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Mitos e correções históricas 5



           E na nossa quinta viagem pelas entranhas da História, vamos investigar e esclarecer alguns mitos e distorções históricas que insistem em acompanhar o conhecimento popular e até mesmo impregnar algumas esferas acadêmicas!


        1. Cowboys: heróis glamourosos?


             Aquela sua visão histórica do Cowboy norte-americano tradicional como alguém branco, fruto dos EUA e cheio de glamour e espírito heroico está longe da realidade. Primeiro, esse grande símbolo do Velho Oeste do século 19 não foi natural dos EUA e, sim, surgiu na figura de vaqueiros espanhóis que primeiro introduziram a criação de gado no México séculos antes. Além disso, cowboys negros também tomavam conta do gado. Já a vida deles não era nada glamourosa, onde os mesmos passavam longas e duras horas trabalhando, viviam em péssimas condições e em grandes dificuldades econômicas. (Ref.1)


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         2. Anastásia sobreviveu?
   


           Na foto acima, tirada em 1916, Anastásia Nikolaevna divide um fumo com o seu pai, Czar Nicolau II, 2 anos antes do assassinato de ambos por soldados bolcheviques, na Rússia.

           Por 300 anos, os Romanovs comandaram a Rússia. Em 1917, seguindo a Revolução Bolchevique, o último Tsar Russo em comando, Nicholas II, abdicou sua coroa em favorecimento do seu irmão, Grand Duke Michael, este o qual não quis aceitar o trono. Nicholas e sua família (sua esposa - Tsarina Alexandra - e seus cinco filhos: Olga, Tatiana, Maria, Anastasia, e Príncipe Coroado Alexei) fugiram para o exílio em Yekaterinburg, ainda em território russo. Também foram acompanhando eles 4 leais empregados da família: Dr. Eugene Botkin (médico); Alexei Trupp (mordomo do Tsar); Anna Demidova (empregada da Tsarina); e Ivan Kharitonov (cozinheiro).

          Temendo alguma tentativa de resgate ao Tsar e sua família pelo Exército Branco Russo, os Soviéticos de Ural, em Julho de 1918, capturaram os Romanovs e os mantiveram presos até serem executados na manhã do dia 17 do mesmo mês, no porão da Casa Ipatiev. A execução também foi ordenada porque passou-se a acreditar que, com a morte do Tsar, as pessoas ainda leais a ele teriam sua vontade de luta quebrada.

            Bem, a controversa histórica, que foi iniciada ainda no início dos anos 90, recai sobre o destino de Alexei e sua irmã Anastasia (ou a Maria), estes os quais, supostamente, teriam escapado do fuzilamento de alguma forma.

           A história começou quando, no final dos anos 70, o geólogo Dr. Alexander Avdonn encontrou o que parecia ser o túmulo onde toda a família Romanov, junto com os empregados, tinham sido enterrados. Porém, dois filhos estavam faltando. De qualquer forma, manteve-se segredo do túmulo descoberto até 1991, com o fim da União Soviética.

          Após revelado os restos mortais, times de cientistas forenses dos EUA e da Rússia puderam começar a analisar as ossadas. Como estavam faltando dois filhos, alguns começaram a levantar a suspeita de que aqueles não eram os restos da família Romanov, procurados há mais de 70 anos. Mas pesquisas acabaram concluindo, a partir de testes de DNA, que aquela era a família de fato. Porém, ainda sobrou o mistério das duas crianças. Segundo as análises, quem estava faltando era Alexei e uma das irmãs, Maria ou Anastásia. Isso alimentou a crença de que eles haviam, milagrosamente, escapado do fuzilamento. Os antropólogos forenses norte-americanos acreditavam que era a Anastásia, enquanto antropólogos forenses russos de que era a Maria. Acabou caindo no gosto popular a Anastásia (provavelmente mais aqui no Ocidente).

          Somente em 2007 um segundo túmulo foi descoberto a uma distância em torno de 70 metros do primeiro túmulo contendo 44 fragmentos de ossos, os quais, após análises cuidadosas, confirmaram que pertenciam aos dois filhos desaparecidos da família Romanov, e datando da mesma época das mortes. O estudo em detalhes foi publicado no periódico Plos One em 2009 (Ref.2). Portanto, não houve final feliz para os Romanovs.

