Onde ocorre a reprodução das baleias Jubartes no Brasil?
![]() |
| Figura 1. "Uma baleia jubarte em sincronia com o Pão de Açúcar". |
- Atualizado no dia 20 de abril de 2025 -
A baleia-jubarte ou simplesmente jubarte (Megaptera novaeangliae) é um cetáceo migratório - exceto na população do Mar Arábico -, se reproduzindo e engordando filhotes em águas mais quentes de baixas latitudes durante o inverno (regiões tropicais e subtropicais) e se alimentando em águas mais frias durante o verão (principalmente em regiões polares) (!). Animais cosmopolitas, esse cetáceo é encontrado por todo o oceano Atlântico.
Em áreas de parto, jubartes frequentemente se concentram em zonas costeiras, ilhas e ambientes de recife. Proximidade das regiões costeiras assegura águas rasas e proteção contra predadores, fornecendo condições ideais para baleias amamentarem e cuidarem dos filhotes recém-nascidos.
----------
> Durante longos períodos de migração e de lactação, jubartes basicamente não se alimentam (jejum), dependendo da reserva adiposa acumulada durante período de alimentação nas altas latitudes. Uma típica fêmea lactante (12,4 m e 29 mil toneladas) perde ~21% da massa corporal (~6100 kg) durante ~90 dias de alimentação do filhote em baixas latitudes. Nesse mesmo período de tempo, o filhote ganha ~3200 kg, representando uma eficiência de conversão de massa corporal de 52%. Ref.6
Leitura recomendada:
> Durante migrações anuais, jubartes adultas podem perder 36% da gordura corporal, equivalente à energia obtida após consumo de 57 toneladas de krill antártico ou à queima de 5 toneladas de gordura. Ref.7
> As populações de jubartes ao redor do mundo compreendem pelo menos 16 grupos distintos.
----------
Aqui no Brasil, a jubarte se reproduz no litoral central e nordeste, desde o Rio de Janeiro até o Rio Grande do Norte. O Banco dos Abrolhos é considerado a principal área de reprodução da espécie, onde o complexo recifal associado fornece ótima proteção natural para os filhotes, além de águas quentes e calmas na região aparentemente serem vitais para essa fase de crescimento e engorda dos neonatos (!). A população que inverna no litoral brasileiro foi estimada em 6250 indivíduos em 2005 e corresponde a aproximadamente 30% do seu tamanho pré-exploratório (antes do período histórico de intensa pesca baleeira).
![]() |
| Figura 3. A baleia-jubarte dá à luz a apenas um filhote a cada dois a três anos com 11 a 12 meses de gestação. Nascem com aproximadamente 4 metros pesando 1 tonelada. São mamíferos que bebem o leite em bocadas por ser muito denso. Ele toca gentilmente as mamas da mãe que jorra o grosso líquido na água e bebem em média de 100 a 400 litros de leite por dia! É o leite mais rico dos mamíferos e o desmame ocorre por volta dos 10 meses. Na fase adulta podem chegar a 40 toneladas. Referência e foto: SeaShepherd.org |
-----------
(!) Para espécies de cetáceos que parcelam suas atividades em áreas de reprodução e áreas de forrageio são levantadas duas hipóteses: a primeira explica que as temperaturas mais altas são vitais para desenvolvimento dos filhotes em seus estágios iniciais de vida, enquanto a segunda leva em conta a evasão para diminuir a predação natural por orcas.
- Primeiro registro visual de atividade sexual entre baleias-jubartes ... e eram dois machos
- Hafgufa: Criatura Mitológica ou atípica tática de caça de baleias rorquais?
- Qual a quantidade de alimento que uma baleia consome diariamente?
> Durante a temporada reprodutiva, as jubartes adultas não se alimentam, logo a carência energética e diminuição da atividade dos hormônios da reprodução podem ser agentes desencadeadores da movimentação destes animais de volta as regiões de alimentação (águas mais frias).
![]() |
| Figura 4. Jubarte saltando sobre o mar de Varanger, na Noruega. É ainda incerta a função ou funções desse comportamento entre os misticetos. Ref.9 |
REFERÊNCIAS
- Andriolo et al. (2010). "Migração de baleias-jubarte: o que falta conhecer?" Revista de Etologia, Vol. 9, No. 2. Link do paper
- Gonçalves et al. (2018). Movement patterns of humpback whales (Megaptera novaeangliae) reoccupying a Brazilian breeding ground. Biota Neotropica, 18(4). https://doi.org/10.1590/1676-0611-BN-2018-0567
- Martins et al. (2022). Distribuição espacial de avistamentos de baleias jubarte Megaptera novaeangliae (Borowski: 1781) (Cetacea: Balaenopteridae) na zona costeira do Brasil. Research, Society and Development, v. 11, n. 10, e109111032463. http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v11i10.3246
- https://www.fisheries.noaa.gov/species/humpback-whale
- Meynecke & Bie (2024). The role of environmental drivers on humpback whale breeding, feeding, resting and migration. Science Talks, Volume 10, 100358. https://doi.org/10.1016/j.sctalk.2024.100358
- Christiansen et al. (2025). Extreme capital breeding for giants: Effects of body size on humpback whale energy expenditure and fasting endurance. Ecological Modelling, Volume 501, 110994. https://doi.org/10.1016/j.ecolmodel.2024.110994
- Bernier-Graveline et al. (2025). Drone-Based Photogrammetry Provides Estimates of the Energetic Cost of Migration for Humpback Whales Between Antarctica and Colombia. Marine Mammal Science, e70048. https://doi.org/10.1111/mms.70048
- Segre et al. (2020). Energetic and physical limitations on the breaching performance of large whales. eLife, 9:e51760. https://doi.org/10.7554/eLife.51760
- Harman et al. (2025). 2025 joint BMC ecology and evolution and BMC zoology image competition: the winning images. BMC Ecology and Evolution 25, 80. https://doi.org/10.1186/s12862-025-02423-6
- Campana et al. (2023). Analysis of environmental, social, and anthropogenic factors as potential drivers of breaching behavior in the Mediterranean fin whale. Marine Mammal Science, Volume 39, Issue 3, Pages 740-756. https://doi.org/10.1111/mms.13000
- Fournet & Schulze (2026). The Effect of Ambient Noise on Humpback Whale Breaching Behavior on a Southeast Alaskan Foraging Ground. Marine Mammal Science, Volume 42, Issue 2, e70148. https://doi.org/10.1111/mms.70148
- Serres et al. (2023). Context of breaching and tail slapping in Indo-Pacific humpback dolphins in the northern South China Sea. Behavioral Ecology and Sociobiology 77, 64. https://doi.org/10.1007/s00265-023-03337-3
- Klimley et al. (2025). "A review of elasmobranch breaching behavior: why do sharks and rays propel themselves out of the water into the air?" Environmental Biology of Fishes 108, 441–481. https://doi.org/10.1007/s10641-024-01584-5
- Seminara et al. (2019). Interações entre cetáceos e pescadores artesanais de Ilhéus, Bahia - Brasil. Biota Neotropica, 19(4). https://doi.org/10.1590/1676-0611-BN-2019-0742




