambridge.org/action/displayAbstract?fromPage=online&aid=1385176&fileId=S0021932000012244
  8. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15316160
  9. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4592719/
  10. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/3166201