YouTube

Artigos Recentes

Açúcar causa hiperatividade nas crianças?



           Esse é um mito cláááásico! É bem comum vermos em desenhos animados, séries e filmes crianças comendo doces, ou qualquer outra coisa bem açucarada (1), e ficando com a hiperatividade lá no teto, correndo feitos loucas pela casa. Mesmo hoje, muitos pais realmente acham que alimentos açucarados deixam as crianças hiperativas e menos concentradas para fazer o que é pedido. Isso foi até motivo sério de estudo nos anos 80 e 90, onde diversas análises clínicas e trabalhos de revisão/meta-análises não conseguiram achar relação alguma entre hiperatividade e doces entre as crianças. Desde a década de 90, é um consenso médico que essa afirmação é apenas uma crença sem base científica de comprovação.

             O grande mistério dessa história é saber quando ela começou. Provavelmente, a relação deve ter vindo do alto índice glicêmico dos alimentos açucarados, os quais aumentam os níveis de insulina no sangue, induzindo a hipoglicemia e consequente liberação de epinefrina, a qual poderia ativar reações de hiperatividade e desordens de comportamento no cérebro da criança. Bem, mas isso fica apenas na hipótese, porque isso não se mostra uma realidade na prática clínica. Com a crescente preocupação dos pais com a recém-descoberta e bem caracterizada Desordem de Hiperatividade e Déficit de Atenção ( ADHD, na sigla em inglês) afetando as crianças, no início dos anos 70, vários culpados foram procurados e essa relação glicêmica com o açúcar comum ( sacarose) pode ter sido um dos melhores candidato da época. Embora até hoje não exista evidência significativa sobre as causas dessa desordem comportamental, a dieta parece não apresentar relação direta de causalidade, embora existam evidências de que o tratamento da ADHD possa ser auxiliado por mudanças nutricionais. Por outro lado, tanto na causa quanto no tratamento, retirar o açúcar ( sacarose, frutose, etc.) não mostra surtir resultados de melhora.

              Alguns estudos sul-coreanos publicados entre 2007 e 2008 ( parece que 4 no total) estavam ´re-relacionando´ os doces com um possível mecanismo moderado de hiperatividade e déficit de atenção nas crianças, todos foram derrubados com outros trabalhos anteriores e posteriores, incluindo um artigo de revisão de 2011 (Ref.1). Bem, mas, pelo menos, esses estudos buscavam por mecanismos tímidos de intervenção. A ideia de que basta dar algo açucarado para as crianças saírem subindo pelas paredes de tanta agitação faz parte apenas do folclore popular. Caso seu filho seja muito hiperativo ou possua suspeita de ADHD, leve-o a um profissional de saúde ao invés de seguir experimentos populares de cura.

               MAS é válido deixar claro aqui na conclusão que o consumo de doces entre as crianças deve ser desestimulado a qualquer custo. O consumo exagerado de carboidratos refinados e de alto índice/carga glicêmica apenas traz acúmulo pobremente nutricional de gordura e possíveis vícios maléficos na dieta do futuro adulto, algo que pode levar, desde cedo, à problemas de obesidade, cáries, síndromes metabólicas, entre outras. Além disso, adoçantes como a frutose estão associados com diversos problemas no corpo, como doenças hepáticas e danos cerebrais. Doce só não causa hiperatividade.

(1) Generalização de carboidratos calóricos adoçantes, como a sacarose, glicose e frutose.

Artigo complementar: Doces são para crianças?

Artigo recomendado: Pelo barbeado cresce rápido, grosso e vistoso?


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1.  http://synapse.koreamed.org/search.php?where=aview&id=10.4162/nrp.2011.5.3.236&code=0161NRP&vmode=FULL
  2. http://jama.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=391812
  3. http://nutritionreviews.oxfordjournals.org/content/52/5/173.abstract
  4. http://journals.cambridge.org/action/displayAbstract?fromPage=online&aid=915404&fileId=S000711450400234X
  5. http://www.amsciepub.com/doi/abs/10.2466/pr0.1993.72.1.47?journalCode=pr0
  6. http://search.proquest.com/openview/dafa2bab5dd6a868ebd18000e325856d/1?pq-origsite=gscholar
  7. http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/10408399609527717
  8. http://link.springer.com/chapter/10.1007/978-1-4899-8077-9_14#page-1
  9. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0262407913620941 
  10. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/0272735886900346
  11. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0262407913620941 
  12. http://www.cdc.gov/ncbddd/adhd/facts.html