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Vale a pena escolher o parto natural?


          Abraçar, ou não, o parto natural? Essa é a pergunta que a maior parte das mulheres enfrentam em algum momento da vida, especialmente quando estão grávidas. Hoje existe uma tendência extremamente alta da escolha pelos métodos mais artificiais possíveis. Mas será que existem diferenças significativas?

         Para começar, nosso corpo é fruto de uma evolução biológica de bilhões de anos. E no meio disso, temos o mais importante: o objetivo principal de todo ser vivo é a reprodução. Ou seja, seu organismo foi cuidadosamente preparado para otimizar, da melhor forma possível, os processos de reprodução, incluindo os ritos sexuais, produção de gametas e desenvolvimento dos descendentes vivos. Em termos biológicos, nada mais importa a não ser a reprodução. Portanto, você pode ter certeza de que o momento do parto também foi perfeitamente planejado pela ´mãe natureza´.

          Uma das preocupações mais recorrentes na cabeça das futuras mães é relacionada com as dores do trabalho de parto. Por causa da má fama delas serem terríveis, muitas mulheres escolhem atalhos artificiais que evitarem o máximo possível essa dor, incluindo as perigosas cesarianas. O problema é, como sempre, o preconceito e falta de informação. As dores no parto podem parecer algo terrível e nada natural, mas não se engane, nem por um segundo, que incontáveis eras de evolução criaram essas dores sem motivo nenhum. As dores, por mais estranho que pareça, são guias importantíssimos para facilitar o trabalho de parto e permitir que a criança saia com o mais alto grau de segurança do útero para o nosso mundo.

          Desde as contrações anteriores ao parto até as contrações finais, tudo é detalhadamente monitorado pelo corpo. A contrações e dores no parto são sinais para a grávida, mostrando a ela como se posicionar, ou fazer mais força, ou frear um pouco, além das mesmas orquestrarem uma verdadeira sinfonia de hormônios, como a oxitocina (cumprem o papel de controlar as contrações uterinas e reduzir os sangramentos do parto) e endorfinas (analgésicos mais poderosos do que a morfina). Assim, as dores guiam e entram em ressonância com o corpo, aumentando ainda mais a ligação entre mãe e bebê durante o nascimento e permitindo que ambos ajudem um ao outro fazendo com que as chances de complicações diminuam bastante.

           Então, respondendo à pergunta inicial, se você abraçar o parto natural, estará abraçando algo que já abraça nossa espécie desde os nossos primeiros ancestrais. É fácil afirmar que toda mulher apta deveria passar pelo parto natural e apenas recorrer aos métodos médicos artificiais em caso de real necessidade. A cesariana por exemplo, algo que cresce sem parar, é um procedimento muito arriscado, especialmente para a mãe (Os perigos do parto de cesariana). Outra coisa muito importante é saber a diferença entre ´parto natural´, ´parto não-natural´ e ´parto em casa´.

           O parto natural ocorre quando:

1. Não existe uso de medicações, incluindo aliviadores de dor;

2. Existe mínimo, ou nenhum, monitoramento médico direto (controle artificial do parto);

3. Não existe procedimentos cirúrgicos para facilitar a entrega do bebê, como a cesariana e episiotomia (corte feito no períneo para facilitar o parto, ou seja, uma abertura extra através do corte da região entre a vagina e o ânus);

4. É permitido à mulher se movimentar livremente e controlar as contrações do parto, ou seja, deixar seus instintos naturais e corpo guiarem ela durante o processo. Claro, a presença de familiares e ´torcida´ por perto também é aceita, podendo ser até um fator essencial para facilitar ao máximo o trabalho de parto.

           Bem, o parto não-natural é quando todas essas condições não são respeitadas. Mas lembrando, lógico, que se existe um risco para a mãe e o bebê durante o parto, os métodos artificiais precisam entrar em ação porque irão compensar os seus próprios riscos ou falta de benefícios. Caso o seu corpo consiga comportar perfeitamente um parto natural, aposte nele, independentemente do medo da dor. Quando o assunto é reprodução, pode confiar na natureza. Após um procedimento com mínima intervenção médica, a recuperação da mãe é bem mais rápida, permitindo que ela tenha um maior contato com o seu bebê o mais breve possível (amamentação e carinho), algo extremamente importante para o bom desenvolvimento da criança e laço materno. Sobre o efeito de analgésicos artificiais, por exemplo, o trabalho de parto se torna mais lento e difícil, podendo representar um risco para o bebê.

        Agora, é fundamental que parto natural não seja confundido com parto caseiro ou feito sozinho. O que está sendo discutido aqui é o trabalho de parto. Durante esse processo, quanto mais natural, melhor. Mas quando o bebê chega ao mundo e a mãe termina seu exuberante esforço, não é nem questão de discussão se uma assistência médica é recomendada ou não. Um hospital será o melhor lugar para acomodar o bebê e a mãe em repouso, tendo todos os recursos necessários para suprimir uma grande variedade de complicações antes e depois do parto, principalmente fazendo um ´check-up´ do recém-nascido desde os seus primeiros minutos de vida fora do útero. Muitas futuras mães confundem os benefícios do parto natural com fazê-lo em um ambiente que seja o mais ´natural´ possível. Isso já é retrocesso ilógico, já que não somos uma espécie que vive em meio selvagem há muito tempo. Por que dispensar uma supervisão médica sem necessidade? Entendem a diferença? Uma coisa é você ir ao hospital ter o seu parto o mais natural possível, sempre sob a supervisão médica caso algum problema ocorra. Outra coisa é ir no hospital e ser entupida de medicamentos e cortada de cima abaixo durante o parto. De um jeito ou de outro, o hospital é a forma mais segura de dar luz ao seu filho.

         Se mesmo assim você quiser ter o seu filho em casa, por questões psicológicas (estar em meio a conhecidos e em um lugar intimamente familiar) ou religiosas, tenha sempre um ou mais profissionais da saúde acompanhando o processo. ´Profissionais´ e não curandeiros com fumaças de rituais sinistros. E quanto ao psicológico, ter os amigos e membros familiares ao seu lado, especialmente o pai, pode fazer com que o ambiente hospitalar se torne bem familiar. Pense mais de duas vezes em ter o parto em casa, ou em qualquer outro lugar que não seja um hospital, e sempre informe ao seu médico sobre sua decisão o mais cedo possível.

          Concluindo, sempre escolha um trabalho de parto natural e prefira um bom hospital para fazê-lo. Além de confiar no melhor que a natureza tem a oferecer, grande parte das mães que fazem o parto natural dizem é uma experiência que vale muito a pena depois, a qual faz com que os laços entre filho e mãe sejam ainda mais fortalecidos.

Artigo relacionado: Os perigos do parto de cesariana

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1595040/
  2. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18602202
  3. http://kidshealth.org/en/parents/natural-childbirth.html
  4. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18844651
  5. http://www.childbirthconnection.org/article.asp?ck=10271
  6.  http://www.theguardian.com/lifeandstyle/2009/jul/12/pregnancy-pain-natural-birth-yoga
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