YouTube

Artigos Recentes

Soluções naturais para a aromatização de andrógenos?



           Nas academias, um dos pesadelos do pessoal que usa esteroides anabolizantes é a temida aromatização de andrógenos. A aromatização aumenta a quantidade de estrógenos (hormônios femininos) no corpo, algo que traz sérios prejuízos à saúde e à estética, como o desenvolvimento da ginecomastia. É grande a procura dentro desse grupo por métodos que diminuam os processos de aromatização. Atualmente, existem drogas específicas para esse fim, mas todas são muito caras e trazem efeitos colaterais nada desejados na maioria das vezes. Um dos focos de várias pesquisas é a busca por substâncias naturais que já fazem parte da dieta das pessoas e portanto, são seguras para o uso. Usando essas alternativas, pelo menos como complemento aos métodos tradicionais, seria diminuído os custos e facilitaria bastante os tratamentos.

          A aromatização dos andrógenos, apesar de ser indesejável em certas situações, é extremamente importante para o corpo tanto da mulher quanto do homem. Aliás, a produção de estrógenos no corpo feminino necessita desse processo, assim como as mínimas quantidades essenciais encontradas no corpo masculino. Essa aromatização ocorre por intermédio da enzima aromatase, a qual é uma CYP19A1 integrante da superfamília do citocromo P450. A aromatase catalisa e coordena várias etapas bioquímicas, oxidando a metila, reduzindo a cetona e aromatizando um dos ciclos na estrutura da testosterona. As enzimas da aromatase podem ser encontradas em vários tecidos, como as gônadas, o cérebro, nas células de gordura, na placenta, nos vasos sanguíneos, na pele, nos ossos, entre outros. Dois locais de significativo interesse onde podemos encontrar a aromatase são nas células de gordura e nos tumores de mama.   
Síntese orgânica do estradiol a partir da testosterona, catalisada pela enzima aromatase; note que um dos ciclos da estrutura química da testosterona é transformado em um grupo aromático, originando, daí, o nome ´aromatase´

 
        Mesmo eu tendo começado este artigo mencionando apenas a aromatização excessiva experienciada por praticantes de musculação que usam esteroides anabolizantes, temos várias situações clínicas onde a aromatase, em diferentes graus, se torna prejudicial. E são essas condições que, de fato, impulsionam as pesquisas na busca por inibidores da aromatase, já que o uso de anabolizantes objetivando a estética e esportes é por conta e risco das pessoas interessadas em aumentar o rendimento e volume muscular. Podemos, então, listar os principais problemas impulsionados pela aromatização:

1.Efeito colateral dos anabolizantes: Como já foi dito, o pessoal que injeta ou ingere excessos de hormônios anabolizantes (testosterona e seus derivados) ativam uma maior aromatização no organismo, já que a enzima aromatase terá uma maior quantidade de substrato para agir. Por isso, problemas frequentes de ginecomastia (crescimento do tecido mamário no homem induzido pelo excesso de estrógenos no corpo) são relatados no meio fisiculturista, e cirurgias para minimizar o problema são muito procuradas por esse grupo. Somando-se a isso, quanto mais esteroides anabolizantes são aromatizados, menor a eficácia dos mesmos como anabólicos.

2. Câncer de mama: É bem conhecido na comunidade médica que os estrógenos e receptores estogênicos no corpo da mulher cumprem um papel crucial no desenvolvimento e progressão do câncer de mama, um dos tumores que mais atingem as mulheres de todo o mundo. Métodos que barram a aromatase, e que consequentemente diminuem a produção de estrógenos (estradiol e estrona, no caso), ajudam bastante no tratamento desses tumores.

3. Síndrome do Excesso de Aromatase (SEA): Podendo atingir ambos os sexos, essa síndrome se caracteriza pela presença de uma maior atividade da enzima aromatase no corpo. No caso dos meninos, isso pode levar, por exemplo, a uma ginecomastia e, no caso das meninas, a uma gigantomastia (crescimento exagerado do tecido mamário). E isso é apenas um dos sintomas, onde podemos também incluir micropênis e baixa contagem de espermatozoide nos homens afetados.                     

4. Obesidade: As células de gordura no corpo humano possuem boas quantidades da enzima aromatase, servindo quase como uma fábrica de estrógenos a partir de andrógenos. Por isso, quanto maior a gordura corporal, maior o processo de aromatização. Aquelas famosas ´tetas´ nos gordinhos pode ter, em muitos casos, real tecido mamário em desenvolvimento, e não apenas gordura acumulada. Além disso, o excesso de estrógenos gerado pelas células adiposas (de gordura) também prejudica o equilíbrio saudável do corpo masculino.

