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A NASA mudou o Zodíaco?



           Recentemente, a NASA recebeu muitas reações negativas sobre a sua suposta ação de ter modificado o Zodíaco. Basicamente, o eixo da Terra vem mudando significativamente desde 3 mil anos atrás quando os signos do Zodíaco foram criados, por um processo conhecido como ´precessão axial´, e, além disso, existe mais uma constelação somando-se às 12 conhecidas! Ou seja, o calendário astrólogo, praticamente, não corresponde nem um pouco ao real cenário estelar. Porém, isso é sabido há muito tempo, e já era algo bem estabelecido pelos astrônomos, de forma oficial, desde 1930. A NASA, pelo que parece, apenas tinha atualizado um artigo sobre o assunto este ano (Ref.1 e 2), o que causou a comoção e surpresa das pessoas que tiveram sua atenção atraída por uma matéria da revista Cosmopolitan que abordou a atualização e criou um sensacionalismo em cima da história.

          Antes de tudo, é preciso deixar algo bem claro. O sistema criado pela astrologia e usado para prever o futuro e associar a personalidade das pessoas baseado na constelação da sua data de nascimento não é algo científico, apenas faz parte de uma crença criada por povos antigos e perpetuada pelas gerações. Apesar de muitas pessoas realmente acreditarem que a astrologia é uma ciência, isso é inteiramente contrário à realidade. Os símbolos do zodíaco estampados no céu são apenas constelações (grupo de estrelas) muito distantes de nós que ficam na direção de uma linha reta imaginária que vai da Terra e atravessa o Sol, em um ângulo de 9° acima ou abaixo da elipse. Quando ligamos uma estrela à outra por linhas, a figura formada de forma imaginativa dá origem aos símbolos dos signos (leão, escorpião, etc.). À medida que o ano vai passando e o nosso planeta vai se movendo em torno do Sol, o grupo de estrelas (constelação) marcado pela linha imaginária vai saindo dessa marcação, onde esta passa, então, a marcar outro grupo de estrelas. Sempre foi nos dito, pelo menos no meio popular, que cada mês representa o período que essa linha repousa sobre cada constelação, fechando perfeitamente 12 meses em um ano com 12 constelações. Assim, uma pessoa que nasce em julho, estaria sendo representado pelo signo de Câncer, o qual representaria a constelação sendo apontada pela linha imaginária nesse mês. Só que três fatos derrubam todo o esquema celeste pintado pelos astrólogos.

Constelação de Leão
 
         Primeiro, quando os Babilônios fizeram o Zodíaco há cerca de 3 mil anos, eles já tinham um calendário de 12 meses baseado nas fases da Lua. Assim, quando eles começaram a assimilar as constelações vistas nessa linha imaginária da Terra, foi resolvido que, para deixar o negócio bacana, cada constelação iria ocupar o caminho dessa linha por 1 mês cada, para fechar bonito o ano. Só que, mesmo nessa época, eles já sabiam da existência de uma 13° constelação, Ophiuchus, a qual fica entre Sagitário e Escorpião. Por motivos provavelmente de orientação cultural, eles resolveram excluir Ophiuchus do calendário de signos. Portanto, temos o primeiro erro: não são 12 constelações no sistema de orientação proposto pelo Zodíaco e, sim, 13!

  
           Em segundo lugar, milhares de anos depois dos babilônios fincarem o Zodíaco no céu, o eixo da Terra estava em um ângulo X. Só que, passado todo esse tempo até hoje, esse ângulo já foi alterado por causa do efeito de precessão axial (2). Devido à ação gravitacional da Lua e do Sol sobre a massa em rotação da Terra, existe um deslocamento do seu eixo em um máximo de 23,4°, o qual se repete a cada 26 mil anos. Nesse meio tempo, nosso planeta vai se movendo em relação ao seu eixo inicial, e, com isso, o local do céu apontado pelo Polo Norte há 3 mil anos não é o mesmo apontado hoje. Só esse fato já faz com que as datas dos signos sejam alteradas drasticamente. Por exemplo, há 2 mil anos atrás, o solstício de Junho apontava para um caminho entre as constelações de Gêmeos e Câncer. Hoje, o mesmo solstício está repousado entre Gêmeos e Touro. No ano 4609, esse solstício irá ter passado Touro e estará indo em direção à Áries.

