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Quais os benefícios terapêuticos da Castanha-da-Índia?


 
        As sementes da castanha-da-índia ( Aesculus hippocastanum) são usadas para o preparo de extratos e pós, os quais são vendidos em cápsulas ou como suplementos. São dados vários poderes medicinais a ela, como propriedades anti-inflamatórias, emagrecedoras, antioxidativas e venotônicas. Mas o quanto disso é verdade?

        Analisando artigos científicos de revisão e trabalhos isolados de relevância, o poder de emagrecimento é inexistente, como esperado, e existem fracas evidências de propriedades anti-inflamatórias e anticancerígenas. No caso das propriedades antioxidativas, qualquer outro alimento vegetal ( frutas, verduras, sementes, legumes, cereais, etc.) possuem bastante antioxidantes, não sendo necessário recorrer ao extrato de castanha-da-índia para isso. Por outro lado, existem fortes evidências da ação do seu extrato no tratamento da Insuficiência Venosa Crônica ( IVC), a qual gera, como principal resultado, as famosas varizes. Apesar de existir outros métodos com mesma, ou melhor, eficácia e tratamentos cirúrgicos, o extrato dessas sementes mostra resultados positivos na amenização e prevenção de varizes e afins.

         A IVC é uma condição médica caracterizada pela fraqueza das veias em bombear os sangue de volta para o coração e afeta, principalmente, as regiões da perna. Por causa o influxo sanguíneo devido ao mal funcionamento da veia, a mesma sofre inchaços e deformações, gerando diversos problemas, incluindo as varizes. Entre outros sintomas, podemos citar o escurecimento, descamação  ou endurecimento da pele sobre as veias afetadas. O quadro, como é crônico, costuma ir evoluindo com o tempo, onde entre 3 e 11% dos pacientes podem chegar em estágios mais avançados da doença, apresentando, por exemplo, a abertura espontânea de feridas na pele que podem demorar anos para cicatrizarem. Afetando bem mais as mulheres ( 20 a 33%) do que homens ( 10 a 20%), ainda não se sabe muito bem os mecanismos de desenvolvimento do IVC, porém algumas causas são conhecidas:

1. Genética: se sua família possui histórico de pessoas com a doença, é grande as chances de você desenvovê-la;

2. Obesidade: problemas circulatórios gerados pelo excesso de peso ( gordura corporal) podem facilitar o mal funcionamento das veias;

3. Sedentarismo: não se exercitar o mínimo aumenta bastante as chances de surgir um IVC, principalmente porque o músculo da batata da perna fica fraco e deixa de dar uma boa ajuda no bombeamento sanguíneo ( sim, os músculo da batata da perna ajudam a bombear o sangue de volta para o músculo cardíaco e por isso muitos o chamam de ´segundo coração´; por isso estar sempre relaxando e contraindo ele - ato de andar/correr, musculação, etc. - ajuda a melhorar a circulação sanguínea);

4. Múltiplas gestações: alterações hormonais e ganho de bastante peso durante a gestação geram danos na veias da perna, contribuindo para o surgimento das varizes. Porém, nesse caso, essas ´varizes gestacionais´ costumam desaparecer espontaneamente após o parto.

5. Síndrome de May-Thurner, Trombose Venosa Profunda, Trombofilia, e doenças afins: todas essas condições provocam o surgimento de coágulos sanguíneos ( entupimento das veias causada pelo acúmulo de compostos orgânicos entre as pardes dos vasos). Esses coágulos dificultam a circulação sanguínea e favorecem o mal funcionamento das veias afetadas.

          Existem vários tratamentos para o IVC, incluindo métodos definitivos e de manejamento/preventivo. O primeiro é alcançado modificando a estrutura das veias afetadas, através de operações cirúrgicas diversas. O segundo ajuda a prevenir e amenizar os sintomas já existentes, através de massagens linfáticas, meias de compressão, medicamentos de hipertensão, lubrificação cutânea, entre outros. Outro modo de prevenção é realizar exercícios físicos, especialmente voltados para a perna, ou, pelo menos, se movimentar mais no seu dia-a-dia. Elevar as pernas até a altura do coração durante um tempo e de forma ocasional durante o dia também pode ajudar a prevenir mais veias de serem afetadas pelo problema, caso você tenha o problema.

           Bem, e nesse universo de tratamentos, o extrato da castanha-da-índia viria também no papel de manejamento e prevenção do IVC. O principal componente ativo desse extrato é uma mistura de sapominas ( substâncias orgânicas) denominada aescina. Elas atuariam na recuperação da saúde das veias, por mecanismos não totalmente esclarecidos. Porém, é válido ressaltar que os efeitos a longo prazo ainda não possuem comprovação científica conclusiva de eficácia. E quando vemos todas as outras possibilidades de tratamento, é difícil saber se o extrato dessa semente realmente vale a pena. De qualquer forma, o seu uso é seguro e pode até valer a pena quando o preço é comparado com outros tratamentos. É válido lembrar também que alguns artigos científicos clínicos não encontraram muita diferença entre placebo e o uso desses extratos para vários casos da doença.

          Concluindo, o extrato da semente da castanha-da-índia parece ter efeito significativo apenas no tratamento do IVC, mas somente no manejamento e prevenção. Quando os sintomas já estão instalados, como as varizes, apenas métodos cirúrgicos realmente dão um resultado de ´limpeza´ definitiva ( porém, não preventivos, podendo outras surgirem se cuidados não forem tomados), exceto, talvez, quando o problema ocorre devido à gravidez. Outros ´poderes medicinais´ atribuídos a essa semente são apenas extrapolações exageradas, sem quase nenhuma evidência científica dando suporte. Quanto ao emagrecimento, esqueça (1). E, para fechar, não vá direto comprando a castanha-da-índia para tratar as varizes. Busque o conselho de um profissional de saúde especializado na área, para adequar o melhor tratamento para você. A simples prática de mais exercícios físicos pode ser a solução para o seu problema, ou o médico pode acabar detectando problemas circulatórios mais graves em seu corpo ( sendo as varizes um sinal dos mesmos), dando tempo para tratamentos específicos sejam realizados desde o início e aumentando as chances de cura.

(1) Lembrem-se do que eu já disse aqui várias vezes: tudo acaba sendo usado como produto de emagrecimento, porque isso gera venda. E, em 99,9% dos casos, é papo furado.


AVISO: É preciso tomar cuidado com os extratos comprados porque estudos já mostraram que algumas marcas no mercado não entregam a quantidade mínima de aescina. Bem, os benefícios terapêuticos do extrato dessa semente já não são lá essas coisas, imagina se o mesmo vier com pouco do seu principal princípio ativo. (Ref.7)

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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0102695X15001003
  2. http://www.cochrane.org/CD003230/PVD_horse-chestnut-seed-extract-for-long-term-or-chronic-venous-insufficiency
  3. https://www.thieme-connect.com/products/ejournals/abstract/10.1055/s-0034-1394654
  4. http://europepmc.org/abstract/med/25839871
  5. http://agriculturejournals.cz/publicFiles/104155.pdf
  6. http://sbacvsp.com.br/index.php/homepage/doencas-vasculares/170-insuficiencia-venosa-cronica-varizes-dos-membros-inferiores.html
  7. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-695X2006000200016