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As plataformas vibratórias de academia dão resultado?

                                        


        Desde 2007, uma nova moda tomou conta das academias: os pratos vibracionais, mais conhecidos como Power Plates. As empresas fornecedoras do produto prometem milagres com ele com o mínimo de esforço físico do usuário. Mas dá para acreditar plenamente nesta ´´pílula mágica´´?

         Os cientistas espaciais vem tentando, desde os anos 70, elaborar exercícios que mantenham os astronautas em forma. Por causa do efeito de ´falta de gravidade´ (1) durante as missões espaciais, os astronautas sofrem de atrofia muscular e perda óssea ( osteoporose), devido à falta de estímulos de esforço físico e compactação dos ossos pelo peso do corpo. Uma das pesquisas mais promissoras era o uso de vibrações na execução de exercícios. Com ela, a força muscular aumentava e os ossos ficavam mais densos com a movimentação ritmada forçada. Mais do que isso, as vibrações mostraram vários outros potenciais benefícios ao corpo, como alívio de dores, auxílio no tratamento de esclerose múltipla, aumento da liberação de hormônios benéficos, entre outros. Uma maravilha. E não demorou para que as empresas aproveitassem, décadas depois, a explosão das academias de musculação para lucrar em cima dos aparelhos vibratórios. Os pratos vibratórios comerciais prometem maior força muscular, aumento da densidade óssea, perda acentuada de peso e diversos outros benefícios à saúde. Na teoria, eles podem estar certos em partes. Porém, existem várias limitações ao seu uso para que estas promessas venham a dar reais resultados.

          Para início de conversa, o uso primordial destes equipamentos deveria visar pessoas com problemas de saúde e em reabilitação, as quais são impedidas de fazerem muito esforço físico. Assim, leves vibrações estimulariam o tecido ósseo e muscular, beneficiando a constituição corporal do paciente. Em outras doenças, como a esclerose múltipla, os pratos vibracionais também podem ajudar. E em todos esses casos, o indivíduo fica parado ou fazendo movimentos leves, deixando as vibrações ampliarem as forças de gravidade no corpo. Mas para pessoas normais, o uso dos pratos deveria ser dinâmico e exaustivos. Nas academias, as pessoas perdem tempo ficando paradas em cima do equipamento sem fazer nada, só tremendo, igual zumbis. Os pratos vibracionais não são exercícios aeróbicos, servindo, pelo contrário, como estimulantes resistivos. Eles aumentam moderadamente a performance de exercícios de peso, como flexão, agachamentos, etc. Ou seja, o certo seriam existir verdadeiras plataformas onde as pessoas possam executar exercícios livres resistivos em cima delas.

        Teoricamente, as vibrações permitem que mais nutrientes entrem dentro das células musculares e permitem uma mais fácil flexibilidade das fibras, garantindo ao usuário maior rendimento físico. Assim, uma série de flexões por 20 minutos seguidos em condições normais, teriam o mesmo efeito quando executadas com vibrações durante 15 minutos, por exemplo. Mesmo assim, quando analisamos estudos científicos sobre o assunto, existem controvérsias quanto aos reais ganhos de força e rendimento físico com o uso desses aparelhos, se são significativos ou não para pessoas saudáveis e bem ativas. De qualquer forma, é preciso que a pessoa se mexa! Ficar em cima, parado não dará resultado algum. E quanto a perda de peso ( gordura corporal), esqueça. As vibrações não servem para isso. Elas até aumentam o metabolismo momentâneo e sobrecarregam os exercícios, mas o gasto de energia adicional é mínimo. Como eu já disse em diversos outros textos, a dieta é, de longe, a ferramenta mais poderosa para a queima de gordura e manutenção do novo peso. Vou repetir: as plataformas vibratórias não contribuem para o emagrecimento como um fator isolado! Ficar parado vibrando em cima delas não irá modificar em nada sua composição de gordura corporal.
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                                             Exemplos de exercício que podem ser feitos 
                                             na plataforma vibratória. Crédito de imagem:
                                 http://www.isg-celle.de/leistungsspektrum/training/vibrafit.html

