YouTube

Artigos Recentes

Celulares podem causar câncer?

                                                       

- Artigo atualizado no dia 01 de novembro de 2018 -                      

Compartilhe o artigo:



         Desde a década de 1990, o uso e versatilidade dos celulares vêm aumentando drasticamente. Hoje, ter um celular é questão, muitas vezes, de obrigação social e profissional. Nesse sentido, os aparelhos móveis de comunicação modernos se transformaram em parte íntima do cotidiano das pessoas. E entre uma das várias preocupações consequentes dessa nova tendência tecno-comportamental, temos a antiga discussão sobre o perigo imposto pelas ondas eletromagnéticas de transmissão associadas a esses aparelhos e às torres telefônicas: afinal, elas são cancerígenas ou não?

         Os celulares funcionam através de ondas de rádio. Tanto para a internet quanto para ligações, os celulares enviam e recebem ondas na faixa da radiofrequência, as quais representam uma forma de energia no espectro eletromagnético localizada entre a faixa das ondas de rádio FM e a faixa das micro-ondas. Assim como as micro-ondas (1), luz visível e calor (infravermelho), as ondas de rádio não são ionizantes, e, portanto, não são capazes de causar danos diretos no DNA, como a radiação ultravioleta, raio X e os raios gama. Ondas de rádio de alta frequência (o que não é o caso das envolvidas com os celulares) podem até esquentar tecidos, mas são tão inofensivas quanto um banho de luz solar sem ultravioleta.

          As torres de transmissão até emitem uma frequência maior na faixa do rádio para um maior alcance, mas ainda assim continuam sendo uma radiação não-destrutiva. Além disso, considerando a altura em que se encontram, entre 25 e 100 metros do chão, essa maior frequência acaba tendo quaisquer níveis de periculosidade muito atenuados. E,mesmo você morando na mesma altura e de frente para a antena de uma torre (algo proibido por lei), uma parede já bloqueia, drasticamente, grande parte das ondas transmitidas por elas.

Muito altas e isoladas para causar qualquer dano significativo

               Considerando tudo isso, as ondas de rádio das comunicações de telefonia móvel não parecem interferir significativamente nas funções do corpo humano de modo a fomentarem ou deflagrarem o crescimento de tumores malignos. Não existem sólidas evidências científicas corroborando esse quadro. Por outro lado, mesmo não causando danos no DNA e em outros tecidos do organismo humano, experimentos já demonstraram que as ondas de rádio desses aparelhos interferem um pouco com a atividade cerebral, principalmente quando o celular está junto à cabeça. Mas essa interferência não parece ser prejudicial. E outra: as pessoas, atualmente, nem usam muito o telefone para, fisicamente, falarem através dele, limitando-se mais a mandarem mensagens de texto a uma distância segura da cabeça.

O uso dos celulares tornou-se mais manual do que verbal

           As principais agências de saúde do mundo especializadas em câncer não incluem o uso dos celulares na lista negra dos agentes cancerígenos. A grande unanimidade dos estudos não mostram relação alguma entre tumores e ondas de rádio nos humanos.

- Continua após o anúncio -



   PORÉM...

          Segundo conclusão recente do NTP (Programa Nacional de Toxilogia) (Ref.9) existem claras evidências de que ratos machos expostos a elevados níveis de ondas na rádio frequência usadas nos sinais de 2G e 3G dos celulares desenvolvem tumores cancerígenos no tecido cardíaco. Existem também algumas evidências não conclusivas de que tumores no cérebro e nas glândulas adrenais também sejam fomentados nesses mamíferos. Para os ratos fêmeas, as evidências não são claras.

          Os estudos realizados pelo NTP envolveram 30 milhões de dólares de financiamento e mais de 10 anos para serem completados, onde diversos ratos foram expostos às ondas de rádio de forma intermitente (10 minutos sob radiação, 10 minutos sem radiação) e contínua (vitalícia, desde o desenvolvimento embrionário ou poucas semanas após o nascimento) em cada experimento.

          Outro achado curioso é que os ratos machos expostos a essas radiações apresentaram uma maior longevidade na média, associada com uma diminuição em problemas crônicos afetando os rins.

          Ainda é incerto as causas para a associação entre ondas de rádio frequência 2G-3G e câncer.

          No entanto, os resultados desses estudos não podem ser diretamente extrapolados para humanos, porque as doses radiativas de exposição foram altas e aplicadas por períodos mais longos do que normalmente um usuário típico de celular é exposto diariamente. Além disso, os ratos receberam as frequências de rádio por todo o corpo, onde os humanos apenas recebem com significativa intensidade essas radiações nas áreas corporais em proximidade com o aparelho celular, em geral nas mãos e parte do braço.

          Estudos futuros irão fazer as mesmas análises utilizando ondas de rádio de uso mais moderno, envolvidas na transmissão de WiFi e 5G.


- Continua após o anúncio -



   CONCLUSÃO

          Apesar das ondas de rádio emitidas e recebidas pelas aparelhos de telefonia móvel possuírem o potencial de causar um estresse extra nas nossas células, esse efeito não parece carregar significativa periculosidade para o nosso corpo. No entanto, ratos machos, por algum motivo ainda não compreendido, parecem ser sensíveis a esse tipo de radiação, e já mostraram desenvolver cânceres fomentados pelas ondas de rádio associadas ao 2G e ao 3G, mas em condições laboratoriais muito específicas.


(1) As micro-ondas utilizadas no forno de mesmo nome são muito mais intensas, e em quantidades muito maiores, do que as consideradas aqui para telecomunicação. Ou seja, seu aparelho, mesmo emitindo nessa faixa, não irá esquentar nem uma gotícula de água.  Em outras palavras, são inofensivas.


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.cityofberkeley.info/uploadedFiles/Planning_and_Development/Level_3_-_Commissions/Commission_for_Community_Environmental_Advisory/CEAC2011-05-05_Item9b1_DoCellPhonesCauseBrainCancer_NYTimesArticlepdf.pdf
  2. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0928468009000121
  3. http://www.cnsneurosurgery.com.au/KHURANA_MORE_INFO_PDFs/New%20York%20Times%20Article.pdf
  4. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0928468009000066
  5. http://www.aeriusinternationalinc.com/pdf/article05%20New%20York%20Times_Snuggle%20With%20Phone%20%282%29.pdf
  6. http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2705577
  7. http://nopr.niscair.res.in/handle/123456789/16123
  8. http://large.stanford.edu/courses/2012/ph250/kao2/
  9. https://www.nih.gov/news-events/news-releases/high-exposure-radio-frequency-radiation-associated-cancer-male-rats