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Afinal, os Dragões-de-Komodo são peçonhentos ou não?



           O Dragão-de-komodo (Varanus komodoensis), também conhecido como Crocodilo-da-Terra, é a maior espécie de lagarto atualmente, podendo ultrapassar os 3 metros de comprimento e alcançar os 166 kg de massa corporal. Habitando as ilhas de Komodo, Rinca, Flores, Gili Motang e Padar, todas localizadas na Indonésia, esse gigantesco réptil domina todo o ecossistema nesses territórios. Porém, uma grande controvérsia ronda os hábitos de predação desse grande réptil: afinal, será que eles realmente usam veneno para a caça e, com isso, seriam habilitados a serem reconhecidos como peçonhentos? Em 2009, um estudo causou grande impacto ao afirmar que sim, sendo algo que, na semana da sua publicação, gerou alta repercussão nos veículos de mídia (Ref.8 e 9). E, apesar de muitos terem fincado o rótulo de ´peçonhento´ no Dragão-de-Komodo desde então, a questão está longe de ser resolvida.

            A nossa história começa quando as pessoas começaram a notar e reportar que os animais feridos com as mordidas do Dragão-de-Komodo ficavam estranhamente quietas e em um estado de choque que se desenvolvia bem rápido, caso conseguissem escapar com vida do ataque. Pouco tempo depois (horas ou, no caso de búfalos, poucos dias), as vítimas acabavam morrendo não muito longe e devoradas pelo gigantesco lagarto perseguidor ou outros à espreita. A primeira grande hipótese que surgiu para essa observação foi a de que as inúmeras bactérias presentes em sua boca causavam uma grave infecção na vítima após a mordida, culminando em uma rápida morte. Essa ideia ficou tão disseminada e popular, que continua sendo tratada como verídica até hoje nas discussões sobre o tema. Porém, as mais de 120 bactérias, anaeróbicas e aeróbicas, encontradas na região bucal deles em estudos mais recentes envolvendo espécimes em cativeiro (Ref.2 e 16) dificilmente causariam graves infecções a ponto de matar rapidamente as vítimas, sendo tais procarióticos originários em grande parte da flora intestinal normal e da alimentação, apesar de alguns serem bastante nocivos. Para se ter uma ideia, leões possuem a boca mais "suja" segundo especialistas.                          

           Bem, nesse ponto, já faz um bom tempo que os cientistas, de forma consensual, abandonaram essa hipótese, ou seja, do uso de bactérias como arma de caça. Dois outros modelos começaram a ser defendidos com mais ênfase, um bem simples e o outro mais sofisticado. Esse último entra justamente com a questão do Dragão-de-Komodo ser uma suposta espécie peçonhenta (ou seja, inocula ativamente veneno em outro ser vivo com o intuito de defesa ou ataque) ,sendo a base de defesa do já citado estudo de 2009. Para entendermos ela, primeiro vamos explicar a clade (grupo de espécies que dividem características ganhas de herança de um ancestral comum exclusivo) - ou clado - na qual nosso lagartão se encontra.


    TOXICOFERA

          Do grego, ´toxicofera´ significa "aqueles que carregam toxinas", e esta palavra dá o nome a uma recém-criada clade de répteis escamados (Squamata) que inclui as serpentes, os anguimorfos (lagartos-monitores, monstro-de-gila e lagartos do gênero Elgaria) e as iguanias (iguanas, agamas e camaleões) (Ref.13). Essa clade contém cerca de 4600 espécies - algo que corresponde a quase 60% dos esquamatos ainda existentes no planeta - e engloba todas as espécies de répteis peçonhentos, assim como diversos répteis não-peçonhentos.

          A ideia de juntar todos esses animais veio depois que estudos descobriram que não só as serpentes peçonhentas produziam veneno na boca, mas também outras espécies de répteis antes tidos como não venenosos, mostraram-se possuidores de proteínas tóxicas presentes em suas salivas liberadas por glândulas específicas. Mais estudos mostraram que quase todas as serpentes consideradas ´não-peçonhentas´ produziam veneno em alguma extensão. E isso também se estendeu para outros grupos, como em espécies no Iguania (especificamente o Pogona barbata) e nos anguimorfos (no Varanidae/lagartos-monitores/varanos, como o Varanus varius e o nosso Varanus komodensis). Isso fez os cientistas considerarem que todos esses surgiram de um ancestral comum que primeiro desenvolveu genes produtores de veneno, fazendo sentido juntá-los no Toxicofera.