        Explicando tudo isso, agora vocês sabem que ficar parado tremendo não adianta nada. Na verdade, se só tremer adiantasse alguma coisa, todos os usuários de ônibus público estariam atletas agora ( risos!). É preciso realizar movimentos físicos junto às vibrações. Ficar estático em cima destes equipamentos é para indivíduos muito debilitados. Agora vem outro ponto importante. Os tratamentos projetados com as vibrações usam estímulos brandos para obterem resultados benéficos aos pacientes. Os equipamentos presentes nas academias costumam possuir vibrações muito fortes e não devem ser usadas por muito tempo. É difícil estipular um tempo mínimo, porque depende do que você está fazendo na plataforma vibratória, além de não existir estudos científicos acurados para fixar padrões. Mas se você está se submetendo a longos períodos de vibrações nas academias ou em aparelhos pessoais, existe um sério risco de desenvolver dores na região inferior da coluna, danos à cartilagem, visão embaçada, perda auditiva e até mesmo danos cerebrais. E somando-se a isso, não é qualquer um que pode usar a máquina. Indivíduos com problemas na retina, coágulos sanguíneos, tumores ósseos e diversas outras sérias aflições de saúde estão terminantemente proibidos de usar os aparelhos ( pelo menos os comerciais). As mulheres grávidas também devem ser incluídas neste grupo, obviamente. O pior é que, geralmente, não existe uma fiscalização forte neste quesito, tanto dos revendedores quanto dos responsáveis pelas academias. E para os que sofrem de osteoporose ( principalmente as mulheres na menopausa) mas não são debilitados, é melhor investir em exercícios convencionais envolvendo pesos. Os resultados são garantidos, totalmente seguros e cientificamente comprovados.           

           No mais, usar as plataformas vibratórias comerciais não parece causar mal se utilizadas por um curto período de tempo. Por outro lado, se é uma completa perda de tempo para pessoas normais e saudáveis, fico inclinado a pensar que sim. No máximo você pode economizar um tempo fazendo flexões e outros exercícios mais simples com as vibrações. Aliás, se fossem tão benéficas ao aprimoramento muscular, veríamos muitos fisiculturistas usando estes equipamentos. O que não é o caso. Se eu me lembro bem, nunca vi ninguém que faz musculação séria ficar tremendo igual vara verde em cima deles. E, por favor, não fique parado vibrando. Isso, sim, é jogar tempo fora.

                                    Astronauta em órbita recebendo estímulos vibratórios.


(1) Não existe, literalmente, falta de gravidade no espaço. A todo momento você está sofrendo interações gravitacionais com os corpos, principalmente dos planetas e astros próximos a você. Os astronautas estão sob constante atração da gravidade terrestre, mas ficam flutuando dentro dos veículos espaciais em órbita porque estes estão a uma velocidade tal que acompanha a curvatura da Terra e a caída em aceleração gravitacional em direção a ela. Em uma analogia, pense que você está em um elevador que desce na mesma aceleração da gravidade terrestre ( aproximadamente 10 m/s²), ou melhor dizendo, ele está ´caindo´ junto com você. Com isso, você não tocará o piso do elevador e, caso não perceba que ele está sendo acelerado para baixo, ficará com a sensação de estar flutuando. E é assim que é feita uma das etapas de treino dos astronautas. Para simular uma ´´falta de gravidade´´ na superfície do nosso planeta, aeronaves os transportam para grandes altitudes e simplesmente caem por alguns minutos, permitindo  que fiquem flutuando dentro do compartimento de passageiros.

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1.  http://bjsm.bmj.com/content/39/9/585.short
  2. http://science.nasa.gov/science-news/science-at-nasa/2001/ast02nov_1/
  3. http://journals.lww.com/nsca-jscr/Abstract/2006/05000/ACUTE_EFFECTS_OF_WHOLE_BODY_VIBRATION_ON_MUSCLE.4.aspx
  4. http://www.e-space.mmu.ac.uk/e-space/bitstream/2173/595958/1/vibrationRECOMMENDATIONS.pdf
  5. http://s3.amazonaws.com/academia.edu.documents/42079534/Vibration_Exposure_and_Biodynamic_Respon20160204-30257-sg65kc.pdf?AWSAccessKeyId=AKIAJ56TQJRTWSMTNPEA&Expires=1466715989&Signature=F9dyCl1a58D7rDRHbe6%2Fw7v2kU4%3D&response-content-disposition=inline%3B%20filename%3DVibration_Exposure_and_Biodynamic_Respon.pdf
  6. http://link.springer.com/article/10.1007/s00198-010-1215-4
  7. http://bmcgeriatr.biomedcentral.com/articles/10.1186/1471-2318-11-72
  8. http://www.wirtschaft.bfh.ch/fileadmin/wgs_upload/users/rgs2/Protokol_SR-WBV_Review_01.pdf
  9. http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.3109/09638288.2011.626486
  10. http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.3109/09593985.2011.641670
  11. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1725325/pdf/v039p00585.pdf 
  12. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/14750005
  13. http://www.rehab.research.va.gov/jour/09/46/4/pdf/totosy.pdf