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Produtos de origem vegetal podem ter colesterol?

   
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          Ainda hoje é comum irmos ao supermercado e nos depararmos com vários produtos alimentícios trazendo a mensagem de 'Sem Colesterol' nas embalagens. Porém, esse tipo de aviso só é aceitável se o produto em questão for de origem animal. No caso de produtos de origem vegetal, isso se torna totalmente incoerente. Aliás, nesse último caso, isso configura um crime de propaganda enganosa.

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     O QUE É O COLESTEROL?

          O colesterol é um esteroide essencial na construção e funcionamento das membranas celulares dos animais, além de servir como matéria-prima para a biossíntese de substâncias úteis ao corpo. Esse composto é sintetizado pelo corpo nos retículos endoplasmáticos das células associadas ao fígado e aos tecidos extra-hepáticos. O colesterol absorvido através da dieta (exógeno), apesar da crença contrária de muitos, não necessariamente interfere com a concentração total de colesterol circulante no corpo (Afinal, ovos faz mal ou não à saúde?) (1). De qualquer forma, no geral, recomenda-se um consumo máximo de 300 mg/dia de colesterol (lembrando que esse não é um nutriente alimentar essencial ao corpo).

           O colesterol é comumente classificado como 'bom colesterol' ou como 'mau colesterol'. Todavia, na prática, só existe um tipo de colesterol. O que é 'bom' ou 'mau' colesterol são na verdade dois tipos de lipoproteínas conhecidas na sigla em inglês como HDL (Lipoproteínas de Alta Densidade) e LDL (Lipoproteínas de Baixa Densidade), respectivamente. Tanto o HDL quanto o LDL fazem parte de uma família de lipoproteínas que integra 5 grandes famílias dessas moléculas orgânicas, as quais também incluem o VLDL e os quilomícrons. Essas lipoproteínas existem porque o colesterol não é solúvel em água e, para esse esteroide trafegar livremente pelo plasma sanguíneo (composto basicamente de água) precisam da ajuda delas, as quais interagem bem tanto com o colesterol quanto com a água, por conterem uma significativa parte apolar e outra significativa parte polar. O HDL é o "bom colesterol" porque, alegadamente, transporta o excesso de colesterol no sangue para o fígado para ser degradado. Já o LDL, o "mau colesterol", leva o excesso para ser depositado nas paredes dos vasos sanguíneos, principalmente aqueles presentes próximos do coração, o que pode levar a entupimentos e consequentes problemas cardíacos.

           Você aumenta a quantidade de HDL no sangue seguindo um estilo de vida saudável, com prática regular de exercícios físicos, controle da obesidade, evitando o fumo (parar de fumar aumenta em torno de 10% a quantidade de HDL no sangue) e moderar o consumo de gorduras saturadas e trans. No entanto, o papel do HDL no corpo é ainda incerto, e aumentá-lo de forma isolada não necessariamente significa uma melhor saúde cardiovascular (O HDL protege o coração?). Outro meio de diminuir o colesterol no corpo é através das estatinas. As estatinas compreendem uma classe de fármacos usados para baixar o colesterol total do organismo, onde essas substâncias agem inibindo uma enzima fundamental para a síntese do colesterol pelo fígado, diminuindo em até 70% o total desse esteroide circulando no corpo.

Ação das lipoproteínas de transporte do colesterol; um excesso de LDL leva ao estreitamento da passagem de sangue nas
artérias e possíveis entupimentos fatais

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   COLESTEROL EM PRODUTOS VEGETAIS

          Agora vamos voltar para a pergunta inicial. Por que o colesterol não pode vir discriminado em embalagens de produtos vegetais? É simples: as plantas não o produzem, apenas os animais. Nas plantas, o correspondente ao colesterol é outro esteroide, o fitoesterol. Esse último, aliás, ajuda a controlar a taxa de colesterol no nosso corpo! Portanto, é uma propaganda enganosa e passível de multa por órgãos reguladores desde 2013 aqui no Brasil. Para mantê-la na embalagem ( 'Sem Colesterol'), é preciso que ela venha seguida dos dizeres 'Como todo produto de origem vegetal', bem visível. E por que isso importa?

            Por exemplo: você vai ao supermercado e vê uma marca A de coco ralado anunciar em sua embalagem que está livre de colesterol, enquanto a marca B ao lado nem menciona nada a respeito de colesterol (ela não precisa fazer isso porque plantas não tem relação alguma com esse esteroide). O que você vai achar? Que o produto o produto B deve conter colesterol e que, portanto, ele não é uma boa opção. Ou seja, induzirá você a escolher o A por meio enganoso. É o mesmo que uma marca de manteiga anunciar que está livre de urânio radioativo. Você vai achar que as outras sem o "alerta" contêm o elemento danoso, mesmo isso não fazendo sentido algum.

Fonte/Instagram Saber Atualizado

             Infelizmente, a falta de interesse do público em geral com as informações nutricionais associadas aos alimentos acaba fomentando esse tipo de desinformação. O que é proteína, o que é carboidrato, o que é lipídio, o que é gordura trans...? Quantas vezes você, leitor, parou um momento no meio das suas compras semanais para analisar a tabela de valor nutricional nas embalagens dos alimentos comprados e buscar saber o que cada um daqueles dados listados significam? Ela não está ali somente para enfeite e constitui uma arma poderosa para a manutenção de um estilo de vida saudável. Aliás, nutrição deveria ser uma matéria obrigatória nas escolas.


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. https://www.accessdata.fda.gov/scripts/interactivenutritionfactslabel/factsheets/Cholesterol.pdf 
  2. https://www.cdc.gov/cholesterol/index.htm
  3. https://www.nhlbi.nih.gov/files/docs/public/heart/chol_tlc.pdf