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É benéfico sempre procurar baixar a febre?


- Artigo atualizado no dia 19 de junho de 2019 -

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         A febre, ao contrário do que muitos pensam, não é apenas sintoma de uma doença - ou uma 'patologia' em si - e, sim, uma resposta conservada durante o processo evolucionário que confere benefícios de sobrevivência ao oferecer ao corpo uma potencial ferramenta de combate a diferentes infecções. Por isso muitas doenças disparam esse aumento acima do normal da temperatura corporal, tanto em humanos quanto em outros animais. Mas qual é a utilidade da febre? Quais os malefícios associados à febre?

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   FEBRE

          A regulação da temperatura corporal depende do balanço entre produção de calor (a partir de todos os processos metabólicos) e perda de calor (por trocas com o ambiente). Havendo elevação de temperatura corporal, o centro térmico hipotalâmico ativa fibras eferentes autonômicas que determinam vasodilatação cutânea e aumentam a produção de suor.

          Alterações de temperatura têm vários determinantes, entre eles infecção (viral, bacteriana ou fúngica), sequelas de dano tecidual, inflamação, rejeição a enxerto, câncer, outros estados de doença, medicamentos, excesso de atividade musculoesquelética e exposição a grandes temperaturas ambientais. É válido também lembrar que a média da temperatura corporal gira em torno 36,8°C ao longo dia, mas nossa temperatura varia bastante em um  intervalo entre 35,6°C e 38,2°C. Os menores valores, geralmente, são encontrados de manhã e os maiores valores à noite. Não sentimos as variações porque o nosso termostato está sempre regulando nossa sensação normal de temperatura.




          A febre, nesse sentido, é uma elevação da temperatura corporal que ultrapassa a variação diária normal e ocorre associada ao aumento no ponto de ajuste hipotalâmico, por exemplo, passando de 37ºC para 39ºC.


     

   BENEFÍCIOS

          Pacientes e alguns profissionais de saúde normalmente encaram a febre como doença em si própria, e tentam 'tratá-la' o mais prontamente possível. Nesse processo, costuma-se até mesmo privilegiar o uso de medicamentos para baixá-la. A verdade é que, com raras exceções, a febre é somente uma manifestação da doença, tendo inclusive papel de defesa orgânica. Inúmeras evidências se acumulando nas últimas décadas têm apontado claramente para o cenário onde a febre - associada a um aumento da temperatura corporal de 1-4°C - representa um efeito benéfico decorrente de mecanismos de resistência do hospedeiro a infecções. Aliás, isso mais do que corrobora o fato de várias infecções dispararem uma febre no nosso corpo.




           Existem dois tipos de consequências benéficas disparadas pela febre com sólido suporte de evidências científicas. O primeiro é dificultar a vida dos seres invasores e o segundo é impulsionar a ação do sistema imunológico. No primeiro caso, vários patógenos se dão melhor em uma temperatura ideal, a qual é normalmente a nossa própria temperatura normal. Portanto, quando o copo aumenta a sua temperatura, ele estará dificultando a ação e reprodução dos agentes infecciosos que estão atacando você. Já no segundo caso, ao contrário dos invasores indesejados, os soldados do seu sistema imunológico passam a trabalhar melhor sob temperaturas mais altas.




           Com a febre, é aumentada a mobilidade dos leucócitos (as famosas células brancas, responsáveis pela defesa do corpo), a atividade de fagocitose dos leucócitos e dos macrófagos aumenta (devorando e livrando o corpo de intrusos), os efeitos das endotoxinas diminuem (lipopolissacarídeos que fazem parte da membrana celular de bactérias e disparam uma resposta imune violenta, causando bastante mal estar), facilitam a síntese de imunoglobulina e, por fim, a febre aumenta a proliferação das células T - as quais servem como importantes intermediadores no sistema imune, ativando ações diretas contra os seres invasores - e dos macrófagos. A febre também aumenta o fluxo sanguíneo através da vasodilatação, com subsequentemente aumento de velocidade do transporte de células do sistema imune para tecidos críticos. Essa promoção da atividade imune coincidente com o aumento da temperatura corporal é outra forte evidência de que a febre, de fato, atua como uma ferramenta benéfica para o corpo.

