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Será que tênis especiais realmente previnem danos de corrida?



         Nos últimos anos, diversos estudos discordam - em termos de eficácia - com o uso mais do que popular de um dos produtos mais adorados e procurados pelos corredores profissionais e amadores: tênis projetados para proteger os pés de danos causados pelo ato de correr. 

        Como todos já devem ter percebido, os pés de cada um tendem a ser bem diferentes, tanto em formato quanto no ângulo feito com o calcanhar. Em relação a esse ângulo, é dado uma atenção especial, porque ele decide o grau pronação (tipo de giro direcionando a pisada). Quando o pé possui o calcanhar com um giro mais para dentro chamamos ele de pronado. Caso o calcanhar role mais para fora, chamamos de pé supinado. Se ele fica no meio termo, chamamos de neutro. O mais eficiente tipo de pisada é o do pé neutro, onde existe uma otimização máxima na absorção do impacto com o solo e na economia de energia quando se realiza uma caminhada ou corrida. Caso a pronação seja desfavorável, danos nos pés, joelhos, costas, canela e outras articulações poderiam ser gerados com maior frequência, especialmente nas corridas, onde a pronação fica mais evidente.

Pé pronado (esquerda); pé neutro (centro); e pé supinado (direita)

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          Para corrigir as pronações, existem diversos tipos de tênis, os quais prometem menos danos
e 'conserto' na hora da pisada. Só que vários estudos mostram que não importa muito o tipo de tênis para diminuir os possíveis danos gerados pelo impacto e pisadas diferenciadas. Correr de pés descalços, por exemplo, pode ser muito melhor para grande parte das pessoas do que os calçados hoje existentes no mercado! Além disso, por mais que se dissemine o contrário, a pronação do pé pouco influencia nos danos gerados durante as corridas. Estudos mostram que as lesões ocorrem muito mais devido ao esforço repetitivo da própria corrida em si, não o impacto do tipo de pisada. Calçados baseados também no formato da planta do pé não mostram vantagens para os seus usuários, como mostrado, por exemplo, em estudos conduzidos nas tropas do exército americano.

           De qualquer forma, além de protegerem os pés, obviamente, das ameaças no chão, os tênis também podem ajudar a evitar danos quando apenas um quesito é respeitado: o conforto.

         Sim, independente do que é feito o tênis, se você se sentir confortável com eles, suas chances de lesão serão bem menores. Pode vir com molas, shapes malucos, palmilha grossa ou fina, alta flexibilidade, aprovação do Flash... Se o tênis não se sentir bem no seu pé, ele poderá causar muito mais mal para você, mesmo ele tendo custado fortunas. Não existe, hoje, um calçado especial que serve para todas as pessoas ou que tenha um design que atenda perfeitamente a cada tipo de pisada. Um pode ter uma tecnologia exuberante por trás, mas pode prejudicar o seu corpo mais do que um All Star clássico.
A ajuda fica apenas na promessa e ilusão de preço
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          As pessoas, na hora de comprar o calçado, especialmente se forem fazer uso profissional dele, preferem olhar mais o preço e propaganda de desempenho, do que a aprovação do próprio pé. E o que eu disse neste artigo não é um uma simples especulação baseada em fracas evidências científicas e, sim, praticamente um consenso científico baseado em fortes e vastas evidências, algo que pode ser confirmado nas várias referências abaixo.

Conclusão: Esqueça o preço, aparência do calçado ou promessas de desempenho. Escolha o conforto, independentemente se é para o dia-a-dia ou para o esporte. E outra medida para minimizar os danos durante as corridas é saber correr bem, respeitando os limites e sinais de desgaste do seu corpo.

Artigo relacionadoMitos sobre a perda de peso

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. Artigo de revisão ( 2014) 
  2. http://www.medicalnewstoday.com/articles/175046.php?trendmd-shared=1
  3. http://bjsm.bmj.com/content/early/2015/07/28/bjsports-2015-095054.short
  4. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24175127
  5. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20584759
  6. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11176139
  7. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18424485
  8. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23766439
  9. http://bjsm.bmj.com/content/early/2013/06/12/bjsports-2013-092202.abstract
  10. http://www.bbc.com/future/story/20131002-do-running-shoes-prevent-injury
  11. http://blogs.bmj.com/bjsm/2010/07/16/e-letter-performance-anomalies-in-running-shoe-design-psychological-factors/?trendmd-shared=0
  12. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20576837
  13. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25404508
  14. http://bjsm.bmj.com/content/45/9/715.short
  15. http://bjsm.bmj.com/content/45/9/715.short
  16.  http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20584759
  17.  http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25155917
  18. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23195354
  19. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18424485