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O Sal do Himalaia traz algum benefício à saúde?



           Popularmente, o nome ´sal´ refere-se a uma mistura de sólidos iônicos que usamos para temperar os alimentos. E essa mistura é tão importante na história humana que até o termo ´salário´ vem da palavra ´sal´, já que em tempos antigos costumava-se pagar as pessoas com esse tempero, de tão valioso ele era. Hoje ele é um dos produtos alimentares mais consumidos e baratos do mundo, podendo ser obtido da evaporação da água marinha ou da exploração de minas específicas. Dependendo da formação, o sal pode ser classificado como sal de lago, mar, rocha, Himalaia, entre outros. O último mencionado, em especial, é bem conhecido das pessoas devido ao fato de que inúmeros benefícios à saúde supostamente são obtidos do seu consumo e uso em medicinas alternativas bem estranhas. Mas será que existe algo de verdadeiro nisso?

           Bem, já vamos começar citando que não existe nenhum estudo científico defendendo qualquer benefício extra à saúde com quaisquer que sejam os usos feitos com o sal do Himalaia. Quem afirma o contrário não está se baseando em evidências científicas. Diversos sites, blogs, canais no YouTube, lojas e certos centros de medicina alternativa insistem em dizer que o sal do Himalaia promove maravilhas à saúde, por conter mais de 84 sais minerais importantíssimos ao corpo e por conter propriedades poderosas quando usados em lâmpadas especiais. Tudo isso pura balela. E o pior: o pessoal cobra caro por esse tipo de sal, enganando os consumidores.

           Primeiro de tudo, praticamente todos os sais para tempero possuem a composição química muito parecida, ou seja, são compostos quase totalmente por cloreto de sódio (NaCl), independente se ele é processado, como o sal marinho, ou refinado, como o nosso sal tradicional de cozinha. O resto dos outros elementos e contaminantes estão em ínfimas quantidades, a maioria em traços. O sal do Himalaia é um sal coletado da região de Punjab, no Paquistão e seus cristais podem ter uma coloração indo de branca para transparente, e existindo também uma coloração avermelhada e rosada em muitos cristais devido à presença de traços de alguns minerais diferenciais. Se pegarmos todo o bolo do sal do Himalaia, em uma média de diferentes amostras, teremos cerca de 48% de cloro (Cl), 31% de sódio (Na), 10% de oxigênio (O), 4% de enxofre (S), 2,5% de cálcio (Ca), 2,5% de potássio (K), 1% de magnésio e o resto de quantidades muito pequenas de outros minerais e traços de outros mais. Se desconsiderarmos algumas impurezas sem valor desse sal, veremos que em torno de 95% é composto de cloreto de sódio (NaCl), ou seja, quase a mesma composição do sal de cozinha normal. Ele pode até conter 84 minerais em sua estrutura, assim como outros sais, mas a grande maioria deles em quantidades muito pequenas.

O sal do Himalaia é apenas uma bomba perigosa de sódio, e que deve ser consumido com muita moderação
 
           Ok, potássio, magnésio e cálcio são importantes para a saúde, mas você pode consumi-los de várias fontes alimentares em quantidades muito maiores do que você consumiria do sal do Himalaia. Aliás, para cada minúscula quantidade de outros minerais no sal do Himalaia, você também estará consumindo quantidades absurdas de sódio, este o qual é um dos principais inimigos da Hipertensão. E uma das principais recomendações das agências de saúde no mundo inteiro é que as pessoas reduzam seu consumo de sódio. No final, quando você usa uma pitada desse sal nas suas refeições - como é o recomendado caso você o use - as quantidades de outros minerais vindo junto, em comparação com outros tipos de sais, especialmente aqueles não refinados, serão desprezíveis. Ou seja, comendo esse sal, em substituição a outros, é inútil. Na verdade, você precisa evitá-lo o máximo possível para reduzir seu consumo diário de sódio.

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            E ainda temos outro agravante: esse tipo de sal, vendido em lojas especializadas, geralmente não é iodado, diferente do sal marinho e do sal tradicional de cozinha! O iodo, normalmente adicionado através do iodato de potássio, é importantíssimo para a boa saúde da sua tireoide, prevenindo o desenvolvimento do bócio. Claro, você não precisa do sal de cozinha para conseguir suas quantidades diárias recomendadas de iodo, sendo que boas fontes dele são frutos marinhos (peixes, crustáceos, etc.), algas, ovos, laticínios e cereais, além de quantidades limitadas em frutas e verduras, mas se sua alimentação não estiver variada o bastante, pode ser que uma suplementação extra com o esses temperos podem vir como boa ajuda. Bem, se nutricionalmente o sal do Himalaia é inútil, as lâmpadas possuem alguma serventia?

Lâmpadas do sal do Himalaia: pura enganação

             As lâmpadas do sal do Himalaia consistem de grandes cristais do sal, geralmente dos coloridos, que possuem uma lâmpada incandescente, LED ou vela dentro. De acordo com algumas fontes suspeitas e sem base científica alguma, ou seja, segundo alguns malandros, essas lâmpadas emitem ondas de energia positiva e íons que neutralizam radiações eletromagnéticas prejudiciais à nossa saúde, e promovem uma limpeza do ar, agindo como um filtro. Nenhuma dessas afirmações faz sentido ou são comprovadas por reais evidências científicas. São, no máximo, crenças baseadas na fé, ou na má fé já que essas lâmpadas são vendidas a preços bem salgados por causa desses supostos benefícios (desculpe o trocadilho...:)).

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           O que fica de dica para todos é evitar o máximo possível o consumo de qualquer tipo de sal, devido ao grande conteúdo de sódio, e procurar ter uma alimentação rica e variada. Esse é um dos passos para uma vida saudável. Para quem quer uma opção de sal com um menor conteúdo de sódio, dê preferência para o ´sal light´, o qual possui cerca de metade do conteúdo de sódio, relativo aos outros sais, sendo substituído pelo potássio (cloreto de potássio misturado com o cloreto de sódio). O potássio ainda ajuda a controlar a pressão sanguínea, mas você pode obtê-lo também de vários alimentos, como a banana. Quando você resolver testar algo para a sua saúde, sempre tente consultar um profissional da saúde sério, como médicos e nutricionistas, evitando acreditar em qualquer informação encontrada na internet ou outras fontes suspeitas.

(1) Sal, em termos de nomenclatura química, é o nome dado à qualquer substância formada por ligações iônica. Dentro dessa definição, temos os ´sais orgânicos´ e os ´sais inorgânicos´, onde o primeiro é formado pela união do cátion de um elemento metálico com o ânion de um radical orgânico (estrutura de carbono), ou entre um ânion ametal com um cátion orgânico, e o segundo é formado pela união de um cátion metálico com um ânion não metálico.



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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://cfaes.osu.edu/news/articles/chow-line-sodium-still-concern-with-pricey-types-salt
  2. http://www.abc.net.au/health/talkinghealth/factbuster/stories/2010/11/23/3073792.htm
  3. http://asp.cumc.columbia.edu/psych/asktheexperts/ask_the_experts_inquiry.asp?SI=1567
  4. http://przyrbwn.icm.edu.pl/APP/PDF/121/a121z1p14.pdf
  5. Himalayan salt analysis 
  6. https://campusrec.utsa.edu/fitness-wellness/pass-the-salt-but-which-one-is-best
  7. http://revroum.lew.ro/wp-content/uploads/2016/03/Art%2004.pdf