Por que algumas pessoas têm um "furinho" na parte de cima da orelha?
- Atualizado no dia 18 de junho de 2026 -
Compartilhe o artigo:
Você possui um furinho bem peculiar na região em frente à orelha, como mostrado na imagem acima? Conhece alguém que possua? Chamado de seio pré-auricular essa curiosidade anatômica é um defeito genético relativamente comum e que pode causar preocupações infundadas. Afinal, quais são os riscos associados com essa condição? É necessário um cuidado especial? Como esse estranho buraco é formado?
- Continua após o anúncio -
SEIO PRÉ-AURICULAR
Geralmente sendo notado durante um exame de rotina do recém-nascido, o seio pré-auricular - também chamado fístula pré-auricular ou coloboma auris - normalmente aparece como um pequeno orifício ou cova na pele, e frequentemente apenas em frente à parte superior da orelha onde a cartilagem da borda auricular se encontra com o rosto (margem anterior do membro ascendente da hélice da orelha). Considerado um defeito congênito, esse traço anatômico pode ocorrer em um lado (unilateral) ou em ambos os lados (bilateral) da orelha. As pessoas afetadas geralmente não possuem qualquer outro sintoma exceto quando se torna infectado.
O seio pré-auricular pode ocorrer esporadicamente e espontaneamente durante o desenvolvimento de um embrião ou pode ser herdado de uma forma dominante autossômica com reduzida penetrância. Menos frequente, o fenótipo pode ocorrer como efeito colateral de outra condição ou síndrome (um bebê com seio pré-auricular será examinado para outras anormalidades para descartar esses possíveis problemas). Para possíveis infecções - o buraco que se forma facilita o ataque de bactérias patogênicas -, o tratamento pode incluir antibióticos; nesse sentido, pode-se recorrer também à via cirúrgica para remover o seio pré-auricular no caso de infecções recorrentes em crianças. A condição pode também promover a formação de cistos benignos.
----------
> Na maioria das vezes, o seio pré-auricular não oferece nenhum risco à saúde e é assintomático, não necessitando de tratamento. Mas, em algum momento, podem ocorrer infecções, e em algumas delas, aparecem nódulos que são popularmente chamados de “caroços”.
> O caroço no seio pré-auricular pode causar dores, inchaços e infeccionar quando não tratado de forma adequada por um profissional de saúde. Também costuma ser chamado de cisto pré-auricular.
> A maioria dos seios pré-auriculares encontra-se anteriormente ao canal auditivo externo, embora casos raros tenham sido relatados e localizados em outras áreas, como a borda póstero-superior da hélice, o trago, o lóbulo, a crura ascendente da hélice, a área supra-auricular e a área pós-auricular. Ref.12
------------
As infecções do seio pré-auricular geralmente são causadas pela bactéria Staphylococcus aureus e menos comumente por patógenos do gênero Streptococcus e Proteus. Quando pus é acumulado, e um abscesso é formado (Fig.2), a falta de um tratamento pode levar a complicações quando a infecção se espalha para estruturas contíguas como a pina, a junta temporomandibular e o canal auditório externo. Alguns seios pré-auriculares podem inclusive causar abcessos crônicos (Fig.1). Isso é pensado de ocorrer da ruptura da parede anterior do seio pré-auricular com vazamento dos detritos escamosos infectados dentro do plano adiposo subcutâneo (Ref.8).
As infecções do seio pré-auricular geralmente são causadas pela bactéria Staphylococcus aureus e menos comumente por patógenos do gênero Streptococcus e Proteus. Quando pus é acumulado, e um abscesso é formado (Fig.2), a falta de um tratamento pode levar a complicações quando a infecção se espalha para estruturas contíguas como a pina, a junta temporomandibular e o canal auditório externo. Alguns seios pré-auriculares podem inclusive causar abcessos crônicos (Fig.1). Isso é pensado de ocorrer da ruptura da parede anterior do seio pré-auricular com vazamento dos detritos escamosos infectados dentro do plano adiposo subcutâneo (Ref.8).
Nesse ponto, é bom reforçar que a maioria dos casos de seio pré-auricular não causam sintomas ou problemas exceto no cenário onde se tornam infectados. Sinais comuns de infecção incluem inchaço, vermelhidão, drenagem de fluídos, e dor. Tipicamente, antibióticos sistêmicos resolvem. Se um abcesso está presente, provavelmente será necessário passar por uma incisão e drenagem.
Existem diferentes opiniões na literatura médica sobre as indicações para a remoção cirúrgica de um seio pré-auricular. Alguns acreditam que mesmo seios assintomáticos deveriam ser removidos. Outros acreditam que a cirurgia é indicada se infecções ou outros complicações apareçam.
Existem diferentes opiniões na literatura médica sobre as indicações para a remoção cirúrgica de um seio pré-auricular. Alguns acreditam que mesmo seios assintomáticos deveriam ser removidos. Outros acreditam que a cirurgia é indicada se infecções ou outros complicações apareçam.
Ainda que sem caroços, se o seio pré-auricular estiver infeccionado é importante procurar ajuda médica, principalmente de um otorrinolaringologista. Esse profissional especializado vai orientar como cuidar da região para evitar infecções recorrentes, e assim, prevenir problemas mais graves (Ref.10). O otorrinolaringologista também vai indicar a melhor forma de higienizar o seio pré-auricular diariamente como precaução contra recorrências.
