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Vaquita


Aqui, estamos diante de um dos animais mais ameaçados de extinção do mundo. A espécie em questão é a Vaquita (Phocoena sinus), um raríssimo cetáceo - no caso, um tipo de golfinho - endêmico do Golfo da Califórnia, México. Pouco sociável, é raro vê-lo acompanhado por outros da espécie, e é difícil de ser avistado no mar devido ao fato do mesmo gastar um ínfimo tempo na superfície para respirar, e de forma bastante tímida. Possui um comprimento médio de 1,5 m, peso entre 45 e 50 kg, e uma expectativa de vida de 21 anos. Com um corpo bem único, se alimenta de peixes, lulas e crustáceos. E, infelizmente, estão a um passo de desaparecerem do planeta.

Para tentar salvar a espécie, um plano de emergência foi esboçado pelo Comitê Internacional de Recuperação da Vaquita (CIRVA) e aprovado este ano. O plano ficou conhecido como VaquitaCPR (CPR - Conservação, Proteção e Recuperação) e receberá US$3 milhões do governo mexicano. Outros US$1 milhão de dólares foi doado pela Associação de Aquários e Zoológicos em Silver Spring, Maryland, EUA.

Em 1997, estudos estimaram que existiam cerca de 597 indivíduos restantes da espécie. Em 2015, as estimativas caíram para menos de 60 indivíduos. E, agora, é estimado que existam apenas 30 indivíduos no mundo! É agora ou nunca um plano para salvá-los, ou eles desaparecerão a qualquer momento!

Filhote de Vaquita na superfície

A estratégia do plano de recuperação consistirá em localizar e capturar os últimos indivíduos restantes e tentar fazer a população deles crescer em um ambiente controlado, livre de ameaças. Como nenhuma criação anterior desse animal havia sido feita, a ação será arriscada, mas nessa atual situação, será o tudo ou o nada. Essa mesma estratégia deu certo com o Condor-Californiano (Gymnogyps californianus), este o qual tinha uma população total de apenas 27 indivíduos na década de 1980.

A tarefa de localização e captura vai ser difícil, porque além das vaquitas serem difíceis de serem avistadas, seu número populacional (30) espalhado por uma área superior a 2000 quilômetros quadrados não ajuda em nada. Radares para localizarem os sons emitidos por esses animais (também usados para estimar o número total deles na área) serão usados. E mais um detalhe: as vaquitas só gostam de nadar sozinhas ou, no máximo, em pares, e poucas vezes foram vistas em grupos com mais de 7 indivíduos - especialmente agora.

A principal ameaça para as vaquitas são as redes de pesca, as quais acabam aprisionando diversas espécies além dos peixes visados. Apesar das mesmas serem proibidas nas regiões onde as vaquitas vivem, estas continuam desaparecendo, tendo-se pensado até em um completo banimento dessa prática de pesca em uma área muito maior no Golfo da Califórnia. O principal peixe ali na região que continua atraindo muitos pescadores é o grande Totoaba (Totoaba macdonaldi), o qual rende milhares de dólares no mercado negro chinês.

Vaquita morta ao ser apanhada por uma rede de pesca

Em outras palavras, o ser humano está quase causando outra extinção. Felizmente, temos muitos ainda que se importam com o meio ambiente e estão comprometidos em fazerem a diferença.


ATUALIZAÇÃO (16/10/17): Pesquisadores começaram, há dois dias, a desesperada tentativa de capturar entre 10 e 12 espécimes de Vaquita para tentar salvar a espécie da extinção. (Ref.5).


Referências:
1. http://www.nature.com/news/last-ditch-attempt-to-save-world-s-most-endangered-porpoise-gets-go-ahead-1.21791
2. https://www.eurekalert.org/pub_releases/2017-01/nmmf-iea011717.php

3. http://www.oers.ca/journal/volume8/issue1/article1.pdf
4. http://www.iucnredlist.org/details/17028/0
5. http://www.sciencemag.org/news/2017/10/hail-mary-disappearing-vaquita

Imagem de capa: Pinterest

*´Peso´, neste artigo, está se referindo ao uso popular da palavra, ou seja, para indicar a ´massa´ do corpos aqui na Terra (já que a variação da força-peso na superfície do nosso planeta é bem pequena)