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Paciente com molusco contagioso gigante

Figura 1. Aspecto macroscópico de um molusco contagioso (MC) genital gigante. (A) Nódulo em forma de cúpula com 1,5 cm de diâmetro e dois MCs típicos com um centro umbilicado no lado direito da base do pênis. (B) Cicatriz imediatamente após a remoção do MC gigante sem sangramento. (C) MC gigante imediatamente após a remoção. Ref.1

          Um homem de 27 anos de idade apresentou-se ao hospital com histórico de dois meses de uma massa genital crescente. Um nódulo em forma de cúpula, de 1,5 cm, estava presente no lado direito da base do pênis. Além disso, havia duas pápulas (3 mm e 4 mm) com centros umbilicados, típicas de molusco contagioso (MC), próximas (Fig.1A). Os dois MCs típicos foram removidos por curetagem. O exame do nódulo maior revelou que a epiderme na base da cúpula era muito macia, quebradiça e frágil. No entanto, não apresentava um centro umbilical aparente; portanto, foi diagnosticado MC gigante. Os diagnósticos diferenciais incluíram cistos epidermoides, abscessos, granulomas e lipomas. A lesão foi delicadamente removida com pinça, sem sangramento ou dor (Fig.1B-C).

          O paciente mantinha um relacionamento monogâmico há três anos; entretanto, o histórico de MC da sua parceira era desconhecido. Os médicos aconselharam o paciente a também verificar a presença da doença em sua parceira. Ele não tinha histórico de relações sexuais desprotegidas ou doenças sexualmente transmissíveis, incluindo MC. No exame físico, apresentava-se saudável, sem alterações, e o teste de antígeno-anticorpo para HIV deu negativo.

          Análise histopatológica revelou uma lesão epidérmica suprabasal composta por grandes "corpos de molusco contagioso" com inclusões citoplasmáticas granulares e eosinofílicas. Não foi observada inflamação significativa (Fig.2).

 

Figura 2. Achados histopatológicos (coloração com hematoxilina e eosina, ampliação de 200x). Observa-se uma lesão epidérmica suprabasal constituída por corpos de molusco contagioso e pequenos núcleos excêntricos, sem inflamação significativa. Ref.1

          O período pós-tratamento transcorreu sem intercorrências, sem recidivas durante o período de acompanhamento de três meses. 

          O caso foi reportado e descrito em 2025 no periódico Cureus (Ref.1).


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MOLUSCO CONTAGIOSO

          O molusco contagioso (MC) é uma infecção cutânea causada por um vírus (MCV) da família Poxviridae com quatro subtipos:  MCV-1, MCV-2, MCV-3 e MCV-4. Cerca de 75-90% dos casos envolvem o subtipo MCV-1 (Ref.3). A infecção afeta com mais frequência crianças e adolescentes, mas o vírus pode facilmente infectar adultos, principalmente quando há imunossupressão associada. Qualquer pessoa pode ser infectada, mas o MC é mais comum em crianças entre 1 e 10 anos de idade (Ref.4). O vírus circula mais comumente em climas quentes e úmidos, onde a incidência da doença pode chegar a 20% da população infantil. Eczema é outro fator significativo de risco para a infecção.

 

Figura 3. Micrografia eletrônica de alta resolução mostrando as características típicas do vírus do molusco contagioso (MCV), consistindo no envelope externo e no nucleoide interno em forma de haltere, denso aos elétrons. Trata-se de um vírus de DNA de fita dupla que se replica no citoplasma das células epiteliais hospedeiras. (Referência)

          Altamente contagioso, a transmissão do vírus se dá, principalmente, por contato direto (ex.: tocar no corpo de alguém infectado) e autoinoculação. Relação sexual (contato íntimo) é frequentemente o modo de transmissão entre adultos. A transmissão também ocorre ao tocar em objetos contaminados com o vírus, como toalhas, roupas, brinquedos ou equipamentos de piscina usados por alguém com molusco.   

