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O que é o Paradoxo dos Antioxidantes?



            Há muito tempo é sabido que diversas doenças crônicas podem ser causadas pelo estresse oxidativo do corpo e por processos inflamatórios, onde ambos, apesar de serem distintos processos, estão interligados pelos mesmos intermediários: espécies oxidativas, radicalares ou não (O que são os Radicais Livres?). Os antioxidantes são substâncias que combatem essas espécies, e muitos deles são bem conhecidos pelas pessoas: as vitaminas, especialmente a C e a E. Portanto, parece lógico que, quanto mais antioxidantes administrados a um indivíduo, melhor ele ficará, não? Bem, não... Esse é o paradoxo.

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            Por motivos não muito bem compreendidos, terapias envolvendo antioxidantes para tratar doenças relacionadas a processos inflamatórios e oxidativos não surtem efeito quase nenhum e, em alguns casos, podem até fazer mal. O fato é que o seu corpo necessita de antioxidantes até uma certa quantidade. A partir de um relativo excesso, a ação antioxidante não mostra resultados de proteção. Uma das explicações para isso pode residir em outro paradoxo: apesar das espécies oxidativas fazerem mal ao corpo, atacando diversas estruturas bioquímicas, parece que, em certas situações, elas podem ser úteis no combate de certas doenças ou outros agentes danosos ao organismo.

            Em cânceres, por exemplo, temos um excelente exemplo para ilustrar o drama. As espécies oxidativas são conhecidas por induzirem o surgimento de cânceres, especialmente por causarem danos à estrutura do DNA celular. Assim, um tratamento com antioxidantes pode ajudar a diminuir as chances de surgimento dos tumores. Porém, caso os tumores já estejam em desenvolvimento, os antioxidantes podem ser prejudiciais, porque os radicais livres e outros agentes oxidantes liberados no meio canceroso têm o seu número aumentando nessa área, justamente para danificar as células tumorais e dificultar o seu crescimento. Caso elas sejam neutralizadas pelos antioxidantes, o câncer pode piorar, como já foi observado em várias pesquisas. Outro exemplo onde as espécies oxidativas podem ser importantes é na sinalização de problemas em certas partes do corpo, como no caso dos processos inflamatórios. Com a sinalização ´oxidativa´, o corpo seria estimulado a mandar mais células de combate (leucócitos, fagocitócitos, etc.) para a região problemática. Caso existam muitos antioxidantes no corpo, esse processo pode ser prejudicado.

       Para ilustrar, um estudo publicado em 2007, do US National Cancer Intitue, mostrou que homens que tomam multivitamínicos tinham uma chance 2 vezes maior de morrer de câncer de próstata do que aqueles que não tomavam (Ref.11). Em 2011, outro estudo com 35,533 mil homens saudáveis mostrou que o câncer de próstata tinha um risco 17% maior de surgir nos mesmos caso uma suplementação com vitamina E e selênio estivesse sendo consumida (Ref.12).

          Concluindo, o corpo parece ter um equilíbrio saudável entre antioxidantes e espécies oxidativas, onde o equilíbrio do estresse oxidativo não pode ser perturbado. Alguns pesquisadores da área acreditam que o paradoxo talvez possa ser contornado através do uso de antioxidantes e anti-inflamatórios específicos, ao invés de usar qualquer cesta recheada dessas espécies. E o mais importante: saber exatamente o que está acontecendo no corpo para saber quando usar ou não as terapias antioxidantes. E outro desafio: a grande maioria dos estudos não sabem medir com precisão o equilíbrio redox (oxidação/redução) no corpo antes e depois das terapias. Isso faz as dosagens terapêuticas não serem precisas o suficiente. Por isso as terapias de antioxidantes iniciadas na década de 90 foram suspendidas anos mais tarde, por falta de eficiência e até mesmo efeitos colaterais indesejáveis.

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         De qualquer forma, esse é um dos motivos do porquê as pessoas não devem exagerar no
Cuidado com os excessos!
consumo de multi-vitamínicos, medicamentos baseados em antioxidantes (pigmentos vegetais ou substâncias artificiais) ou terapias antioxidante feita por profissionais suspeitos. O certo é maneirar no consumo de suplementos alimentares e evitar comer muitos produtos industrializados, porque esses costumam ter muitos antioxidantes artificiais (protegem o alimento de degradação oxidativa). Uma alimentação equilibrada e diversificada já é o suficiente para você adquirir todos os nutrientes necessários para o seu corpo funcionar a pleno vapor. Qualquer preocupação com uma possível deficiência nutricional deve ser analisada junto a um profissional, como um nutricionista. Não saia engolindo pílulas e mais pílulas de multi vitamínicos/minerais ou quaisquer outros medicamentos aleatoriamente.

           Paradoxos na ciência são sempre atormentadores para a nossa compreensão, mas uma coisa é certa: para os efeitos oxidativos e outros fatores no seu corpo não se tornarem um problema, se alimente bem, evite a obesidade, não fume, faça exercícios regularmente, não exagere no consumo alcoólico e tente viver sem muito estresse. Paradoxo nenhum ousará se intrometer no seu caminho novamente.

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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1365-2125.2012.04272.x/full
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  3. http://downloads.hindawi.com/journals/omcl/aa/5698931.pdf
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  11. http://jnci.oxfordjournals.org/content/99/10/742.full.pdf+html
  12. http://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/1104493
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  14. downloads.hindawi.com/journals/omcl/aa/5698931.pdf