          Além da descoberta dos novos peptídeos (proteínas) tóxicos nesses animais alegrarem pesquisadores no mundo inteiro - já que essas complexas moléculas possuem grande potencial em pesquisas para novos medicamentos - com o tempo outras questões começaram também a ser levantadas: será que existem mais animais peçonhentos do que aqueles já reconhecidamente caracterizados como tal? Apesar de muitos espécimes não-peçonhentos terem veneno - em relativas baixas concentrações -, não existe nos mesmos estruturas óbvias para a inoculação desse fluído, como acontece com as Najas e suas temidas presas inoculadoras. Porém, pesquisadores começaram a propor que os pequenos dentes nesses animais cumpririam a função de causar feridas e entregarem veneno para as presas ou atacantes, aumentando os danos propositalmente. Em outras palavras, o veneno estaria sendo utilizado para deferir ataques e, portanto, tais espécimes poderiam ser considerados também peçonhentos.

          Nesse nova concepção, por exemplo, já existem as duas únicas espécies de lagartos consideradas hoje, consensualmente, peçonhentas: o Monstro-de-Gila (Heloderma suspectum) e o Lagarto-Mexicano-de Contas (H. horridum), ambos do mesmo gênero.

À esquerda, um Lagarto-Mexicano-de-Contas e, à direita, um Monstro-de-Gila

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    ESTUDO DE 2009

          Liderado pelo pesquisador Bryan G. Fry, da Universidade de Melbourne, Austrália, e envolvendo diversos departamentos e institutos de zoologia, bioquímica e biologia molecular de vários países (Ref.3), o estudo em questão investigou o papel e potencial relação entre a mecânica cranial, bactérias tóxicas e o descoberto veneno no Dragão-de-Komodo, e foi publicado na Proceedings of the National Academy of Science.

           Mais uma vez, claro, foi rejeitada a noção de participação das bactérias como ajudantes na predação. Porém, segundo os dados obtidos pelos pesquisadores, o veneno, o qual compreendia proteínas tóxicas diversas contidas na saliva do animal e produzido por glândulas mandibulares presentes no maxilar inferior - descobertas e caracterizadas durante a pesquisa - contribuía de forma decisiva no ataque à presa, gerando atividades tóxicas que incluem efeitos de choque,  aumento da pressão sanguínea e de anti-coagulação. No final, o conjunto da obra faria com que o sangramento da ferida aberta piorasse e criaria dificuldades de movimentação, levando o animal à uma morte mais rápida sem dar-lhe muitas chances de reagir. E, como foi mencionado, canais glandulares foram também caracterizados e confirmados, - parecendo indicar claros locais de secreção e armazenamento de peçonha -, assim como genes de expressão de veneno ativos nessa área.

Uma ressonância magnética (MRI) da cabeça de um Dragão-de-Komodo mostrou que eles possuem um complexo de glândulas de veneno (extensão em vermelho)

            Segundo o estudo, o crânio muito leve desses répteis é relativamente mal adaptado para gerar fortes mordidas, mas melhor adaptado para resistir à forças de tração altas. Assim, para ajudar a matar a presa, a relativa fraca mordida - porém gerando profundas feridas através de dentes adaptados para cortar e rasgar - seria auxiliada pelo veneno na saliva. Com essa estratégia, um vasto número de presas, grandes ou pequenas, estariam disponíveis para esse lagarto, já que o combate corpo a corpo seria reduzido. E as quantidades de tóxicas proteínas contidas na saliva e entregues nas mordidas seriam suficientes para causarem danos consideráveis.

Modelos computacionais do esqueleto da cabeça dos Dragões, analisando os estresses gerados durante as mordidas (figura à esquerda) mostraram que as áreas em vermelho (de alto estresse) podem fazer com que as suas mandíbulas se quebrem durante mordidas muito fortes; especializar os seus 60 dentes afiados para rasgarem profundamente e utilizar o veneno em conjunto faria qualquer ataque potencialmente fatal, compensando uma mordida mais fraca

             Comparando também a arquitetura do esqueleto da cabeça e dentição do seu parente gigante já extinto, o V. priscus (Megalania) - o qual podia alcançar os 5,5 metros de comprimento - , o estudo também sugeriu que esses últimos, os maiores lagartos que já existiram no planeta (pelo menos até onde sabemos), podem também ter sido os maiores animais peçonhentos que já existiram.

