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Por que as tartarugas conseguem viver tanto tempo?


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          Entre os animais terrestres e complexos, as tartarugas se destacam por possuírem a maior bênção de longevidade. Enquanto nós custamos a chegar aos 80, muitas espécies passam fácil dos 100 anos e em boas condições de saúde. Na verdade, é melhor usarmos o nome 'Jabuti', porque na ordem dos quelônios (Testudines), existem as tartarugas, os cágados e os jabutis. Este último seria a espécie terrestre a qual normalmente atribuímos vida muito longa. Tartarugas e cágados vivem em ambientes aquáticos (os cágados ainda desfrutam bastante do chão firme) e possuem médias de longevidade mais baixas, mas, mesmo assim, bem altas quando comparadas com as dos outros animais.
       
          Os jabutis são animais que podem atingir tamanho gigantescos, chegando a alcançar mais de 200 quilos e os quase 2 metros de comprimento. Nas ilhas Galápagos, estas variações gigantes são comuns - conhecidas popularmente como 'tartarugas-gigantes' (família Testudinidae) - e muitas vivem por mais de 150 anos.  Uma tartaruga-gigante de Galápagos chamada de Harriet chegou a viver mais de 170 anos. Em 2006, o famoso jabuti de nome Adwaita morreu em um zoológico da Índia, depois de ter vivido por aproximadamente 255 anos! Ainda é incerto todas as causas conjuntas que permitem aos jabutis viverem tanto tempo, mas algumas hipóteses são propostas para tentar explicar este fato, as quais provavelmente agem sinergicamente para a elucidação do problema.

Jabutis das Ilhas de Galápagos

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          É sabido pelos cientistas que quanto menor o metabolismo no ser vivo, maior tende a ser a sua expectativa de vida. E isso é uma das características de grande parte dos quelônios, especialmente do jabuti. Esses animais possuem, em geral, sangue frio (ou seja, não produzem energia em excesso, só o necessário para a sobrevivência), e, boa parte deles são bem lentos, crescem muito lentamente na fase adulta - apesar dos filhotes crescerem bem rápido - e possuem baixíssimo metabolismo, podendo resistir bastante tempo sem comida (tartarugas-gigantes em Galápagos conseguem resistir até 1 ano sem alimento!). Somando-se a isso, muitas espécies de tartarugas também passam por um período sazonal similar a uma hibernação no fundo de lamas oriundas de lagos ou de poças, e usam ainda menos energia para se manterem vivas nesse período. Muitos especialistas acreditam que a baixa produção de radicais livres devido a menor taxa de consumo de combustível alimentar e atividades físicas seja o fator decisivo, já que estas espécies químicas são os principais agentes danificadores da integridade celular e podem contribuir para o processo de envelhecimento (1).


     
       
         A segunda hipótese recai sobre fatores reprodutivos. Os jabutis normalmente vivem em ambientes muito perigosos para a sobrevivência, e uma vida maior dada como presente pela evolução aumentaria as chances destes animais, por proporcionar mais crias. Mesmo se muitos  morrem, os poucos que sobrevivem conseguem gerar bastante herdeiros por um bom tempo. Além disso, esses animais possuem uma dura casca de proteção corporal - carapaça óssea, com exceção da tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) -, protegendo-os de grande parte dos predadores, e permitindo que eles mantenham diversas características corporais ao longo do trajeto evolucionário que aumentam a longevidade.



          Existe também uma hipótese menos corroborada que tem relação direta com o que a sociedade humana vem discutindo nos anos recentes: estilo de vida saudável. Os jabutis possuem uma dieta muito equilibrada, ingerindo sempre alimentos saudáveis, principalmente vegetais. Ainda no quesito estilo de vida, eles são criaturas calmas e pacíficas, sofrendo bem pouco com o estresse, algo que vem matando muitos humanos ultimamente.

          É preciso reforçar que nem todos os representantes dos quelônios seguem uma alta longevidade, ou são lentos e calmos. As tartarugas-marinhas são bem ágeis dentro da água e a tartaruga-de-couro não possui nem mesmo sangue frio. Porém, essas que fogem da curva são exatamente aquelas que possuem as menores longevidades. De qualquer forma, podemos tirar alguns ensinamentos disso tudo: ter uma vida sossegada, paciente e comer de forma saudável podem fazer a diferença. Algo cada vez mais raro de se encontrar na nossa vida urbana moderna.



REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. https://askdruniverse.wsu.edu/2017/05/15/why-turtles-live-long/
  2. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/000632077490024X
  3. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0960982211013765 
  4. https://www.geol.umd.edu/~jmerck/galsite/research/projects/metcalfe/landtortoises.html
  5. http://www.nmfs.noaa.gov/pr/pdfs/education/kids_times_turtle_loggerhead.pdf
  6. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3396605/