          A febre também parece atuar ativamente no direcionamento de migração de células imunes para órgãos linfoides secundários ou para locais inflamatórios, incluindo na regulação de função das integrinas, moléculas cruciais de adesão celular na mediação do tráfico de células imunes. Em um estudo recentemente publicado no periódico Immunity (Ref.30), pesquisadores demonstraram que a febre  (38-40°C) promove o tráfico de linfócitos-T através da proteína de choque térmico 90 (Hsp90)-induzida via ativação seletiva da integrina α4 e sinalização em células-T. Ao usar células-T de ratos, os pesquisadores encontraram que a febre aumenta a expressão da Hsp90 nessas células e promovem adesão e transmigração das células-T via mediação da integrina α4. O estudo também mostrou que quando ratos geneticamente modificados não mais expressavam a interação Hsp90-α4, o tráfico de células-T antes induzido pela febre para os nódulos linfáticos era significativamente inibido, dificultando substancialmente o combate a infecções.

          Muitos estudos em humanos nos últimos anos já mostraram (Ref.16) que diversas infecções, desde intoxicações alimentares até resfriados, demoram mais tempo para serem combatidas pelo corpo quando a febre é suprimida com medicamentos antipiréticos. Existem também estudos mostrando que a presença de febre nas primeiras 24 horas de infecção está associada com um menor risco de mortalidade hospitalar (Ref.17). Além disso, não existem boas evidências de que o uso de antipiréticos auxiliem no tratamento de enfermidades oriundas de quadros infecciosos. Hoje é praticamente consensual na literatura acadêmica que febre abaixo dos 40°C tende a ser benéfica para o paciente. No entanto, vale ressaltar que uma meta-análise de 2013 (Ref.33) não encontrou prejuízo na recuperação de crianças com o uso de antipiréticos, mas o número de estudos analisados foi bem limitado, metade deles visavam somente a malária e, em geral, não eram de alta qualidade; um dos poucos estudos analisados inclusive reportou que o uso desses medicamentos no início do quadro infeccioso parecia dificultar o combate a infecções.

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          Aliás, a febre não é uma característica apenas humana. No reino animal, uma infinidade animais também desenvolvem quadros febris caso sejam vítimas de uma infecção, como os já mencionados ratos de laboratório. E isso não vale apenas para os animais endotérmicos, como as aves e mamíferos, os quais conseguem controlar, internamente, a temperatura corporal. Animais ectodérmicos, como os peixes e répteis, também buscam um aumento de temperatura durante infecções. Lagartos, por exemplo, procuram ambientes quentes (pedras aquecidas pelo Sol e afins) para ficarem o maior tempo possível durante um ataque infeccioso e, assim, aumentarem a temperatura corporal. Ou seja, a febre é certamente uma ferramenta comum criada durante o processo evolutivo dos vertebrados para ajudá-los a se recuperarem de uma doença.

          Nesse sentido, uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2010 no periódico Journal of the Royal Society of Medicine (Ref.32) mostrou que o uso de antipiréticos - aspirina, paracetamol e diclofenaco - para o tratamento de infecções de gripe (vírus influenza A e B no caso) aumentam o risco de mortalidade em modelos animais usados em testes clínicos. Os estudos analisados envolveram testes clínicos randomizados e placebos como controle. Em humanos, estudos clínicos randomizados, duplo-cegos, e com controle (placebo) - alta qualidade - não existem para avaliar a questão.


   EVOLUÇÃO

          Considerando os benefícios da febre no reino animal, um estudo publicado no periódico Ideas in Ecology and Evolution (Ref.34) propôs a hipótese de que a febre foi um dos fatores cruciais que favoreceram a evolução dos organismos endotérmicos, no caso mamíferos e aves.

           De fato, o sucesso evolucionário da endotermia em mamíferos e aves representa um relativo enigma. Em comparação com os organismos ectotérmicos (de sangue frio, que não conseguem manter a temperatura corporal constante, como répteis, insetos e peixes), os endotérmicos (de sangue quente) gastam várias vezes mais energia para manter temperaturas corporais altas e estáveis. Nesse sentido, quais forças de seleção poderiam ter favorecido tal estratégia de sobrevivência energeticamente tão custosa? Aliás, uma estratégia que evoluiu duas vezes de forma independente entre os amniotas aviários e mamíferos a partir de duas linhagens distintas derivadas dos reptilianos.