- Continua após o anúncio -
PREVALÊNCIA
A prevalência do seio pré-auricular varia de 0,1% a 10% ao redor do mundo. Nos EUA, é estimado que afeta 0,1-0,9% da população, na Inglaterra 0,9%, em Taiwan 1,6-2,5%, entre Asiáticos é de 4-6% e em algumas partes da África é de 4-10%. Na Nigéria, em específico, a prevalência alcança 9,3% em Ilorin, na região norte do país. No geral, a prevalência mundial é em torno de 1-2% da população. Ancestralidade atua parcialmente na prevalência, mas é importante reforçar que o seio pré-auricular pode emergir de forma esporádica.
De maneira geral, o seio pré-auricular bilateral é mais provável ser hereditário do que a manifestação unilateral, que é mais comumente espontânea e não hereditária.
DESENVOLVIMENTO
Em termos de desenvolvimento embrionário, a orelha externa emerge a partir de seis eminências sobre as margens mandibulares e da hioide do primeiro sulco externo. Falha dos tubérculos em fusionarem entre si ou falha de alguns desses tubérculos de crescerem normalmente podem produzir uma variedade de malformações no ouvido externo, incluindo o seio pré-auricular. Esse último aparece quando existe um fechamento incompleto da fissura branquial, ou seja, resulta de fusão imprópria do primeiro e segundo o arco branquial durante a sexta semana de gestação (Ref.11).
SÍNDROMES ASSOCIADAS
Um seio pré-auricular pode passar despercebido no nascimento. Se o médico ou os pais notam o pequeno furo na orelha, o próximo passo é visitar um otolaringologista, o qual pode realizar uma avaliação apropriada da malformação e de qualquer risco associado. Nesse último caso, temos síndromes que podem estar associadas com o seio pré-auricular, como:
- Lobos auriculares assimétricos e uma língua anormalmente grande em adição aos furos na frente das orelhas podem ser um sinal da síndrome de Beckwith-Wiedemann. Essa síndrome é associada com anormalidades abdominais e cânceres nos rins e no fígado.
- Furos ou covas na lateral do pescoço, buracos e/ou marcas na frente da orelha, perda auditiva, e anormalidades renais podem ser todos um sinal da síndrome de Branchio-Oto-Renal (SBOR). Além de prejuízos auditivos, essa síndrome - expressa a partir de uma mutação no gene EYA1 no cromossomo 8 - pode trazer prejuízos na linguagem, especificamente na velocidade de fala, e talvez na capacidade de aprendizagem.
DESENVOLVIMENTO
Em termos de desenvolvimento embrionário, a orelha externa emerge a partir de seis eminências sobre as margens mandibulares e da hioide do primeiro sulco externo. Falha dos tubérculos em fusionarem entre si ou falha de alguns desses tubérculos de crescerem normalmente podem produzir uma variedade de malformações no ouvido externo, incluindo o seio pré-auricular. Esse último aparece quando existe um fechamento incompleto da fissura branquial, ou seja, resulta de fusão imprópria do primeiro e segundo o arco branquial durante a sexta semana de gestação (Ref.11).
SÍNDROMES ASSOCIADAS
Um seio pré-auricular pode passar despercebido no nascimento. Se o médico ou os pais notam o pequeno furo na orelha, o próximo passo é visitar um otolaringologista, o qual pode realizar uma avaliação apropriada da malformação e de qualquer risco associado. Nesse último caso, temos síndromes que podem estar associadas com o seio pré-auricular, como:
- Lobos auriculares assimétricos e uma língua anormalmente grande em adição aos furos na frente das orelhas podem ser um sinal da síndrome de Beckwith-Wiedemann. Essa síndrome é associada com anormalidades abdominais e cânceres nos rins e no fígado.
- Furos ou covas na lateral do pescoço, buracos e/ou marcas na frente da orelha, perda auditiva, e anormalidades renais podem ser todos um sinal da síndrome de Branchio-Oto-Renal (SBOR). Além de prejuízos auditivos, essa síndrome - expressa a partir de uma mutação no gene EYA1 no cromossomo 8 - pode trazer prejuízos na linguagem, especificamente na velocidade de fala, e talvez na capacidade de aprendizagem.
Leitura recomendada:
REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
- https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3884798/
- https://rarediseases.info.nih.gov/diseases/10507/preauricular-sinus
- https://www.chop.edu/conditions-diseases/preauricular-pits
- https://www.chop.edu/conditions-diseases/preauricular-pits
- https://neoreviews.aappublications.org/content/neoreviews/12/10/e606.full.pdf
- Furlan et al. (2008). Achados genéticos, audiológicos e da linguagem oral de um núcleo familial com diagnóstico da síndrome Branquio-oto-renal (SBOR). 16° Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, Campos de Jordão.
- Volavšek, M. (2016). Sinus, Preauricular. In: Volavšek, M. (eds) Head and Neck Pathology. Encyclopedia of Pathology. Springer, Cham. https://doi.org/10.1007/978-3-319-28618-1_1696
- Isaacson, G. (2019). Comprehensive management of infected preauricular sinuses/cysts. International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology, Volume 127, 109682. https://doi.org/10.1016/j.ijporl.2019.109682
- https://www.ijoms.com/article/S0901-5027(17)31073-1/abstract
- https://www.einstein.br/n/vida-saudavel/caroco-no-seio-pre-auricular-o-que-e-causa-e-como-tratar
- Silva et al. (2024). Coloboma auris infectado: relato de caso. Revista de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, v.24, n.3, p.34. Link do PDF
- Joseph et al. (2026). The Supra-auricular Approach for the Management of Complicated Preauricular Sinuses: A Retrospective Case Series. Indian Journal of Otology, 32(2):p 193-196. https://doi.org/10.4103/indianjotol.indianjotol_28_26




