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Qual é o maior assassino de pássaros do mundo?

     

         Não é novidade que o nosso ecossistema vem sofrendo bastante nas nossas mãos. E nem mesmo os céus estão livres da nossa presença. Nossa sociedade é uma grande exterminadora de seres alados, especialmente os pássaros. E é de uma forma pouco notada por nós que mais matamos nossos queridos pássaros: através dos vidros nas nossas janelas! Nesse texto, irei mostrar dados norte-americanos para assustar vocês com uma verdade bem triste. Vou usar dados (1) dos EUA, porque é onde pesquisas desse tipo são mais feitas, possuindo valores bem confiáveis. Usarei as estimativas máximas, as quais, segundo a maior parte dos estudos, são as que melhor correspondem à verdade (2).
O explosivo número de gatos domésticos é uma grande ameaça às aves
           Vamos começar. Nossa grande afeição por gatos, fez com que a sua população aumentasse de forma incrível, com grande parte das casas americanas tendo uma. Os gatos domésticos são responsáveis por centenas de milhões de mortes de pássaros todos os anos, só nos EUA. Depois, vêm as linhas de força, que matam entre 130 milhões e 174 milhões de pássaros todos os anos no país, através de violentos choques. O próximo são os pesticidas, com mortes ao redor de 70 milhões.  Em seguida, os automóveis, no meio das estradas, interceptam fatalmente entre 60 e 80 milhões. As torres iluminadas de comunicação, ao confundir e cegar essas aves, levam estas à colisões mortais com elas, matando entre 40 e 50 milhões. As turbinas de vento vem por último, matando um estimado entre 100 e 300 mil. E o grande assassino de todos: as janelas de vidro ( especialmente de grandes edifícios) matam algo próximo de 1 bilhão de pássaros todos os anos! Bem, a pergunta que fica é: como?

As janelas de vidro dos prédios e casas são armadilhas mortais para os pássaros

             Os vidros que compõem as janelas dos edifícios e casas são, obviamente, transparentes, ou com um significativo grau de transparência, em sua maioria. Os pássaros não evoluíram, e nem todos têm inteligência suficiente, para aprenderem que, se você consegue ver algo por trás de um certo material, isso pode significar a existência de uma barreira física ali. Na natureza não existem, naturalmente, sólidos assim no meio das rotas de voo. Milhões de anos de evolução ocorreram sem a presença de vidro e não é em algumas séculos, que as coisas vão mudar no entendimento dessas espécies. Com isso, muitos pássaros, em alta velocidade de voo, batem com vontade neles, na esperança inicial de chegarem ao outro lado. A maioria das pessoas não percebem o ocorrido por pensarem que as batidas são frutos do vendo ou qualquer outra coisa. E elas acabam não vendo os pássaros mortos porque algum animal ou serviço de limpeza acaba coletando-os antes.

                O principal horário das colisões fatais é à  noite, quando a iluminação das cidades atraem
pássaros migratórios para as baixas altitudes urbanas. Antes orientados pela lua e outros corpos
celestes, as aves passam a ficar confusas com a iluminação caótica, e acabam ignorando as
vidrarias. De dia, os choques são menos frequentes, devido ao reflexo mais intenso da luz
solar. Os pássaros locais, porém, não costumam ser afetados, por já conhecerem a arquitetura da
região.

Uma triste, mas comum cena: marcas características de uma colisão de um pássaro com esta janela

            É importante também comentar sobre as turbinas de vento, as quais são as responsáveis por captar as energia eólica e transformá-la em eletricidade. Assim como os painéis solares, elas são um fonte completamente limpa de energia elétrica, mas, infelizmente, acabam causando muitas fatalidades em pássaros. A exemplo do caso do vidro, esses animais não estão acostumados com essas gigantescas estruturas, e suas pás giratórias, no meio do caminho. O que muitos podem estranhar é como os pássaros ( e também morcegos!...Morcegos em risco na América!) acabam sendo atingidos por pás tão ´lentas´. Por causa do enorme tamanho dessas pás, parecesse que elas estão girando lentamente quando vistas em vídeos ou de longe. Mas a maioria ultrapassa velocidades tangenciais, nas pontas das pás, de 300 km/h! Um pássaro passando entre elas não teria muitas chances. Isso é pior ainda para as aves de rapina ( as mais prejudicadas pelas turbinas), pois elas tendem a voar olhando fixamente para baixo, na busca de presas, fato que distraí bastante elas de uma repentina pá gigante surgindo do nada. E, por bem e por mal, as turbinas de vento estão crescendo exponencialmente em número, especialmente nos EUA e Europa, o que pode significar um problema sério no futuro.

As turbinas de vento são muito maiores do que imaginamos; sua altura alcança os 100 metros e, cada pá, chega a ter mais de 40 metros! A velocidade tangencial nas pontas das pás podem facilmente passar um carro de Fórmula 1

            O pior é que não há discriminação entre os pássaros que morrem em todos esses casos apresentados. Tanto espécies abundantes quanto espécies ameaçadas de extinção são mortas da mesma maneira, o que representa uma tragédia para a população desses animais. No caso dos vidros, fica fácil de solucionar o problema, colocando padrões que avisem os pássaros da presença de uma barreira ali ou fazer vidros que causem maior reflexo da luz. Em relação às turbinas de vento, ainda é difícil achar uma solução, assim como os atropelamentos, pesticidas ( bem, seria não usá-los, mas isso é algo impossível com o sistema de agricultura atual), gatos e linhas de força.

              Ah, e outra coisa: os dados de mortalidade apresentados no começo, como eu disse, são apenas do território dos EUA. Imagina agora se analisarmos o planeta inteiro! Entenderam, agora, a dimensão do problema?

(2) Um estudo publicado em 2013 no Canadá (Ref.7), estimou que algo em torno de 25 milhões de pássaros morram no país anualmente.

(1) REFERÊNCIAS
  1. http://www.fws.gov/birds/bird-enthusiasts/threats-to-birds.php
  2. http://www.sibleyguides.com/conservation/causes-of-bird-mortality/
  3. http://www.muhlenberg.edu/media/contentassets/images/academics/biology/biology/faculty/klem/aco/documents/BirdObserver2006.pdf
  4. http://www.jstor.org/stable/4513511?seq=1#page_scan_tab_contents
  5. http://www.jstor.org/stable/4513512?seq=1#page_scan_tab_contents
  6. https://peerj.com/articles/621/
  7. https://www.researchgate.net/profile/Craig_Machtans/publication/260163261_A_First_Estimate_for_Canada_of_the_Number_of_Birds_Killed_by_Colliding_with_Building_Windows/links/0deec52fd0ced536c0000000.pdf