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O que é o Transtorno de Aprendizagem?



         O Transtorno de Aprendizagem (TEA) engloba uma série de problemas de saúde que atingem o sistema nervoso da criança, adolescente ou adulto. Esses problemas, isolados ou em conjunto, acabam afetando negativamente o potencial de absorção e compreensão dos conhecimentos sendo transmitidos pelo educador, sejam pais ou professores. Como não se trata apenas de uma falta de comprometimento e responsabilidade por parte do aluno, e, sim, um quadro neurobiológico inerente, o Transtorno de Aprendizagem precisa ser lidado com a ajuda de profissionais especializados nesse assunto.

         Um dos maiores desafios nesse campo é saber identificar e diagnosticar corretamente o real problema enfrentado pelo aluno. As pessoas tendem a achar que qualquer mau comportamento ou falta de aplicação nos estudos é devido à rebeldia e preguiça do estudante, algo que pode ser bem danoso caso o problema esteja na esfera do TEA. Gritar e perder a paciência com alguém que tenha dislexia, por exemplo, especialmente se for uma criança, apenas irá piorar o quadro do transtorno mental sofrido pelo indivíduo e traumatizá-lo de vez para os assuntos que envolvam a escola e o estudo. É preciso ir com calma, entender a dificuldade do aluno e analisar todas as possíveis causas para tal comportamento de baixo rendimento acadêmico. Se for possível, é aconselhável sempre pedir as orientações de profissionais de saúde que trabalham nessa área assim que sintomas suspeitos sejam detectados.

        O processo de aprendizagem envolve todo o corpo e sua interação com o meio que o cerca. Portanto, a audição, olfato, visão, tato, estado de saúde mental/físico, influências sociais, atenção e vontade de aprender irão ser decisivos para a assimilação e fixação do novo conhecimento apresentado ao indivíduo. Qualquer dano a um desses fatores irão comprometer os resultados acadêmicos. Nisso, é valioso saber diferenciar uma DE ( dificuldade escolar) e uma TA/TEA ( transtorno de aprendizagem). No primeiro caso, os problemas relacionados serão de nível pedagógico e/ou sociocultural, bastando simples mudanças de ensino e fomento de interesse ao aluno para que o aprendizado seja concretizado com eficiência. Já no segundo caso, os transtornos são de base bioquímica, estando ligados à genética e organização orgânica do cérebro. Assim, os problemas nesse último nível serão mais profundos e requisitarão uma intervenção médica e métodos especiais de ensino.

        Assim como todo mundo possui estratégias próprias para assimilar o conteúdo de uma matéria, seja para uma prova, seja para o mercado de trabalho, as pessoas com TEA também precisam de métodos únicos para que estas possam desenvolver ao máximo seu potencial de aprendizagem. Cada problema neurobiológico que engloba esse transtorno deve ser trabalhado de forma diferenciada, atentando-se para as características únicas do transtorno diagnosticado. Vamos resumir os quadros neurais que fazem parte do TEA e que empecilham gravemente o aprendizado:

1. Dislexia ( ou Transtorno de Leitura): esse transtorno descreve indivíduos com dificuldade para a leitura e construção/compreensão ortográfica. Com isso, a interpretação de textos fica bem complicada, as letras podem se misturar confusamente, e a escrita passa a ter erros constantes e graves;

2. Transtorno da Expressão Escrita: o aluno ou pode ter uma grande dificuldade em escrever de forma legível e padrão constante ( disgrafia, relacionada também com o TDC - explicado abaixo), e/ou pode ter dificuldade na produção de textos e manipulação linguística na escrita ( disortografia, a qual está intimamente ligada com a dislexia);

3. Discalculia ( ou Transtorno da Matemática): é caracterizada por uma grande dificuldade em entender conceitos numéricos e executar até as mais simples operações matemáticas. Toda conta matemática se torna um desafio e nunca existe confiança na hora de se dar a resposta para um problema numérico;

          Podem estar associados, ou não, com o TEA, dois outros transtornos que dificultam ainda mais o aprendizado dos alunos: o TDAH ( transtorno de déficit de atenção/hiperatividade) e o TDC ( transtorno de desenvolvimento de coordenação). Ambas afetam, majoritariamente, as crianças. Novamente, de forma resumida:

1. O TDAH é um dos problemas mais comuns que atingem as crianças e, apesar de não ter cura, pode ser amenizada com a ajuda de tratamentos. Com a idade, o transtorno costuma perder bastante a força, quase que desaparecendo por completo nos adultos. O TDAH é caracterizado, principalmente, por um alto nível de atividade corporal do indivíduo ( sempre correndo, sempre falando, etc.), prática constante de ações sem pensar antes de agir e perda rápida de foco, especialmente nos estudos. Esses sintomas acabam dificultando o progresso da criança na escola, e as interações sociais com amigos e familiares, sendo uma das maiores preocupações dos pais saber se o seu filho possui o problema. Ainda não se conhecem as causas do TDAH, mas a genética parece ser o fator de maior peso. Outros suspeitos são: traumatismo craniano; tóxicos ambientais ( como metais pesados); bebidas alcoólicas/tabaco durante a gestação; nascimento prematuro; e baixo peso no nascimento. O tratamento costuma envolver o medicamento ´Ritalina´, um calmante de tarja preta, e, por isso, o diagnóstico precisa ser preciso para não infringir efeitos colaterais desnecessários na criança. (1)

2. No TDC, as crianças possuem problemas relacionados às habilidades motoras do corpo. Atividades que podem parecer simples para a maioria, se tornam verdadeiros desafios para quem possui esse transtorno, como amarrar o tênis, praticar qualquer esporte, andar de bicicleta, vestir uma roupa e realizar movimentações corporais que envolvam um mínimo de equilíbrio. Esse transtorno afeta entre 5 e 6% das crianças em idade escolar, de acordo com estimativas feitas por especialistas. Além disso, estudos recentes mostraram uma relação preocupante entre esse transtorno e um maior risco no desenvolvimento de depressão e outros problemas de saúde mental, caso o TDC surja aos 7 anos de idade. Pediatras especializados irão trabalhar técnicas de desenvolvimento motor com a criança acometida por esse transtorno.

