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Por que ficar de olho na Síndrome de Lynch?



            Nos EUA, existe uma média de 140 mil novos casos de câncer colorretal todos os anos. Aqui no Brasil, a média é de 30 mil casos anuais. Os mais atingidos pela doença são adultos com mais de 50 anos. Mas o que muitos não sabem é que existe uma síndrome genética que está intimamente ligada com essa doença e que deveria ser motivo de preocupação de todos.

            O nome dela é ´Síndrome de Lynch´, a qual é caracterizada por ser uma desordem genética que aumenta os riscos de desenvolvimentos de vários cânceres no corpo dos seus portadores, especialmente no surgimento de tumores malignos no cólon ( porção maior do intestino grosso) e no reto ( final do intestino grosso). O termo ´câncer colorretal´ refere-se ao conjunto de cânceres que podem afetar o reto e o cólon. Entre 3 e 5% dos casos de câncer nessa parte do corpo é devido à síndrome, a qual também aumenta a proporção de pessoas com menos de 50 anos a desenvolverem essa doença. Outros órgãos que são afetados com menor intensidade com o maior risco de câncer  por causa dessa síndrome são: estômago, pequeno intestino, fígado, vesícula biliar, trato urinário superior, cérebro e pele. Somando-se a isso, mulheres acima dos 50 anos também passam a ter maiores chances de desenvolverem câncer nos ovários e no útero ( em específico, no endométrio).

              O motivo pelo qual a síndrome de Lynch aumenta os riscos de câncer estão relacionadas com os genes MLH1, MSH2, MSH6, PMS2 e EPCAM*, onde passa a existir mutações em um ou mais deles. Assim, eles passam a agir de forma inadequada e, como eles estão relacionados com a reparação de erros nas cópias do DNA ( processo de divisão celular), células anormais começam a ser criadas com maior frequência. Caso essas células danificadas comecem a se dividir descontroladamente, por serem defeituosas, possíveis tumores malignos acabam sendo formados no corpo.

                Por isso é importante saber se você possui ou não a síndrome. Caso na sua família exista casos de câncer colorretal ou casos específicos de síndrome de Lynch, é recomendado que você faça um exame genético para detectar a possível anomalia genética. E outra coisa: caso o teste dê positivo, as chances dos seus pais, filhos e irmãos de terem a síndrome é de 50%. Por isso é essencial avisar a todos os membros da sua família que você tem a condição genética, aconselhando a todos que façam o exame. Outros motivos de recomendação do teste genético:

1. Se você já teve câncer colorretal no passado;

2. Se você, mulher, tiver tido câncer no endométrio ( especialmente se foi antes dos 50 anos);

3. Caso existam outros membros na família que desenvolveram câncer nos órgão mencionados anteriormente;

4. Caso você tenha tido pólipos ( crescimento anormal, mas benigno, de células na parede de certos órgãos) no intestino grosso, especialmente se ocorreu na juventude ( a síndrome de Lynch pode fazer eles surgirem mais cedo do que o normal).

     Você deve estar se perguntando: ´Por que eu vou querer saber se eu tenho essa síndrome? Em caso positivo, eu não poderei fazer nada para consertar esse erro genético´. Mas o que acontece é que se você tiver esse problema genético, suas chances de contrair tumores malignos aumenta consideravelmente. Aí, visitas mais rotineiras ao médico, medidas profiláticas específicas, cuidados maiores com a alimentação e melhoria geral no estilo de vida ( largar o fumo e a bebida alcoólica, por exemplo) precisam ser seguidos com maior paixão, porque você já sabe de antemão que o seu corpo precisa de ser supervisionado com mais atenção. E quando você possui filhos, você vai querer o melhor para eles também.               

*Observação: O gene EPCAM não está ligado diretamente com a reparação do DNA, mas certas mutações no mesmo levam a uma inativação do gene MSH2, este o qual, por sua vez, é responsável pelas reparações.

Detalhe: A síndrome de Lynch também pode ser chamada de HNPCC ( Câncer Colorretal Hereditário Não Associado à Polipose, na tradução do inglês)

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 REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.cdc.gov/features/lynchsyndrome/index.html
  2. https://ghr.nlm.nih.gov/condition/lynch-syndrome
  3. http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/publicacoes/Boletim_CEInfo_Analise_06.pdf
  4. http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/colorretal/definicao
  5. https://jnci.oxfordjournals.org/content/96/4/261.full
  6. http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa052627 
  7. http://link.springer.com/article/10.1007/s10689-013-9631-1#/page-1
  8. http://link.springer.com/article/10.1007/s10689-013-9637-8#/page-1