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Porcos doadores de órgãos?




         Com a necessidade cada vez maior de órgãos para transplante, grupos de pesquisa vêm há algum tempo tentando encontrar métodos de fabricar artificialmente esses órgãos para que os hospitais e pacientes não tenham que ficar dependentes da boa vontade do povo. As técnicas usadas para o alcance de tal meta vão desde a cultura laboratorial de células até o crescimento desses órgãos em outros animais. E neste último exemplo é onde vários cientistas estão mais esperançosos. Nesse fim de semana, a BBC publicou uma entrevista interessante sobre o assunto.

           Na entrevista, um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia mostrou qual está sendo o foco mais promissor no momento para o cultivo de sucesso de órgãos humanos. Usando a popular e recente tecnologia de recorte de DNA, o CRISPR (1), a ideia é pegar embriões de porcos, retirar o gene que comanda a feitura de um órgão no animal ( por exemplo, o fígado) e inserir dentro desse embrião células-tronco humanas pluripotentes (2). A esperança é que o DNA dessas células-tronco preencha o vazio deixado pelo CRISPR, e comande a ´confecção´ do fígado dentro do porco, só que a partir de células humanas. Ou seja, se tudo der certo, teríamos várias ´plantações de porcos´, cada uma delas fornecendo um órgão específico. E como os porcos possuem uma fisiologia muito parecida com a nossa, esses órgãos sairiam, virtualmente, perfeitos. Na verdade, esses animais não seriam mais porcos e, sim, quimeras ( fusão entre duas ou mais espécies).

           Só que, claro, existem diversas críticas e polêmicas. A primeira é o risco de vírus do porco passarem para o humano que fosse receber o órgão. Isso os pesquisadores já responderam, dizendo que a edição genética de certos genes relacionados com infecções viróticas no porco ´esterilizariam´ as contaminações preocupantes. Já no campo da polêmica, temos os defensores de animais questionando essas futuras ´plantações´, onde poderia existir sofrimento aos porcos. Para eles o foco deveria ser em encontrar métodos de incentivarem mais pessoas a doarem órgãos.

           Ainda na polêmica, temos outra ainda mais controversa. Neurônios humanos que produzem dopamina, desenvolvidos no cérebro do porco, para ajudar no tratamento de pacientes com Alzheimer, por exemplo, poderiam representar um grande problema. Caso as células prulipotentes deem um cérebro com aspecto muito humano ao porco, isso iria contra qualquer código de ética científica. Mas os pesquisadores garantem que qualquer feto desses animais que desenvolverem um cérebro humanoide será eliminado.

         De qualquer forma, se tudo der certo, o mundo pode se ver livre da escassez de órgãos para transplante, algo atormentador para quem está nas longas filas de espera. Aqui no Brasil, por exemplo, a taxa de transplantes é de 39 a cada 1 milhão de pessoas (39 pmp), sendo que o número ideal é de 100 pmp. Além disso, o vergonhoso tráfico de órgãos humanos, especialmente na Ásia, poderia ser minimizado.

         E, caso você não seja um doador, considere ou reconsidere fazer parte do time pela vida...:)

Entrevista na BBC: http://www.bbc.com/news/health-36437428

Para mais informações sobre o transplante de órgãos, acesse o site da Associaçõa Brasileira de Transplante de Órgãos: http://www.abto.org.br/

(1) Entenda mais sobre o assunto em: CRISPR-Cas9: o poder da edição genética! 

(2) Células-Tronco pluripotentes: são células humanas capazes de gerarem qualquer tecido no organismo a partir de estímulos bioquímicos específicos.

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