O Varanus priscus fazia parte da megafauna que habitava o sul da Austrália, sendo provavelmente extinto há cerca de 40 mil anos

              Em um comentário, na época, do biólogo evolucionário do Museu Nacional de História Natural (Paris), Nicolas Vidal, "o estudo do Dr. Fry claramente demonstra que o Dragão-de-Komodo é um predador peçonhento". (Ref.7)


   O OUTRO LADO DA HISTÓRIA

              Mas apesar do estudo ter sido celebrado entre muitos cientistas e tendo suas conclusões tomadas como verdade absoluta pela maior parte dos veículos de comunicação popular, muitos outros especialistas discordaram dos resultados e até hoje são várias as discussões sobre o assunto. Entre os principais argumentos contra o achado, podemos citar:

1. Apesar de terem sido achados genes de produção de veneno ativados nas regiões das "glândulas de peçonha" no Dragão-de-Komodo, as mesmas podem não ser alvos específicos desses genes. Lagartos-monitores já mostraram também tê-los não só nas suas estruturas de supostas glândulas de peçonha, mas também em várias outras partes do organismo onde a presença dessa peçonha não faria sentido (como no fígado ou no cérebro). Assim, pode ser que as glândulas no maxilar seriam apenas vestígios ou estruturas de veneno incompletas sem função peçonhenta. E, para completar o quadro, esses mesmos genes já foram identificados em lagartos fora da clade Toxicofera.

2. Como as pesquisas de campo geralmente envolvem acidentes de manuseio com o lagartos-monitores e o fato de que muitos desses animais são mantidos como animais de estimação (infelizmente) - em ambos os casos incluindo o Dragão-de-Komodo -, muitos são os reportes de feridas com diferentes gravidades em humanos causadas por suas mordidas. Porém, virtualmente, não existem casos reportados de envenenamento, apenas de danos normais causados pelas mordidas ou outras reações mais incomuns que não tendem a caracterizar um envenenamento. Ou seja, isso coloca em xeque não apenas a natureza peçonhenta do Dragão-de-Komodo mas como a própria real presença de um veneno ali ou quantidades mínimas de proteínas tóxicas para caracterizá-las como um (no caso, para serem usados na caça de grandes presas), e o mesmo sendo válido para outras espécies. Um artigo de 2015 (Ref.18) reforçou ainda mais esse argumento ao descrever o caso de uma pessoa que morreu após ser atacado por um desses répteis. A vítima não apresentou sinais de envenenamento, morrendo simplesmente devido à traumática ferida causada pela mordida.

3. Pesquisadores acompanhando de perto o comportamento de vários lagartos-monitores, incluindo Dragões-de-Komodo, raramente os vêem caçando animais que ultrapassam 10% das suas massas corporais. Ou seja, eles quase sempre preferem atacar animais menores, estes os quais não precisam de veneno para serem mortos, apenas uma mordida, ou visam pratos maiores mas em forma de carniça, no caso dos Dragões. Em muitos desses ataques, aliás, esses répteis usam grande violência para estraçalhar a presa. Assim, mesmo se certas proteínas tóxicas de fato existem em suas salivas, efeitos como enfraquecimento muscular (imobilização da presa) agindo 4 minutos após a mordida na presa seriam inúteis considerando que ela já está morta há 3 minutos e meio ou completamente desmembrada há 3 minutos.

