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O que são membranas pupilares persistentes?


- Atualizado no dia 2 de março de 2026 -

          Um adolescente de 15 anos de idade foi apresentado ao oftalmologista, em Chennai, na Índia, com uma visão reduzida em ambos os olhos. A melhor acuidade visual corrigida do paciente, determinada com o uso da tabela de Snellen, foi de 20/20 no olho direito e de 20/60 no olho esquerdo, com ambliopia anisometrópica no olho esquerdo. Uma avaliação de rotina com uma lâmpada de fenda (biomicroscópio ocular) mostrou evidência de membrana pupilar persistente em ambos os olhos, como mostrado nas imagens acima. 

          Essa membrana representa remanescentes da túnica vascular do olho, a qual é o suprimento sanguíneo para as lentes em desenvolvimento do feto e que possui origem mesodérmica. Remanescentes dos capilares podem persistir como pequenas faixas anexadas ao colarete da íris. A visão geralmente não é afetada, mas ocasionalmente membranas espessas e persistentes podem causar ambliopia por privação (ex.: privação de estímulo luminoso à retina por causa de qualquer meio de opacidade, levando à ambliopia), a qual pode ser tratada com agentes midriáticos (que dilata a pupila), excisão cirúrgica, ou lise laser-induzida.

          É a anormalidade congênita da íris mais comumente observada em recém-nascidos. E a taxa de prevalência é alta, com 95% dos recém-nascidos sendo afetados (Ref.2). No entanto, raramente possui impacto visual significativo porque regressão das membranas é geralmente completada antes do primeiro ano de vida. Remanescentes em algum grau de extensão nas margens pupilares são um achado comum em crianças mais velhas e adultos, mas sem significância clínica. A persistência dessas membranas geralmente é um achado isolado, mas pode também estar associada a outras anormalidades congênitas em alguns casos, incluindo catarata congênita e glaucoma.

          Em quase metade dos casos de importância clínica, a condição parece causar estreitamento, descentração e deformação da pupila, enquanto o cristalino aparentemente permanece transparente na maioria (~84%) dos casos (Ref.3). Podem ser classificadas como leves (filamentos não obstrutivos) ou graves (camadas densas que bloqueiam o eixo visual ou aderem às estruturas oculares).
 
Criança da Província de Gansu, uma área rural na China, com membrana pupilar persistente e extensiva nos olhos direito (A) e esquerdo (B), exibindo uma aparência densa e similar a uma "teia de aranha". As fotos foram obtidas durante uma biomicroscopia, onde a pupila é dilatada com a luz da lâmpada de fenda. A criança possuía baixa capacidade visual e evitava iluminação excessiva. Devido à grande obstrução visual e ausência de melhora visual com correção refrativa, intervenção cirúrgica foi realizada para a remoção das membranas. Ref.4


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          Voltando ao caso inicial, o paciente foi tratado com a aplicação de uma faixa sobre os olhos por algumas horas diariamente (para forçar ao máximo a abertura da pupila, e facilitar a remoção natural das membranas). Uma avaliação 3 meses após a apresentação mostrou que a acuidade visual no seu olho esquerdo melhorou significativamente, passando para 20/40.

       O caso foi reportado em 2017 no periódico The New England Journal of Medicine (Ref.1).

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> A cirurgia para o tratamento das membranas pupilares persistentes é o último recurso devido aos riscos da anestesia geral, sangramento intraoperatório, formação de catarata iatrogênica e endoftalmite pós-operatória.

> A ambliopia por privação é um tipo severo de "olho preguiçoso" causado por obstáculos físicos que impedem a luz de chegar à retina durante a infância, bloqueando o desenvolvimento visual.

> A membrana pupilar persistente tem sido descrita em humanos, cães ratos e felinos. Ref.7

A lâmpada de fenda consiste num microscópio binocular, montado sobre uma mesa, que emite uma luz brilhante, permitindo ao médico examinar a totalidade do olho com uma alta resolução.
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Referências:
  1. Gokhale & Agarkar (2017). Persistent Pupillary Membrane. NEJM, 376:561. https://doi.org/10.1056/NEJMicm1507964
  2. Huang & Lin (2021). Long term surgical outcome for persistent pupillary membranes with associated ocular abnormalities: a retrospective case series study. BMC Ophthalmology 21, 232. https://doi.org/10.1186/s12886-021-01990-8
  3. Bobrova et al. (2025). Manifestations of persistent pupillary membrane. International Ophthalmology 45, 63. https://doi.org/10.1007/s10792-025-03436-2 
  4. Lu et al. (2025). A rare case report of bilateral persistent pupillary membranes: Surgical intervention restoring vision in a young child. Science Progress. https://doi.org/10.1177/00368504251357183
  5. Tong et al. (2025). Bilateral Congenital Persistent Pupillary Membranes: A Case Report. Volume 13, Issue 7, e70609. https://doi.org/10.1002/ccr3.70609
  6. Dalegrave, S. (2021). Membrana pupilar persistente em felino: Relato de caso. Pubvet, v. 15, n. 10. https://doi.org/10.31533/pubvet.v15n10a934.1-4