          Obviamente, a alta taxa metabólica (até 30 vezes maior do que nos ectotérmicos) favorece vários comportamentos e traz várias vantagens competitivas, mas entre as hipóteses propostas para o estabelecimento inicial da endotermia, a febre nunca tinha sido considerada um agente de relevância.

          A resposta febril é um traço altamente conservado na evolução animal, com origem provável há cerca de, no mínimo, 600 milhões de anos, e disparada tanto em endotérmicos quanto em ectodérmicos uma vez que os sistemas imunes inatos reconhecem a presença de um patógeno, e por caminhos neurológicos muito similares. Mas, como mencionado, enquanto os endotérmicos conseguem aumentar internamente a temperatura corporal para a febre, os ectotérmicos se valem de uma mudança comportamental, ativamente procurando microclimas mais quentes. E a grande maioria das espécies mostram uma resposta febril, consistente com a ideia de que as funções imunes ótimas dependem de temperaturas maiores do que as tipicamente mantidas pelos vertebrados em condições normais. Além disso, a febre também é adaptativa, levando a um aumento das taxas de sobrevivência e de reprodução.

          O novo estudo argumenta - através de um detalhado modelo de imunidade no contexto da corrida evolucionária - que a presença da endotermia permite que os animais consigam disparar uma notável melhor e mais rápida resposta imune contra patógenos diversos sem depender do ambiente, além de possibilitar um alcance de maior temperatura febril, de forma mais estável e por mais tempo. Os patógenos, ao servirem de pressão seletiva para a fixação da febre, seriam e são, portanto, os responsáveis pelo estabelecimento da endotermia, apesar dos altos custos dessa última. A vantagem da endotermia é ainda mais notável quando comparado os períodos do dia e da noite, como mostrado no gráfico abaixo.


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   FEBREFOBIA

        O grande problema, então, reside na tendência das pessoas em tentar bloquear qualquer indício de febre, especialmente em gripes e resfriados, mesmo que o aumento de temperatura seja mínimo. Com isso, seu sistema imunológico potencialmente perde uma das primeiras ferramentas de combate às infecções. A febre deve ser tratada primeiramente como um sinal, não sendo prudente diminui-la a força como se isso fosse uma estratégia terapêutica. No caso de bebês e pessoas muito debilitadas, por exemplo, quadros de febre pedem visita imediata ao consultório médico, mas não uma medida forçada de abaixá-la antes de consultar o profissional de saúde. Na maioria dos casos, a febre acaba sendo controlada naturalmente, sendo raro ela aumentar muito se deixada agindo sozinha. As pessoas tendem a se preocupar muito com a febre, criando pânico sempre que ela aparece. Para se ter ideia, o consenso médico coloca a febre como sendo uma temperatura corporal (medida via oral) a partir dos já citados 38,3°C. Muitos pais aplicam medicamentos para abaixar a temperatura da criança quando esta nem perto dos 38°C está. Nem sempre é preciso baixar a febre das crianças, se tornando apenas necessário tal medida se o estado febril estiver causando muito desconforto no corpo delas (e a maioria das crianças não se sente desconfortável até temperaturas de 39,5°C a 40°C).

          A febre, em si, não prejudica o organismo a curto prazo, e valores extremamente elevados de temperatura são raros. Em crianças, o corpo só sofrerá danos (incluindo cerebrais) se a temperatura corporal alcançar os cerca de 41-42°C, algo muito infrequente. Em hospitais, a febre é uma das causas de entrada aos atendimentos mais comuns, sendo algo sem substancial gravidade clínica na grande maioria dos casos - muitas vezes nem febre chega a ser. Os médicos até têm um nome para isso: febrefobia. Para alguns quadros de saúde, como pacientes em estado grave durante internações, existem ainda discussões sobre quando ou não controlar um quadro de febre, requerendo, portanto, um balanço de possíveis riscos e benefícios. Nesses pacientes, é possível que a febre possa ter efeitos adversos (desconforto agravado, maior consumo de oxigênio), especialmente quando não possui uma infecção como origem (algo comum nesses casos) (Ref.18). Existem estudos randomizados e de larga escala ainda em progresso - um exemplo é o Randomised Evaluation of Active Control of Temperature vs. ORdinary temperature management (REACTOR) (Ref.17) - que estão justamente investigando o potencial terapêutico da febre (e também da hipotermia).

