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O que são as marcas pretas no corpo de peixes-fitas?

Figura 1. Peixe-fita flagrado em Whites Beach, em New South Wales, Austrália.

          Membros do gênero Trachipterus (Lampriformes, Trachipteridae), o qual engloba seis espécies (T. altivelis, T. jacksonensis, T. arcticus, T. fukuzakii, T. trachypterus, e T. ishikawae), possuem corpos alongados e comprimidos com grandes olho, e estão distribuídos em vários oceanos. São peixes, em geral, raros de serem observado, e sem valor comercial. Não possuem bexigas natatórias e nadam em uma posição vertical, com cabeça voltada para a superfície marinha e ondulando a nadadeira dorsal. O modo reprodutivo é via oviparidade (botam ovos) e a dieta é baseada principalmente em pequenos peixes e lulas.

            A espécie T. jacksonensis, popularmente conhecido aqui no Brasil como peixe-fita, espada-cavala, espada-prata ou espadão*. É uma espécie epi-mesopelágica do hemisfério sul, com registros no Brasil, Argentina, Namíbia, África do Sul, Ilha Réunion, Austrália e Nova Zelândia.  Aqui no Brasil, o T. jacksonensis é encontrado tipicamente na costa do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. É comumente conhecido como peixe-fita no Rio Grande do Sul e como espadão na Baixada Santista. Pode ser encontrado até 1000 metros de profundidade e alcançar um comprimento corporal de até 2,2 metros. Possui uma coloração prateada, com brilho metálico, e comumente são observadas marcas pretas circulares (ou ovais) nas laterais do corpo (Fig.2). Alimenta-se de crustáceos - particularmente eufausídeos -, cefalópodes e pequenos peixes. 

Figura 2. Um T. jacksonensis com típicas marcas pretas ovais. Vídeo completo: Instagram

          As marcas pretas circulares no corpo desses peixes são feridas cicatrizadas, provocadas por mordidas de tubarões do gênero Isistius. São tubarões de pequeno porte, medindo até 50 cm de comprimento. Costumam atacar grandes presas, anexando a boca com os lábios de sucção e arrancando um pedaço da pele/carne com os dentes de serra na mandíbula. Vários mamíferos e peixes marinhos têm sido observados com marcas bem características de mordidas por esses tubarões.

Figura 3. (A) Mordida característica de tubarões esqualoides Isistius spp., em um Trachipterus jacksonensis fêmea, de 1,67 m (Santa Catarina, Brasil). Esses tubarões são popularmente conhecidos como "tubarões-charuto". (B) Tubarão da espécie Isistius brasiliensis, onde podemos ver a anômala mandíbula, dentição e lábios de sucção. O espécime possui aproximadamente 38 cm de comprimento. Ref.4

REFERÊNCIAS

  1. https://www.mdpi.com/2077-1312/10/5/637
  2. Figueiredo et al. (2009). Vertebrae counting—a way to resolve species identification of the genus Trachipterus (Osteichthyes:Trachipteridae). Marine Biodiversity Records , Volume 1 , e65. https://doi.org/10.1017/S1755267207007191
  3. Mincarone et al. (2001). Sobre a ocorrência do peixe-fita Trachipterus jacksonensis (Ramsay, 1881) (Lampridiformes, Trachipteridae) na costa Brasileira. Mare Magnum 1(2): 121-124.
  4. Mancini et al. (2003). Observações em Trachipterus jacksonensis capturados no Brasil. http://copec.eu/congresses/cbpas2003/proc/pdf/T198.pdf
  5. https://fishesofaustralia.net.au/home/species/1872