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As ruivas estão em processo de extinção?



         Muitos já devem ter ouvido falar da história de que as ruivas estão à beira da extinção, e que, em um futuro próximo,  elas deixarão de existir. Isso tudo começou quando a National Geographic fez uma reportagem em 2007 que predizia, erroneamente, que as ruivas estavam em um processo de extinção e que por volta de 2060 elas não mais fariam parte do nosso mundo.  Mas isso não é verdade, apesar desse mito continuar vivo até hoje.

        Cerca de 1% a 2% da população mundial possui os raros genes recessivos que são responsáveis pela mutação da proteína MC1R (uma das principais reguladoras da coloração da pele e cabelo/pelo nos mamíferos) e que dão ao indivíduo essa coloração avermelhada aos seus cabelos (1), podendo ser um vermelho bem intenso ou bem claro. Mas esses genes recessivos não vão desaparecer das linhagens, independentemente da quantidade e variedade das misturas entre os grupos humanos. Para que uma pessoa seja ruiva, é necessário duas cópias desse gene no cromossomo 16, os quais podem vir mesmo de pais que não sejam ruivos. Isso porque muitos podem carregar apenas uma cópia desse gene e quando junta o material genético com outra pessoa que também possua uma ou duas cópias do gene, existirá sempre a probabilidade genética dos dois serem expressos no filho, este o qual será ruivo. 

Não se preocupem, os genes ruivos estão salvos...:)

          Para se ter uma ideia, entre 70 e 140 milhões de pessoa no mundo carregam esse gene, seja como par ou de forma solitária. Assim, os "pedaços genéticos" responsáveis por dar origem aos ruivos estão rodando por todo canto e sempre existirá um encontro de dois deles em algum filho. Somente se uma catástrofe inexplicável extinguir todas as dezenas de milhões de portadores desse gene é que os ruivos e ruivas estarão com os dias contados. Mas tem que ser algo estilo The Leftovers...:)

           Portanto, se você tem um fascínio por ruivas ou ruivos, é hora de parar de chorar....:D

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Curiosidade: Estudos genéticos mostram que os ruivos surgiram entre 20 mil e 100 mil anos atrás. Teorias sugerem que eles foram selecionados na evolução ou por produzirem uma pele bem clara - a qual seria ideal para absorver os raios solares em regiões mais afastadas do equador, como a Europa (produzindo quantidades satisfatórias de vitamina D para o corpo - artigo recomendado abaixo) -, ou os genes apareceram apenas como um acidente: na África, a prevalência dos ruivos foi levada a níveis imperceptíveis por causa dos danos excessivos da radiação solar abundante na pele clara desse fenótipo e na Europa, por exemplo, eles foram ´deixados prosseguir´ por não causarem prejuízos, já que a radiação solar nessa região é mais escassa. A pele dos ruivos é bem suscetível aos danos solares por possuírem escassa quantidade de melanina (pigmento protetor do UV na pele e responsável pelas tonalidades mais escuras) e não serem capazes, na maioria das vezes, de se bronzearem em resposta ao ´banho de Sol´. Além disso, alguns estudos também sugerem que mutações no MC1R, por si só, já aumentam os riscos de um melanoma, independente da presença de radiação UV incidente sobre a pele. Hoje, os ruivos continuam prevalecendo no norte e oeste da Europa (entre 2 e 6% dos ruivos no mundo). (Ref.5-11)


Curiosidade 2: Estudos genéticos também mostraram que existiam ruivos entre os Neandertais, os parentes do gênero Homo próximos dos humanos modernos (1). Porém, as mutações e genes envolvidos não são os mesmos que os nossos. (Ref.9)

OBS.: Nem sempre os cabelos vermelhos são causados pela mutação no MC1R. Em raros casos, outros genes responsáveis pela cor dos cabelos podem ser afetados por mutações que levem ao avermelhado capilar. (Ref.2) 

(1) Discuti um pouco mais sobre isso no artigo Como o Ozzy Osbourne ainda está vivo?

Artigo recomendado: Cor da pele e vitamina D

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. https://web.archive.org/web/20010709074454/www.ox.ac.uk/blueprint/2000-01/3105/11.shtml
  2. http://www.nature.com/ng/journal/v39/n12/abs/ng.2007.13.html
  3. http://hmg.oxfordjournals.org/content/9/17/2531.short
  4. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10885670
  5. http://www.nature.com/ng/journal/v11/n3/abs/ng1195-328.html 
  6. http://www.nature.com/nature/journal/v491/n7424/abs/nature11624.html
  7. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0140673600020420
  8. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1288200/
  9. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ijc.23396/full
  10. http://science.sciencemag.org/content/318/5850/546 
  11. http://jmg.bmj.com/content/41/2/e13.short