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Cães, gatos...e o resto?



          Dentro das redes sociais, cada vez mais estão crescendo movimentos de apoio e proteção ao bem-estar dos animais. E isso é maravilhoso e precisa ser seguido por mais e mais pessoas. Porém, o foco de apoio, ao invés de ser global, está sendo extremamente restrito.

           Não deve ser exagero dizer que mais de 97% das campanhas e movimentos nas redes sociais cobrem apenas cães e gatos, e isso não é só no Brasil. Organizações como a WWF e o Greenpeace fazem o papel internacional de alertar as pessoas sobre as espécies em extinção, danos ambientais e medidas de conservação, tudo da forma mais ampla possível. Infelizmente, quando as campanhas chegam a nível regional,  a atenção e compartilhamento de informações adotam apenas os caninos e felinos domésticos como defesa de causa. Eu sei que eles são os animais que mais estão próximos do nosso convívio, mas eles são os que menos sofrem com a expansão urbana, já que são animais urbanos. Enquanto isso, nossa fauna e flora é desintegrada sem um apoio efetivo da população para impedir tal processo.
  
Eles já estão salvos, mas e os outros?

           Para dificultar o tráfico e conscientizar as pessoas sobre os animais em real risco de sumir do planeta, além de mostrar o quão rico é o nosso meio ambiente, é preciso que a população divulgue informações do tipo com a mesma paixão feita para os nossos amigos domésticos. Não é preciso nem sair pesquisando sobre todos os seres vivos do mundo, claro. Apenas divulgando informações sobre os animais da sua região, especialmente os mais ameaçados, já ajuda bastante. Da Arararinha-Azul até o Mico-Leão-dourado, existem centenas de espécies em grande perigo de conservação só aqui no nosso país. E o pior é que nós nem conhecemos direito quase nenhum deles. Sem a população conhecer sua fauna, o tráfico é muito facilitado, já que não existe um apelo suficiente. E o mais importante: quando o povo levanta a voz, as autoridades não ficam caladas. Se não damos a mínima para a causa, por que a fiscalização vai dar? Se apenas ficarmos espalhando fotinhas bonitinhas de gatos e cães, estaremos sufocando a existência de uma infinidade de outros seres em real sofrimento.

Gráfico de 2007 da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais ( IUCN), mostrando a porcentagem de animais de diferentes grupos ameaçados de extinção no mundo; a cor vermelha significa ´estado crítico´, a laranja ´em perigo´ e a amarela ´vulnerável´

           Mas eu também não saio dessa sem culpa. Meu blog, e perfil, que deveriam ser um exemplo de educação e conscientização sobre o nosso meio ambiente, mesmo tentando sempre divulgar informações sobre espécies exóticas e ameaçadas de extinção, e alertar sobre a degradação das nossas florestas, atmosfera e mares, eu nunca dou espaço para falar sobre a nossa flora em específico. Diversas plantas estão em perigo de extinção e são tão essenciais ao equilíbrio ambiental quanto os animais. Nos desflorestamentos, as primeiras a serem atingidas são elas e muitas pessoas pouco se importam em destruir uma ou outra planta por pensar que nenhuma delas se encaixa na categoria ´ameaçados de extinção´. Tipo ´planta é planta, oras´. É preciso mudar também essa mentalidade.

             Concluindo, sim, proteger cães e gatos é muito importante, mas eles não são os únicos animais que existem na nossa fauna. Além disso, o crescimento das cidades abraçam os animais domésticos, mas engole a maioria selvagem. Vamos divulgar sobre  os animais ameaçados de extinção, aqueles vítimas do tráfico, sobre os pássaros sofrendo terrivelmente em gaiolas e condições desprezíveis de contrabando. Como sempre, o nosso problema é sempre pensar localmente, e não globalmente.

Para denunciar crimes ambientais, acesse o site do IBAMA para maiores informações: http://www.ibama.gov.br/institucional/fale-conosco

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