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O Islamismo é realmente prejudicial?


       As distorções e tensões culturais são fenômenos tão antigos quanto o desenvolvimento das primeiras civilizações humanas. Como eu já mencionei em outros textos, eu não possuo uma religião, mas respeito todas as formas culturais que não afligem os direitos humanos. Infelizmente, não existe uma cultura que seja perfeitamente harmoniosa com o resto do mundo, independentemente dos seus credos ou não credos, e grau de desenvolvimento. Isso porque cada grupo ou indivíduo humano possui sua forma particular de encarar a vida. Atualmente, as religiões são um dos temas de controvérsias mais discutidos, com o Islamismo sendo o exemplo, de longe, mais notável.

           Os muçulmanos são os indivíduos que seguem a religião do Islã, cuja base é monoteísta e guiada pelo Alcorão, o livro sagrado do islamismo. O Islã é uma religião derivada do personagem bíblico Abraão, assim como as outras duas grandes religiões do mundo: Cristianismo e Judaísmo. Apesar de ser algo muito confundido aqui no Ocidente, os muçulmanos não vivem em sua grande maioria populacional no Oriente Médio. Pelo contrário, apenas cerca de 18% dos 1,6 bilhões de muçulmanos vivem nessa área, com os outros espalhados por grandes comunidades e nações pelos globo, especialmente na África e sul asiático. A maior concentração de muçulmanos em nações com maioria islâmica encontra-se na Indonésia ( 13% do total), seguida pelo Paquistão (11%), Bangadlesh e Egito ( 4,9%), com nenhum deles pertencentes ao Oriente Médio. Gigantescas comunidades também podem ser observadas na China e na Rússia, sendo que o Islã é uma das religiões que mais crescem no mundo ( não por imposição, como muitos acham). Outro grande equívoco é pensar que todos os árabes são muçulmanos. Os árabes são um povo cuja língua materna é o árabe, com diversas religiões constituindo-os. Os muçulmanos somam menos do que 20% dos árabes.

        Como foi visto acima, o Ocidente possui diversas más interpretações não só do Islã, mas de toda a cultura oriental. Mas isso não é culpa da má vontade do povo em si, mas da alienação trazida pela mídia e, principalmente, pelos conflitos históricos. Bem, o que gera público e, consequentemente, dinheiro na mídia, é, infelizmente, o sensacionalismo. Portanto, quando o foco é o islamismo, palavras são distorcidas para parecerem mais violentas e apenas acontecimentos criminais, como o terrorismo, são retratados nos veículos de comunicação ocidentais. Quantas vezes vocês já viram uma série, filme, programa, reportagem ou documentário de acesso popular focando no dia-a-dia das várias comunidades muçulmanas, sem buscar apenas a violência ( a qual está presente no mundo inteiro, diga-se de passagem)? É como se lá fora retratassem o Brasil como um grande morro do Rio de Janeiro com apenas traficantes armados, com toda a população apoiando a criminalidade. Esquecemos que existem milhões e milhões de muçulmanos vivendo em paz e em harmonia dentro da população de praticamente todos os países ocidentais. Nossa vizinha Argentina, por exemplo, abriga mais de 500 mil deles. Mas não, claro, focamos no instável e problemático Oriente Médio, culpando todos os muçulmanos do mundo pela violência de lá, mesmo que a grande parte deles não esteja lá ( irônico, não?). Aliás, após a Segunda Guerra Mundial, houve um crescente movimento migratório de milhões de muçulmanos de países repressores para democracias mais liberais no Ocidente. Ou seja, milhões desesperados querendo praticar, em paz, sua religião. O mesmo ocorre com a Síria e Norte da África hoje.