  

           Em terceiro lugar, o tempo que essa linha imaginária fica sobre cada constelação pode variar bastante! Como foi falado, para o Zodíaco coincidir com os 12 meses do ano de forma quase igualitária, os Babilônios resolveram, por motivos culturais, atribuir um 1 mês inteiro para cada constelação. Mas, por exemplo, a linha imaginária traçada da Terra até a constelação de Virgem fica 45 dias sobre ela, enquanto a linha sobre a constelação de Escorpião dura apenas 7 dias!

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         Agora, pegando todos esses três fatos, já bem estabelecidos há muito tempo na comunidade astronômica, o novo calendário dos signos, caso o mesmo seja baseado em real observação científica, ficaria mais ou menos assim hoje:

1. Capricórnio: 20 de Janeiro - 16 de Fevereiro
2. Aquário: 16 de Fevereiro - 11 de Março
3. Peixes: 11 de Março - 18 de Abril
4. Áries: 18 de Abril - 13 de Maio
5. Touro: 13 de Maio - 21 de Junho
6. Gêmeos:  21 de Junho - 20 de Julho
7. Câncer: 20 de Julho - 10 de Agosto
8. Leão: 10 de Agosto - 16 de Setembro
9. Virgem: 16 de Setembro - 30 de Outubro
10. Libra: 30 de Outubro - 23 de Novembro
11. Escorpião: 23 de Novembro - 29 de Novembro
12. Ophiuchus: 29 de Novembro - 17 de Dezembro
13. Sagitário: 17 de Dezembro - 20 de Janeiro

           Bem, o Zodíaco, portanto, não mudou por causa da NASA. O esquema clássico do Zodíaco vem mudando de forma natural ao longo dos anos e já era um sistema de localização celeste já falho desde a época em que foi criado (bem, falho segundo a nossa visão científica, e não do ponto de vista cultural dos povos antigos).  Na verdade, isso sempre foi de amplo conhecimento na comunidade astronômica, não fazendo muito sentido o pessoal cair em cima de uma ou outra agência espacial a cada nova atualização sobre o assunto. Astrologia não é uma ciência, é apenas uma crença. Se você quiser continuar seguindo os astrólogos, a partir de regras arbitrárias de datas e constelações, é a sua escolha. E a NASA, tendo em vista o estranho levante do povo, publicamente, retrucou (Ref.2): "Nós não somos astrólogos, somos astrônomos. Não mudamos nada, apenas fizemos a matemática".

                           E só uma pergunta: quem aí é do signo de Ophiuchus?...:)

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(1) Curiosidade: Uma das consequências mais interessantes desse deslocamento dos eixos é o fato de que os trópicos (Câncer e Capricórnio, aqui na Terra) estão se movendo em direção ao Equador, sendo que taxa dessa movimentação é de 14 metros ao ano! Em um exemplo bacana, o governo de Taiwan tinha levantado um monumento em um parque nacional para marcar a linha do trópico de Câncer, em 1908. Agora, esse monumento está posicionado em uma distância ao Sul superior a 1 quilômetro de onde o trópico atualmente está! Já os círculos do Ártico estão se movendo em direção aos seus respectivos polos. E a zona temperada está ganhando cera de 1550 quilômetros quadrados de território todo ano! Na imagem abaixo, podemos ver as marcações dos trópicos, círculos polares, e Taiwan sendo apontado pela seta branca.


(2) Os outros planetas do Sistema Solar também influenciam na precessão da Terra, mas esse efeito é passado praticamente despercebido frente à ação gravitacional da Lua e do Sol.

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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://spaceplace.nasa.gov/starfinder2/en/ 
  2. http://www.bbc.com/news/blogs-trending-37419182
  3. http://nasa.tumblr.com/post/150688852794/zodiac
  4. http://astro.wsu.edu/worthey/astro/html/lec-precession.html
  5. http://www-istp.gsfc.nasa.gov/stargaze/Sprecess.htm
  6. http://astro.cornell.edu/academics/courses/astro6570/Precession_Free_and_Forced.pdf
  7. http://www.ips-planetarium.org/?page=a_mosley1999b 
  8. https://www.astrosociety.org/wp-content/uploads/2013/07/K2-Activities_Astrology.pdf
  9. http://www.ast.cam.ac.uk/~frosales/html/zodiac/
  10. http://artserve.anu.edu.au/raid1/student_projects/sky/Pseudoscience.html