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        3. James Macpherson era um contador de lorotas?



             Um recente estudo (Ref.3) realizado em parceria pela Universidade Coventry, Universidade Nacional da Irlanda, Galway e a Universidade de Oxford lançou luz em uma das mais famosas e controversas obras da Literatura, a qual completou ano passado 250 anos de idade.

         Ossian é o narrador e suposto autor de poemas épicos publicados pelo poeta escocês James Macpherson, em 1760. Segundo Macpherson, ele coletou, através de registros orais e manuscritos, material do Galego Escocês que teria origem de fontes bem antigas, sendo sua tarefa a tradução de tal material. Ossian é baseado em Oisín, filho de Finn ou Fionn mac Cumhaill, um lendário bardo pertencente à mitologia irlandesa, e a narração segue o suposto autor quando ele estava velho e surdo. É uma das obras mais influentes da história e teve forte impacto no final do século 18 e começo do século 19, influenciando o desenvolvimento do Movimento Romântico e do Renascimento Galego. Napoleão Bonaparte tinha uma cópia e Thomas Jefferson afirmou que Ossian era o mais brilhante poeta que já existiu.

            Porém, muitos acadêmicos não confiam na veracidade do trabalho de Macpherson, quanto à real existência das fontes galegas antigas (Escócia) que ele afirmava ter impresso em suas traduções, especialmente devido ao fato dele não ter deixado disponível os supostos manuscritos originais, ter em seus poemas traduzidos usos mais modernos impossíveis de terem existido no período de Ossian e ter nos poemas passagens que entram em conflito com as lendas escocesas tradicionais. Muitos acreditam que ele tenha reunido contos irlandeses, fontes inglesas ou fragmentos galegos (completados e mesclados à sua própria imaginação). Além disso, existe o questionamento sobre a real existência do tal Ossian, o qual pode ser uma figura imaginativa similar ao Homero (suposto intelectual da Grécia Antiga, e autor de Ilíadas e Odisséia, mas cuja real existência como indivíduo é incerta). De qualquer forma, quase ninguém nega o talento de escrita de Macpherson, afirmando que se trata, no mínimo, de uma das mais belas falsificações da história da Literatura e que a autenticidade dos fatos narrados no poema, e da própria construção do mesmo, são apenas meros detalhes. Porém, alguns historiadores irlandeses mostram indignação, já que existe a possibilidade da História irlandesa estar sendo sequestrada para dar créditos à História escocesa, apesar de ambas estarem intimamente interligadas em tempos antigos.

          Bem, voltando ao estudo, os pesquisadores, através do uso de um sistema especial de análise estatística, mostrou que a estrutura social encontrada nos poemas de Ossian demonstram uma similaridade muito grande com as histórias mitológicas provenientes da Irlanda. Mesmo não sendo possível afirmar nada de conclusivo com essa análise científica, já fica provado que os poemas são muito parecidos com contos irlandeses, algo que Macpehrson sempre rejeitou com afinco.  

Ref.2 e3

(1) O Galego Escocês é uma linguagem celta nativa da Escócia e com raízes no Irlandês Antigo.

*Na imagem acima, à esquerda, temos a capa original do trabalho de Macpehrson. À direita, temos uma pintura em homenagem a Ossian, feita por Jean Auguste Dominique Ingres, em 1813, e titulada de ´Sonhos de Ossian´.

Para quem tiver curiosidade, os poemas de Macpehrson podem ser vistos aqui:
https://www.hs-augsburg.de/~harsch/anglica/Chronology/18thC/Macpherson/mac_intr.html

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REFERÊNCIAS
  1. http://www.loc.gov/teachers/classroommaterials/presentationsandactivities/presentations/timeline/riseind/west/
  2.  http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371%2Fjournal.pone.0004838 
  3. https://www.eurekalert.org/pub_releases/2016-10/cu-ssl101816.php
  4. http://www.lib.udel.edu/ud/spec/exhibits/forgery/ossian.htm
  5. https://stevenhampton.com/wordpress/wp-content/uploads/Macphersons-Ossian.pdf