 4. Mas, como os lagartos-monitores, especialmente os Dragões-de-Komodo, são predadores oportunistas, não podemos deixar de lembrar que eles também costumam caçar presas bem grandes, como veados. Bem, a morte de veados com um único ataque pode ser explicada pelo simples fato do grande dano direto causado pelos Dragões, levando-os à morte por sérias hemorragias e danos viscerais, seja momentos após o ataque ou mais tarde. Porcos, por exemplo, quando atacados, chegam a ter até seus intestinos lançados para fora com a violência. Porém, existe o clássico exemplo de búfalos sendo mordidos apenas uma vez na perna, começarem a ter perda de mobilidade e, alguns dias depois, caírem mortos no chão. No YouTube existe até um vídeo bem famoso narrado pelo ator Daniel Craig mostrando um desses ataques, onde um orda de Dragões ficam esperando o búfalo tombar sem mais forças. Só que nesse exemplo, muitos especialistas dizem que é muito mais fácil explicar a morte por sepse (infecção generalizada) devido ao fato de que o búfalo, após a mordida e ferida aberta, fica com a mesma inundada de lamas e sujeiras cheias de fezes e outros perigosos patógenos (não confundir isso com supostas bactérias entregues pela saliva do Dragão-de-Komodo). O próprio Dr. Fry, responsável pelo estudo de 2009, concorda que as bactérias do ambiente em torno do búfalo são as responsáveis principais, levando a um quadro de sepse (Ref.15). No vídeo abaixo, (o mencionado anteriormente) podemos ver claramente a ferida, por dias, sendo exposta à uma grande quantidade de sujeira ambiental.

             


           Já na época do estudo de 2009, o biólogo evolucionário da Universidade de Connecticut, Kurt Schwenk, lançou críticas e desconfiança quanto aos resultados encontrados pelo Dr. Fry, e comentou: "Eu garanto que se você tem um lagarto de 3 metros de comprimento pulando dos arbustos e rasgando suas tripas para fora, você ficaria meio que paralisado e quieto for um tempo, pelo menos até você cair no chão de choque e grande perda de sangue pelo fato dos seus intestinos estarem esparramados no chão bem na sua frente." Dr. Schwenk acrescentou que os achados em relação às glândulas e as proteínas tóxicas nelas contidas foram interessantes, mas que essas proteínas podem ter outro papel para o animal longe da predação (Ref.7).

O próprio ataque violento em si seria a causa das rápidas mortes, grandes perdas de sangue e sintomas de choque

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      CONCLUSÃO

            Podemos resumir em três hipóteses principais que tentam explicar o sucesso de caça dos Dragões-de-Komodo relativo à sua mordida fatal:

1. Sepse (infecção generalizada, no caso causada por bactérias na saliva do Dragão-de-Komodo);

2. Uso de peçonha;

3. Trauma direto.

             O primeiro perdeu muita força com as evidências científicas sendo acumuladas nas últimas décadas, e hoje é mais um mito do que qualquer outra coisa. A boca, por exemplo, de Dragões criados em zoológicos apresentam o perfil da sua flora bacteriana bem diferente daquele encontrado em animais selvagens, e o mesmo varia bastante dependendo do local em que se encontram e alimentação dada. Ou seja, eles não nascem com um mecanismo de ataque do tipo e a flora bacteriana varia bastante de animal para animal. Bactérias nocivas que, por ventura, venham a ser incorporadas à sua saliva provavelmente virão do ambiente, especialmente de carnes em decomposição da qual eles venham a comer (se alimentam de carniça também). Porém, esses animais parecem ter uma boa higiene bucal, e mesmo em ambiente selvagem sua flora bacteriana não é tão populosa ou perigosa. Além disso, para a maior parte das presas de grande porte que eles evoluíram para caçar (os búfalos foram introduzidos em seu habitat bem mais tarde) - porcos, veados, porcos do mato - as mortes geralmente são muito rápidas para terem qualquer participação decisiva de uma infecção bacteriana generalizada. Aliás, grande parte delas ocorre no momento do ataque.

          Uma hipótese interessante que surgiu recentemente (Ref.16) diz que as bactérias com grande potencial infeccioso presentes na boca de muitos Dragões não estavam ali com o objetivo de armar esse réptil, e, sim, apenas de o infectarem. Assim, elas utilizariam a mordida desses animais para se propagarem para outros dentro de uma população local. Já que um animal que foge do ataque desse lagarto acaba morrendo pouco tempo depois e geralmente não é comido pelo atacante e, sim, ou outro ou - mais comum ainda - por um grande grupo deles, as bactérias de um acabam chegando facilmente em outros indivíduos, assim como ocorre com os microrganismos que passam de pessoa para pessoa através do beijo ou contato com outros fluídos corporais (DSTs, por exemplo). E para explicar como os Dragões infectados com várias bactérias suspeitas não ficam doentes (já que frequentes lutas entre eles e feridas na sua boca deixam diversas bactérias da boca entrarem em suas circulações sanguíneas), um estudo nesta semana, por exemplo, isolou e identificou uma proteína com poderosas propriedades antibacterianas do sangue desses animais (Ref.17), sendo possível que existam outras que os protejam. Assim, as bactérias colonizam suas bocas e continuam se espalhando por esses lagartos sem causar-lhes mal.