          O MC causa pequenas protuberâncias (lesões) elevadas chamadas "moluscos" que:

- geralmente têm aparência branca, rosa ou da mesma cor da pele;

- são firmes ao toque, às vezes com uma depressão no centro (umbilicação central);

- podem aparecer em qualquer parte do corpo, mas raramente nas palmas das mãos ou solas dos pés;

- têm aproximadamente o tamanho da cabeça de um alfinete ou da borracha de um lápis.

 

Figura 4. O molusco contagioso é caracterizado por pequenas pápulas discretas, cerosas, da cor da pele e em forma de cúpula, com diâmetro médio de 3 a 5 mm. O número de lesões individuais geralmente é inferior a 20 em pacientes imunocompetentes, mas ocasionalmente podem ocorrer 100 ou mais. Quando as lesões são pressionadas ou traumatizadas, um material cremoso, branco-acinzentado, pode ser expelido. Raramente, o molusco contagioso causa lesões nas palmas das mãos e plantas dos pés, ou em membranas mucosas como os lábios, mucosa bucal, conjuntiva, ou em condilomas negativos para o papilomavírus humano. Ref.7

Figura 3. Manifestação atípica do molusco contagioso na pálpebra esquerda de um homem de 25 anos de idade. Exame com lâmpada de fenda revelou uma pápula em forma de cúpula, da cor da pele (4 × 4 mm), com uma umbilicação central. O paciente foi orientado a evitar o contato da pele com outros membros da família; suas toalhas e lençóis foram mantidos separados. Tratamento tópico com tobramicina resolveu a lesão dentro de 1 semana e sem recorrência após 1 e 9 meses de acompanhamento. Ref.5

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> O molusco contagioso é classificado como "gigante" quando as lesões excedem 5 mm em crianças ou 1 cm em adultos.

> As lesões podem ser assintomáticas ou causar coceira, dor, vermelhidão ou inchaço. Ocorrem de forma isolada ou, mais comumente, como múltiplas lesões agrupadas.

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          Em pacientes imunocompetentes, a infecção é benigna e autolimitada, resolvendo-se espontaneamente com o tempo sem a necessidade de tratamento. Normalmente desaparecem em seis meses a um ano, mas também podem levar mais tempo. Geralmente não deixam cicatrizes.

          No caso de lesões ao redor dos genitais (pênis, vulva, vagina ou ânus), tratamento é geralmente recomendado. Para uma revisão das terapias físicas (ex.: curetagem) e tópicas (ex.: berdazimer 10,3%) visando o molusco contagioso, acesse a Ref.6.

          Indivíduos afetados não devem tentar remover as lesões ou o fluido dentro das lesões por conta própria. Isso pode espalhar a infecção para outras áreas do corpo ou causar uma infecção bacteriana secundária.

          Vários fatores podem contribuir para a disseminação e a persistência da infecção por MC, entre eles, algumas condições, circunstâncias ou doenças que geram alteração da imunidade sistêmica e cutânea. 


REFERÊNCIAS

  1. Ono et al. (2025). Genital Giant Molluscum Contagiosum in an Immunocompetent Male Patient: A Case Report and Literature Review. Cureus 17(7): e88410. https://doi.org/10.7759/cureus.88410
  2. Seize et al. (2011). Estudo da correlação entre molusco contagioso e dermatite atópica em crianças. Anais Brasileiros de Dermatologia, 86(4). https://doi.org/10.1590/S0365-05962011000400006
  3. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12767985/
  4. https://www.cdc.gov/molluscum-contagiosum/about/index.html
  5. Yao et al. (2025). Clinical Diagnosis and Novel Treatment of Eyelid Molluscum Contagiosum. Case Reports in Infectious Diseases. https://doi.org/10.1155/crdi/9730930
  6. Mukovozov et al. (2026). Treatments for Molluscum contagiosum: A systematic review. JDDG. https://doi.org/10.1111/ddg.70100
  7. Chen et al. (2013). Molluscum Contagiosum Virus Infection. The Lancet Infectious Diseases 13 (10), 877–888. https://doi.org/10.1016/S1473-3099(13)70109-9