         Por causa de todos esses problemas, existem várias drogas no mercado para barrar a aromatase no corpo, como o anastrozol, exemestano e letrozol. Como já dito, são todos muito caros e carregam diversos efeitos colaterais, como diarreia, vômitos e vermelhidões na pele, aumentando também os riscos de outros mais graves como danos nos ossos, cérebro e coração. Assim, torna-se imprescindível buscar métodos que possuam boa eficácia e menores prejuízos financeiros/corporais. Produtos naturais com um longo percurso de uso durante a história humana, como aqueles utilizados nas fitoterapias e alimentos, podem fornecer compostos com ação anti-aromática - mas com efeitos colaterais negativos praticamente desprezíveis - e fáceis de serem adquiridos pelas pessoas.

          Segundo artigos de revisão sobre o assunto, mais de 300 compostos isolados de plantas, fungos e microorganismos terrestres e marinhos já foram e estão sendo estudados quanto à sua eficácia como inibidores da aromatase. Vários deles podem agir ou bloqueando a expressão dos genes responsáveis pela ativação da aromatase ou podem se ligar diretamente à essa enzima, impedindo a ação da mesma sobre os andrógenos. Até o momento, a eficácia desses compostos, ou extratos naturais, ainda são inconclusivas, mesmo vários mostrando boa ação inibitória em testes in vitro e in vivo. Porém, testes clínicos de ampla escala em indivíduos são escassos. Entre as substâncias com grande potencial clínico estão os flavonoides, seguidos pelas xantonas, antraquinonas e calconas. Extratos de outros seres vivos, como os fungos, também já mostraram bons resultados, mas não se sabendo qual, ou quais, os princípios ativos de relevância.

            Como os testes com um ou outro representante dessas classes não possuem resultados muito confiáveis, não vale muito a pena comprá-los isolados como suplemento natural, porque você pode estar pegando um que não possui uma mínima eficácia no corpo. Mas você pode incluir alimentos na sua dieta, por exemplo, que são ricos nessas substâncias como uma ajuda preventiva e ainda ganhar muitos benefícios na saúde geral. Podemos generalizar, então:

1. Plantas: verduras, frutas e grãos diversos são ricos em flavonoides, os quais são metabólitos secundários nas plantas. Com variadas funções nos vegetais, desde pigmentação até sinalização, eles são encontrados na forma de isoflavonas, flavonas, flavanóis, entre outros. A genisteína da soja, por exemplo, já mostrou efeitos de inibição da aromatase, assim como a flavona epigenina, encontrada em diversos folhas e frutas, especialmente nas flores para a feitura do chá de camomila.  
  
2. Mangostão: uma fruta tropital rica em xantonas.
     
 
3. Vinho Vermelho: com moderação, é claro, o vinho é uma fonte de vários compostos químicos com possível boa eficácia na supressão da aromatase.



4. Cogumelos Brancos: vários estudos já mostraram que o extrato desses cogumelos possuem ação de inibição da aromatase em testes clínicos limitados.
  
5. ...

         Os três pontos no final da lista são para representar diversos outros exemplos de frutas e vegetais ricos em compostos que mostram promessas no controle da aromatização androgênica. Resumindo, comer uma grande quantidade e variedade de frutas, verduras, chás, grãos, raízes, etc., irá proporcionar grandes chances de minimizar a aromatase no corpo. Incluir esses alimentos na dieta é, portanto, especialmente importante para os homens com sobrepeso, indivíduos que usam hormônios esteroides e mulheres (câncer de mama). Além disso, você ganha diversos outros nutrientes essenciais para o seu corpo.

           Mas, claro, não espere milagres, apenas esperança. Caso você tenha um real problema de produção excessiva de estrógenos ou esteja com câncer de mama, é necessário recorrer aos medicamentos, os quais possuem eficácia comprovada e são muito mais potentes do que os compostos ´naturais´ testados até agora em laboratório. Porém, mesmo sob os medicamentos, uma dieta rica em vegetais diversos, podendo incluir também vinho vermelho e cogumelos brancos, será uma forma de tentar ajudar no manejamento do problema. E, obviamente, emagrecer e evitar o abuso de hormônios esteroides ajuda ainda mais.

Artigo Relacionado: Ervas e suplementos para aumentar a testosterona?

Artigo Recomendado:  A obesidade causa câncer!

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3074486/
  2.  http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2965731/
  3. http://www.science.gov/topicpages/n/nonsteroidal+aromatase+inhibitor.html 
  4. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11678652/
  5. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12095950/
  6. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11739882/
  7. http://cancerres.aacrjournals.org/content/66/24/12026
  8. http://toxsci.oxfordjournals.org/content/92/1/71
  9. http://www.eurekaselect.com/67314/article
  10. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0024320500009747
  11. http://journals.cambridge.org/action/displayAbstract?fromPage=online&aid=923252&fileId=S0007114506001292
  12. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/096007609390022O
  13. http://www.hindawi.com/journals/er/2015/594656/abs/
  14. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26434836
                                                                           Anúncio