          Em todas as situações acima, é fundamental que exista um apoio de todos os familiares, educadores e amigos em torno do indivíduo que possua TEA, entre outros problemas afins.
Não ter vergonha, por exemplo, em admitir que o seu filho possui uma desvantagem escolar/cognitiva já é um primeiro passo. O segundo é fazer com que o indivíduo com TEA não se sinta inferiorizado ou excluído da sociedade por não corresponder às expectativas de desempenho acadêmico padrão promulgado pela sociedade. O terceiro é seguir, às riscas, as recomendações e instruções de profissionais para garantir que o aluno reconheça seu problema e consiga vencê-lo por conta própria, apoiado sob a base de um superviosionamento rigoroso de tutores especializados. O acompanhamento deve ser sempre individualizado e moldado para as necessidades do ´paciente escolar´.  Psicopedagogos, psiquiatras/psicanalistas, fonoaudiólogos e/ou psicólogos especializados entram no time de suporte, onde cada caso deve ser analisado e tratado com um ou mais desses especialistas, usando-se até, quando necessário, medicamentos específicos. E, claro, o carinho, dedicação e amor entre todos os envolvidos nessa batalha pelo ensino devem estar sempre presentes e com a melhor das intenções. Um ambiente de caos e disputas hostis apenas promoverá uma evolução desastrosa no quadro do/s transtorno/s.

            Devido à enorme complexidade do leque que estrutura o Transtorno da Aprendizagem, e a importância que uma boa educação escolar significa na vida de todo cidadão, torna-se necessário um maior esforço por parte do governo e sociedade em tentar entender e abordar com maior paixão esse problema de saúde pública. Falta maior empenho dos programas governamentais em difundir e esclarecer as causas, possíveis tratamentos e classificação de todos os transtornos que compreendem ou estão associados ao TEA para a população. As escolas são um dos pontos chaves de investimento, onde os professores e pedagogos devem ser capazes de identificar um aluno com TEA e entrar em reunião com os pais ou responsáveis para o estabelecimento do melhor jeito de lidar com a situação.

(1) Artigo relacionado: Ritalina é a Pílula da Inteligência?

ATUALIZAÇÃO (31/10/16): Uma recente publicação do FDA ( Departamento de Drogas e Alimentos dos EUA), relacionou sintomas que crianças e adultos com TDAH (  Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade) podem apresentar, nos três tipos no qual o problema se manifesta:

1. Desatenção: problemas para criar um foco em uma tarefa específica; dificuldade para seguir instruções; e dificuldade em finalizar tarefas.

2. Hiperatividade-Impulsividade: sempre se movimentando; tendência em falar excessivamente; e sempre interrompendo os outros.

3. Combinado: os sintomas reúnem aqueles dos dois tipos anteriores. 

         Para os adultos, os sintomas seriam os mesmos do que aqueles vistos nas crianças, mas podem se apresentar com algumas modificações. Nessa faixa de idade, pessoas com o problema podem ter baixas habilidades no manejamento do seu tempo, ter dificuldade em multitarefas, se tornar bem inquietas com o tempo ocioso e evitar tarefas que requerem bastante concentração.

          O FDA também estima que, nos EUA, cerca de 11% das crianças e jovens entre 4 e 17 anos foram diagnosticadas com a desordem em 2011, um número que só vem crescendo ano após ano, devido, provavelmente, a maior atenção da população para o problema ( ou seja, um maior número de diagnósticos, não de casos). Entre os adultos, estudos sugerem que cerca de 4% deles possuem o problema

         A desordem começa normalmente entre o 3 e 6 anos de idade nos afetados, e pode continuar pela adolescência e fase adulta. Caso suspeite que você ou seu filho possua TDAH, procure um profissional de saúde apto para o diagnóstico e formulação de um tratamento. Nunca busque tratamentos por conta própria, especialmente se envolver o uso de fortes medicamentos como a Ritalina. (Ref.7)

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.cefac.br/library/artigos/2405420cdd61d3c9ba0387897e1316ed.pdf
  2.  http://oincrivelze.com.br/wp-content/uploads/2015/12/Fasc%C3%ADculo_Dificuldades-de-Aprendizagem-Unidade-1.pdf
  3.  http://www.eloufrj.com.br/arquivos/Suplemento%20SINPRO%20-%20Transtornos%20Espec%C3%ADficos%20da%20Aprendizagem%20-%20Monica%20Weinstein.pdf
  4. http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v8n4/v8n4a05 
  5. http://www.educacao.rs.gov.br/dados/saude_escolar/saude_mental_ei_moojen_aprendizagem_rodhe.pdf
  6. http://www2.assis.unesp.br/egalhard/docs/PalestraIIIForum_Capellini%20.pdf 
  7. http://www.fda.gov/ForConsumers/ConsumerUpdates/ucm269188.htm