            Além disso, assim como ocorre com a febre, as pessoas tendem a tomar medicamentos para diminuir qualquer sinal de dor no corpo e indisposição. Mais uma vez, esses são sintomas disparados pelo próprio corpo para obrigar você a ficar de repouso, permitindo que o corpo se concentre apenas em combater a infecção. Quando esses sintomas são bloqueados pelos medicamentos, existe uma falsa impressão de que o corpo está bem, induzindo a pessoa a continuar com suas atividades habituais ao longo do dia. Isso só piora a infecção, já que o organismo perde o foco em detê-la, tendo agora que lidar com um extra de gastos energéticos excessivos e estresse do dia-a-dia.

          Um clássico exemplo disso é quando alguém, com sintomas iniciais de uma gripe ou resfriado, decide ir malhar mesmo assim. No começo, com o corpo mais fraco pela infecção, é difícil levantar os pesos, mas logo a adrenalina, disparada pelo esforço físico, toma conta da situação e mascara os sintomas, fazendo com que a pessoa complete o treino pesado como se fosse um dia qualquer na academia. Mas, quando chega em casa, toma um banho e relaxa, os sintomas voltam com força,  já que a infecção acaba ganhando força por causa da recusa em descansar o corpo e estressá-lo além do limite. Com isso, algo que seria resolvido em 3 dias, acaba levando 1 semana para ser combatido. 

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         A melhor estratégia para se combater as viroses e outras infecções é o repouso, hidratação, alimentação reforçada e medicamentos específicos caso a enfermidade tenha significativa periculosidade, persistência e detrimento (e sempre sob supervisão médica). Entupir-se de medicamentos para abaixar a febre, dor mínima, entre outros sintomas, sem orientação médica, pode ser prejudicial e ainda interrompe uma importante sinalização sobre o quadro do paciente. Aliás, é preciso tomar cuidado com esses medicamentos, porque alguns podem até piorar a doença, como no caso da dengue, onde o ácido acetil salicílico (presente na aspirina, por exemplo) aumenta os riscos de hemorragia. Sempre consulte seu médico antes de tomar qualquer ação terapêutica visando sua saúde ou, especialmente, a saúde dos seus filhos.


Quais medidas tradicionais podem ser usadas para baixar, naturalmente, uma febre alta?
  1.  Compressas com água morna na testa podem.
  2. Compressas de álcool no pescoço NÃO podem, porque o álcool (etanol) em contato com a pele pode ser tóxico e causar irritações.
  3. Chás frios, sucos e maior consumo de água podem, por hidratarem bem o corpo.
  4. Cobrir o corpo com cobertores para aumentar a transpiração NÃO pode, pois irá apenas manter o energia térmica, propiciando aumentos ainda maiores da temperatura corporal.
  5. Usar roupas mais leves pode, pois facilita as trocas de calor com o ambiente, contribuindo para o abaixamento da febre.
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RECOMENDAÇÕES GERAIS - FEBRE

Crianças com menos de 5 anos de idade (Quando chamar um médico ou ir ao hospital):

- Menos de 3 meses de idade: Se a temperatura corporal estiver igual ou superior a 38°C, mesmo se o bebê parecer completamente saudável;

- Entre 3 meses e 2 anos de idade: Se a temperatura corporal estiver igual ou superior a 38,8°C, mesmo se a criança parecer completamente saudável;

- Entre 2 e 5 anos de idade: Se a temperatura corporal estiver igual ou superior a 38,8°C, ou se a febre durar mais do que 3 dias, ou se você está preocupado em relação ao comportamento atípico da criança.

Crianças de 5 anos de idade ou mais, e adultos (Quando chamar um médico ou ir ao hospital):   

- Febre de 40°C ou superior que não diminui dentro de 2 horas após tratamentos em casa;

- Qualquer febre que dure mais do que 3 dias;

- Se a pessoa não está bebendo fluídos ou não consegue mantê-los no sistema digestivo;

- Grandes mudanças de humor e atenção;

- Ocorrências de ataques do tipo 'agitação incontrolável', ´tremores´, ou ´convulsões´;

- Sintomas que melhoram dentro de 24 horas e depois pioram, com mais febre e tosse;

- Ainda age de forma "doente" mesmo depois da febre ter diminuído;

- Sensibilidade incomum dos olhos à luz;

- Pescoço enrijecido ou dor quando a cabeça é curvada para frente;

- Dor de cabeça muito forte;

- Vermelhidão incomum da pele;

- Inchaço severo na garganta;

- Não se sentir bem entre 3 e 5 dias;

- Qualquer outro sintoma incomum ou preocupante;

- Qualquer piora em uma doença já existente no corpo do indivíduo.