Geralmente, as caças de médio e grande porte são comidas por mais de um indivíduo

          Bem, tirando o papel das bactérias como armas mortais do caminho, sobram as duas últimas hipóteses que estão até hoje em conflito entre si. Enquanto um lado acadêmico defende que apenas o estrago feito pela temida mordida cortante é suficiente para explicar as rápidas mortes, o outro lado acadêmico, baseado no estudo de 2009, defende que as proteínas tóxicas produzidas na glândula mandibular encontrada teriam papel decisivo na morte de animais de relativo grande porte, especialmente naqueles que conseguem escapar da primeira investida. Como já foi mostrado, ambos os lados apresentam fortes argumentos.

            Apesar desse entrave na questão relativa ao Dragão-de-Komodo, é interessante notar que outros lagartos-monitores de menor porte podem ser os reais beneficiários de uma suposta peçonha. Mas não no quesito ´ataque´ e, sim, ´defesa´. Para escapar de predadores, principalmente de serpentes, eles podem usar proteínas tóxicas para potencializar a dor das suas mordidas e afugentar atacantes. Bem, seria um mecanismo peçonhento e poderia provar que muitos desses lagartos são realmente peçonhentos. Mas, no caso dos Dragões-de-Komodo adultos, mecanismos de defesa não parecem ter utilidade alguma, já que eles dominam o ecossistema em seus habitats, como os maiores predadores. Por outro lado, seus filhotes podem se beneficiar de alguma forma, faltando trabalhos científicos para comprovar isso. Mas, segundo alguns cientistas, "tender a chamar todos da clade Toxicofera de ´peçonhentos´ implica um perigo perigo que não existe, atrapalha as análises de risco pelas equipes médicas e confunde a avaliação biológica dos sistemas biomecânicos pertencentes aos escamados." (Ref.5)

            No final, podemos afirmar duas coisas. Primeiro, os Dragões-de-Komodo, assim como os outros membros atualmente agrupados na Toxicofera podem ser considerados ´venenosos´ por produzirem proteínas tóxicas em suas bocas. Quantidades ou reais danos das mesmas em outros organismos, já é outra história. E, segundo, completando a afirmação anterior, ainda é cedo para dizer se esses temidos répteis podem ou não ser considerados ´peçonhentos´.

Imagem de capa: National Geographic Kids

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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://animals.sandiegozoo.org/animals/komodo-dragon 
  2. http://www.bioone.org/doi/abs/10.1638/2012-0022R.1?journalCode=zamd 
  3. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2690028/ 
  4. https://www.researchgate.net/profile/Samuel_Sweet2/publication/307612937_Chasing_Flamingos_Toxicofera_and_the_Misinterpretation_of_Venom_in_Varanid_Lizards/links/57cee09e08ae582e0693853f.pdf 
  5. https://books.google.com/books?id=x_vME799de4C&pg=PA84
  6. http://library.sandiegozoo.org/factsheets/alligator_lizard/alligatorlizard.htm
  7. http://www.nytimes.com/2009/05/19/science/19komo.html
  8. http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2009/05/090519_komodovitola.shtml
  9. http://news.nationalgeographic.com/news/2009/05/090518-komodo-dragon-venom.html
  10. http://www.sepsisnet.org/pg.php?v=o-que-e-sepse
  11. https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs00239-003-2461-2
  12. http://adsabs.harvard.edu/abs/2006Natur.439..584F
  13. http://www.nature.com/nature/journal/v439/n7076/full/nature04328.html
  14. http://www.toxipedia.org/pages/viewpage.action?pageId=19540859
  15. https://www.uq.edu.au/news/article/2013/06/fear-of-komodo-dragon-bacteria-wrapped-myth
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  17. http://www.nature.com/articles/s41522-017-0017-2
  18. https://www.safetylit.org/citations/index.php?fuseaction=citations.viewdetails&citationIds%255B%255D=citjournalarticle_485308_15
  19. http://www.bbc.co.uk/nature/14558510
  20. https://museumvictoria.com.au/melbournemuseum/discoverycentre/dinosaur-walk/meet-the-skeletons/megalania/