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Afinal, o Abominável Homem-das-Neves é uma lenda ou pode ser real?


       O Ieti - ou Yeti ou Abominável Homem-das-Neves - supostamente seria uma criatura similar a um primata e maior do que um humano que estaria habitando as regiões montanhosas da Ásia. Fazendo profunda parte do folclore do Nepal e do Tibete, por séculos diversos avistamentos já foram reportados e sinais como ossos, pelos e pegadas são usados por muitos para comprovar a real existência dessas criaturas, fomentando histórias que são passadas de geração para geração. Mas existe alguma plausibilidade científica nessa história?

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   FEBRE DO IETI

      Em 1951, um explorador Britânico chamado Eric Shipton procurando por uma rota alternativa para o Monte Everest encontrou uma estranha pegada de 33 centímetros que lembrava a de um hominoide. Ele, então, tirou uma foto da pegada e, quando ela se disseminou pelo mundo, o mistério do Ieti - uma palavra Sherpa para 'homem selvagem' - tomou conta da imaginação e fascínio das pessoas da década de 1950. Ninguém estava nem mesmo questionando a veracidade da pegada.


        A partir daí, várias expedições foram enviadas para a busca da misteriosa criatura humanoide, a qual alguns acreditavam viver nas Montanhas do Himalaia. A mídia agarrou a história com força, com uma das mais importantes matérias sobre o assunto sendo publicadas no jornal Britânico Daily Mail, em 1954. Já nessa época o Ieti tinha ganhado o apelido de Abominável Homem-das-Neves, e diversos reportes de avistamentos e supostas sólidas evidências da sua existência estavam se acumulando. Um dos mais famosos nomes que investiu em diversas expedições em busca do Ieti foi o empresário Norte-Americano de petróleo Tom Slick. Uma das expedições de Slick tinha 500 carregadores e consumiu 6 meses de exploração, e até mesmo empregou cães de caça para rastrear o cheiro da criatura.

        Aliás, toda essa euforia na busca do Ieti levou o governo do Nepal, em 1959, a emitir regulações para as expedições exploratórias - via embaixada dos EUA - , incluindo:

- Pagamento ao governo Nepalês por uma permissão (5000 rupees, cerca de 1100 dólares hoje);

- Proibição de matar o Ieti se encontrado, sendo permitido apenas capturá-lo ou fotografá-lo;

- Obrigação de entregar para as autoridades Nepalesas quaisquer fotos ou informações referentes ao avistamento do Yeti.


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   ESTUDOS CIENTÍFICOS

         Análises averiguando a veracidade dos reportes relativos ao Ieti, em geral, consideram a existência do Ieti como uma simples lenda, dada a falta de conclusivas evidências de suporte. A maior parte dos estudos científicos sobre o assunto apontam que o cenário mais provável é que os supostos avistamentos e evidências sendo reportados não passem ou de imaginação ou de outros animais comuns na região, como ursos.  E, recentemente, um grande estudo na área derrubou ainda mais a esperança daqueles fascinados com o Ieti.

       Pesquisadores estudando a evolução dos ursos na Ásia - em um time liderado pela bióloga evolucionária Charlotte Lindquvist, da State University of New York, em Buffalo -, resolveram investigar essas alegadas 'provas' de existência do Ieti, através das mais sofisticadas técnicas de análise genética e o maior esforço científico já realizado em estudos do tipo.

        As rigorosas análises de nove amostras suspeitas de pertencerem à mítica criatura - entre pelos, pele, ossos, dentes e amostras fecais -, coletadas nos Himalaias e no Plateau Tibetano, mostraram que oito delas eram de Ursos-Pretos-Asiáticos (Ursus thibetanus laniger), Ursos-Pardos-do-Himalaia (Ursus arctos isabellinus) ou Ursos-Pardos-Tibetanos (Ursus arctos pruinosus), e que uma última pertencia a um cão. Basicamente, o estudo sugere que todas os supostos sinais de Ieti possuem origem quase sempre de ursos, os quais são abundantes na região (apesar de muitas espécies estarem ameaçadas de conservação).


         Os resultados do novo estudo vêm para reforçar outros achados científicos de mesma natureza, especialmente dois estudos de 2014, no qual pelos encontrados nos Himalaias, e reportados como sendo de um Ieti, eram, na verdade, ou de um urso-polar (Ursus maritimus) do Paleolítico ou de um Urso-Pardo-do-Himalaia - nesse último caso, seria dessa subespécie caso as amostras de pelo estivessem com o seu DNA degradado por má conservação (Ref.2-3).

         Em outras palavras, se você resolver explorar as montanhas geladas da Ásia, não tente conversar com nada peludo do seu tamanho ou maior correndo na sua direção. Ursos costumam estar famintos nessas regiões quando não estão hibernando (Risos).


REFERÊNCIAS
  1. https://news.nationalgeographic.com/2017/08/yeti-abominable-snowman-bear-daniel-taylor/
  2. https://www.archives.gov/press/press-releases/2018/nr18-02
  3. http://time.com/4090520/us-government-hunt-yeti/
  4. http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/284/1868/20171804
  5. http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/281/1789/20140161
  6. http://rspb.royalsocietypublishing.org/content/282/1800/20141712
  7.  http://www.buffalo.edu/news/releases/2017/11/037.html