Paciente com um cisto dermoide no olho
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| Figura 1. Olho direito do paciente. |
Um jovem de 19 anos compareceu à nossa clínica oftalmológica apresentando uma massa no olho direito, presente desde o nascimento, mas que havia aumentado gradualmente de tamanho. Ele não sentia dor, mas a massa causava alterações visuais, leve desconforto ao piscar e a sensação intermitente de corpo estranho. O exame físico revelou uma massa branca e ovalada, medindo 5 mm por 6 mm, situada sobre o limbo inferotemporal (Fig.1A) e contendo vários pelos escuros (Fig.1B). A acuidade visual era de 20/20 no olho esquerdo e 20/60 no olho direito. A pressão intraocular estava normal.
Os diagnósticos diferenciais incluíam dermoide perilimbar, granuloma por corpo estranho, pterígio atípico e cicatriz corneana. O aspecto da massa, com a presença de pelos, sugeria dermoide perilimbar.
A lesão foi excisada e realizou-se uma ceratoplastia lamelar por razões estéticas. O exame anatomopatológico confirmou o diagnóstico de dermoide perilimbar. Como esperado, houve pouca melhora na acuidade visual após a cirurgia, devido à ambliopia e ao astigmatismo induzido.
O caso foi reportado e descrito em 2013 no periódico New England of Medicine (Ref.1).
Dermoide - ou cisto dermoide - é o crescimento excessivo benigno e congênito de um tecido que se assemelha à pele normal em uma região anatômica não típica (tecido ectópico). Esse tipo de tumor pode ser encontrados em vários órgãos e também afetar estruturas oculares. Os dermoides que estão dentro e ao redor dos olhos são geralmente compostos por pele, cabelo e/ou gordura. Existem dois tipos principais de dermoides associados à região orbital. O epibulbar é encontrado na superfície do olho e o orbitário é normalmente encontrado próximos aos ossos da cavidade ocular.
No caso do dermoide epibulbar, existem dois locais típicos para esse cisto. Um dos locais é na junção da córnea, a parte transparente do olho, e a esclera, a parte branca do olho, chamado de dermoide perilimbar. O outro é na superfície do olho, onde as pálpebras se encontram no canto temporal, que é chamado de dermolipoma (Fig.2A).
Os dermoides perilimbares são raros e afetam a visão e causam alterações visuais devido ao desenvolvimento de astigmatismo, à invasão do eixo visual e à infiltração de componentes adiposos na córnea. Consistem em proliferações de anexos epidérmicos, tecido conjuntivo, pele, gordura, glândulas sudoríparas, glândulas lacrimais e tecido neurológico, localizados parcialmente sobre a córnea e parcialmente sobre a esclera (Ref.3). Clinicamente, apresentam-se em formato de cúpula, com superfície queratinizada e, por vezes, com a presença de folículos pilosos e cílios.
Os cistos perilimbares podem ser removidos para melhorar a aparência do olho (fator estético) e diminuir uma possível irritação ou outros problemas oculares (ex.: anomalias lacrimais). São removidos em um procedimento cirúrgico no qual o cirurgião retira o dermoide da superfície da córnea e da esclera. Às vezes, o dermoide se estende para a esclera e / ou córnea e deve-se tomar cuidado para evitar a entrada no olho ao retirá-lo. Após a excisão, o local onde o dermoide ficava pode ser coberto por um pedaço de córnea transplantada.
REFERÊNCIAS
- Fard & Pourafkari (2013). The Hairy Eyeball — Limbal Dermoid. New England Journal of Medicine 2013, 368 (1), 64–64. https://doi.org/10.1056/NEJMicm1208993
- https://sbop.com.br/paciente/doenca/cisto-dermoide/
- Yuan et al. (2017). New Grading System for Limbal Dermoid: A Retrospective Analysis of 261 Cases Over a 10-Year Period. Cornea, 37(1):66–71. https://doi.org/10.1097/ICO.0000000000001429
- https://www.aao.org/education/image/limbal-dermoid-6


