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Álcool e energéticos



          Apesar de existir um consenso popular de que misturar bebidas alcoólicas com bebidas energéticas acarreta fortes reações adversas, especialmente em mascarar os efeitos de intoxicação do etanol, não existe consenso científico sobre o assunto, apesar de existirem diversos estudos que endereçam o tema. Por outro lado, existe, de fato, tendências de dados clínicos que relacionam um maior consumo alcoólico, abuso de drogas e comportamentos sexuais de risco com um maior consumo de energéticos, porém não existem mecanismos de causa e consequência quando invertemos a situação, ou seja, de que os energéticos estejam causando o aumento desses índices.

           As bebidas energéticas são preparados que misturam cafeína (o principal princípio ativo), estimulantes diversos (guaraná, erva mate, etc.), açúcares simples (glucose, frutose, entre outros carboidratos de fácil absorção), glucuronolactona, aminoácidos (taurina, por exemplo), ervas e vitaminas. Embora não se conheça muito bem os mecanismos de ação biológica da mistura desses ingredientes, as bebidas energéticas objetivam proporcionar ao consumidor uma maior disposição, estado de alerta e resistência ao sono. Em anos recentes, o uso dessas bebidas por adolescentes e jovens adultos aumentou bastante, chamando a atenção das autoridades de saúde. Uma das formas de consumo mais utilizadas é com o uso concomitante de bebidas alcoólicas, onde acredita-se que os efeitos tóxicos do etanol no corpo são mascarados, facilitando o consumo de mais álcool sem maiores consequências psicológicas durante o processo, ou seja, dificulta a sensação dos efeitos negativos da embriaguez. Alguns também misturam os energéticos acreditando que obterão efeitos mais fortes do etanol (álcool). Já outras correntes populares acreditam em reações perigosas entre esses dois tipos de bebidas.

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            Embora muito difundidas, não existe uma base científica clara que corrobore essas crenças. Os estudos que rondam o assunto (Bebidas energéticas e Álcool) são contraditórios e conflitantes. Enquanto alguns acham resultados mostrando que os energéticos diminuem a percepção de intoxicação alcoólica dos indivíduos e induzem um maior consumo de álcool e, até mesmo, de outras drogas, outros estudos não conseguem achar uma associação significativa, mostrando que os placebos não diferem muito dos energéticos quando misturados com as bebidas alcoólicas. Se misturar esses dois tipos de bebida é prejudicial ou indiferente, existe um vácuo conclusivo. Porém, um maior número de estudos, especialmente os mais recentes, não encontram reações adversas provindas da mistura entre os dois tipos de bebidas, principalmente nos supostos efeitos de mascaramento da embriaguez. É bem provável que a perda de lucidez, mal-estar e sonolência provenientes do consumo alcoólico podem não ser minimizados em nada com o uso dos energéticos, como mostrado, de forma quase conclusiva, em dois estudos do ano passado (Ref.20 e 21).
 
Não existe conclusão científica sobre supostos efeitos colaterais prejudiciais advindos do consumo concomitante das bebidas alcoólicas e bebidas energéticas
 
          Alguns estudos, contudo, frisam uma hipótese bastante plausível para explicar o padrão encontrado em vários trabalhos. É bem claro que existe uma tendência comum entre consumidores mais agressivos de energéticos com um alcoolismo mais grave, uso pesado de drogas e preferência por atividades sexuais mais arriscadas (sexo desprotegido, sob efeito de substâncias psicoativas e desconhecimento do parceiro sexual). Pode ser que os energéticos não tenham nenhuma relação de causa e, sim, são apenas uma consequência do comportamento compulsivo e vicioso de certos indivíduos. Ou seja, as pessoas nesse grupo buscam qualquer coisa para aumentar os efeitos do abuso de substâncias viciantes e acabam abusando dos energéticos nessa busca.

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           Bem, mesmo não existindo uma associação clara entre energéticos e reações colaterais com bebidas alcoólicas, o abuso de qualquer uma dessas bebidas pode levar a danos separados sérios. Sobre o álcool/etanol não é preciso nem comentar. Já nos energéticos, por estes possuírem boas doses de cafeína na sua composição, o abuso em seu consumo pode ser arriscado. Uma ingestão diária de cafeína acima de 400 mg pode trazer danos significativos ao corpo. E é válido ressaltar que algumas marcas podem apresentar altas quantidades de cafeína, sendo necessário verificar sempre as especificações nas tabelas nutricionais e moderar no consumo.

Preste atenção na quantidade de cafeína nessas bebidas; evite que o total diário de ingestão dessa substância ultrapasse os 400 mg diários; a maior parte das marcas de energéticos não possuem doses elevadas de cafeína, mas é sempre bom ficar bem atento
ATUALIZAÇÃO ( 26/06/16): Um estudo sistemático de revisão e meta-análise publicado em Janeiro dente ano mostrou que, de fato, existe um maior consumo de bebidas alcoólicas entre usuários de energéticos. Por outro lado, quando se analisa o padrão de consumo, observa-se que o uso concomitante de energéticos com bebidas alcoólicas não aumenta o consumo de álcool quando comparado com indivíduos que apenas ingerem bebidas alcoólicas. Ou seja, apenas a frequência muda entre os dois grupos, mas não a quantidade ingerida, por vez, de álcool. Isso mostra, mais uma vez, que os energéticos não parecem ter efeito nenhum em mascarar os efeitos de embriaguez e, portanto, não parecem induzir um maior consumo alcoólico. Pessoas que bebem muito tendem a usar energéticos, sem que estes tenham relação direta de causa. (Ref.22)

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20538866/
  2. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3295617/
  3. wiley( Álcool e Energéticos)
  4. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1553-2712.2008.00085.x/full
  5. http://jama.jamanetwork.com/article.aspx?articleID=1487124
  6. http://link.springer.com/article/10.1007/s00213-012-2677-1
  7. wiley ( Álcool e Energéticos)
  8. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S030646031300107X
  9. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0376871611004893
  10. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0306460316300478
  11.  http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0306460314004377
  12. wiley ( Álcool e Energéticos)
  13. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0376871613003682
  14. http://psycnet.apa.org/journals/adb/28/1/97/
  15. http://eurpub.oxfordjournals.org/content/24/5/840.short
  16. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1054139X13005119
  17. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/acer.12004/full
  18. http://www.bbc.co.uk/programmes/articles/5xpgxY0vFlxVrmBllHVBBGT/are-energy-drinks-really-bad-for-us
  19. http://www.efsa.europa.eu/en/efsajournal/pub/4102
  20. http://link.springer.com/article/10.1007/s00213-014-3715-y
  21. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/hup.2529/abstract?userIsAuthenticated=false&deniedAccessCustomisedMessage= 
  22. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/hup.2513/full