          Hidrate bem o corpo (maior consumo de líquidos como água e sucos) e se alimente bem. A taxa metabólica chega a aumentar de 10% a 12,5% para cada 1°C acima do normal.

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   CONVULSÕES FEBRIS

          As convulsões febris ocorrem geralmente em crianças entre 6 meses e 5 anos de idade, sendo eventos disparados pela febre. Nos EUA, de 2 a 5% das crianças antes dos 5 anos de idade terão uma convulsão febril, cerca de 40% dessas últimas terão recorrência e o pico das ocorrências situa-se aos 2 anos de idade. Caracteriza-se por perda de consciência e tremores incontroláveis em ambos as pernas e os braços. Sintomas menos comuns incluem rolamento dos olhos, membros rígidos ou tremores em apenas um lado do corpo. Pode ocorrer de somente a perda de consciência se manifestar. A maioria das convulsões febris irão durar apenas alguns minutos e geralmente são acompanhadas por febres acima de 38,3°C.

         Apesar de ser um evento bastante assustador para os pais, inúmeros estudos ao longo dos anos não mostram danos a longo prazo desses episódios de convulsão. Além disso, ter uma convulsão febril não significa que a criança possui epilepsia, já que esse transtorno é caracterizada por convulsões recorrentes que não são disparadas pela febre. Mesmo prolongadas convulsões (durando mais de 15 minutos) normalmente não resultam em nada grave - mas podem elevar o risco de desenvolvimento de uma epilepsia.

         E não adianta aplicar medicamentos (antipiréticos) que diminuam a febre para prevenir uma convulsão febril, especialmente porque uma criança doente irá ter febres recorrentes nesse período, sendo que muitos medicamentos não funcionam para impedi-las ou diminuem muito pouco - ou muito brevemente - o quadro febril como um todo. Convulsões febris não atingem todas as crianças, apenas uma pequena parcela, e existem fatores genéticos envolvidos, assim como um maior risco associado com uma recorrência se a primeira convulsão ocorreu antes dos 18 meses de idade. Como já dito, ficar diminuindo qualquer sinal de aumento de temperatura corporal ou qualquer febre pode prolongar a doença na criança. Um exemplo para ilustrar essa situação é que em alguns casos a criança pode ter uma convulsão febril sem ter febre, mas logo em seguida essa última acaba acompanhando o episódio. Existem, contudo, certos medicamentos que podem ser administrados em um quadro de febre que diminuam os riscos de uma convulsão febril, mas o balanço de riscos/benefícios em usá-los e a real necessidade dos mesmos devem ser verificadas junto a um profissional de saúde.

         Busque um atendimento médico se o seu filho tiver um episódio de convulsão febril, especialmente se a mesma durar por mais de 5 minutos ou se antes desse prazo a criança demonstrar uma lenta recuperação, e se vier acompanhada de sintomas incomuns, como rigidez no pescoço, letargia extrema ou vômito abundante. No hospital, o médico irá te instruir melhor sobre a situação. Durante a convulsão, coloque a criança em um lugar protegido, para que não ocorram acidentes, e mantenha ela deitada de barriga para cima ou de lado para prevenir sufocações. Retire também qualquer objeto da sua boca para não existir riscos de engasgos.

-> Reforçando:  Drogas antipiréticas não previnem convulsões febris, devem ser reservadas para crianças com desconforto físico, com temperatura acima de 38,2°C, e devem sempre ser usadas em regime de monoterapia, não superpondo ou intercalando drogas diferentes.

       
IMPORTANTE: Qualquer sintoma anormal que vier acompanhado com a febre deve ser tratado com preocupação e procurada ajuda médica com urgência. Não use este artigo como único guia de saúde. Converse com o seu médico sobre o que foi escrito aqui para um melhor aconselhamento. O objetivo deste artigo é mostrar que a febre está longe de ser um inimigo, podendo até ajudar bastante dependendo de cada caso. Trate a febre, no mínimo, como um sinal, e, antes de suprimi-la, vá ao médico caso suspeite de algo mais grave ou se ocorrer no seu filho pequeno em situações atípicas.


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
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  6. http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/280/1766/20131381.short
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  13. Fever: Friende or Foe?
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