          É nesse ponto que as questões históricas começam a ficar mais evidentes. Um dos grandes causadores do repúdio ocidental pelo Islã remonta à época das Cruzadas, quando os reis, sob a desculpa do poder Cristão, quiseram impor seu domínio nas regiões do Oriente Médio para "libertarem" as terras dos infiéis, sendo a maioria absoluta destes de muçulmanos. Ou seja, o primeiro grande embate entre Cristianismo e Islamismo. A partir daí, pesadas difamações e distorções foram colocadas em prática na Europa para instigar ainda mais os cruzados, inclusive a Igreja de Roma. Era fincado aí, com fortes raízes, o preconceito religioso entre os dois polos de Abraão, o mesmo sentido pelo Judaísmo, o qual sempre foi perseguido por diversos povos, acentuando-se durante e após a Segunda Guerra Mundial. Assim, diversas contribuições do islamismo adotadas também pelo ocidente ficaram quase no esquecimento, como as contribuições científicas ( o Renascimento europeu, por exemplo, foi um produto direto da cultura islâmica e oriental), melhoramentos de leis voltadas para o direito humano ( respeito ao próximo, proteção à família, etc.) e várias outros presentes culturais desenvolvidos nas sociedades islâmicas. O mais engraçado de tudo isso é que as leis que garantem o direito da mulher ( participação política, igualdade social, etc.) foram firmados primeiro pelo Islã. Você acha que eu estou brincando? Enquanto a maioria dos países ocidentais apenas garantiram direito à participação política, proteção civil e sombras de igualdade trabalhista às mulheres apenas nos meados do século XX ( 1919, 1950...), no islamismo a mulher já tinha diversos direitos garantidos há muitos séculos atrás, incluindo a participação e voz política. Na verdade, o Islã é, sim, uma religião que foi criada para espalhar respeito, paz e igualdade. Mas, como ocorria com tudo durante centenas e centenas de anos atrás, todos os povos do mundo viviam em vários conflitos, e as leis islâmicas também reforçavam a defesa militar. Todas as bandeiras possíveis eram levantadas na antiguidade para alimentarem o povo contra os ataques inimigos. Porém, hoje as pessoas pegam passagens criadas para a guerra, totalmente fora de contexto temporal, e apelidam todo o islamismo com aquilo. É como pegar um hino nacional que ressalta o poder militar de um país ( criados há muito tempo atrás) e inferir que toda a população é violenta e desejosa da guerra.

          Então, você pergunta: "Mas, se o Islã é pacífico e criou várias leis avançadas de direitos humanos, como a proteção às mulheres, porque vemos vários países hoje, islâmicos, que além de não garantirem quase nenhum desses direitos são cheios de guerra e terrorismo?" Ah, mas aí entra o fator ´achar que todos os muçulmanos estão em áreas instáveis´. Como eu disse em outro texto (relacionado abaixo), o imperialismo europeu e norte-americano destroçaram quase toda a África e Oriente Médio, explorando-os de todas as formas possíveis, especialmente depois da Primeira Guerra Mundial, na crescente busca pelo petróleo. Com isso, povos e culturas foram violados e dilacerados, fazendo com que o islã se desvirtuasse e se moldasse ao gostos dos novos centros de poder corruptos. Em meio às guerras, violência e desamparo humano, como garantir a sobrevivência saudável de qualquer coisa, incluindo a religião? O terrorismo da minoria acaba sendo uma resposta e desprezível consequência à opressão dos países Imperialistas. E o pior: esse terrorismo acaba matando milhares de vezes mais muçulmanos do que qualquer outro povo.

           Mas, mesmo no meio disso tudo, ainda podemos pegar países onde o islamismo, assim como outras religiões vivem em grande harmonia, como a massacrada Serra Leoa e a desenvolvida Israel (protegida pela comunidade internacional). Mesmo em dois extremos, a religião não interfere em quase nada em termos de intolerância. A Serra Leoa, com maioria muçulmana, também acaba sendo um exemplo perfeito, onde, mesmo arruinada pela exploração e guerras civis/imperialistas, o governo conseguiu dar voz e direitos iguais a todas as religiões do país, fazendo com que violentas intolerâncias religiosas se tornassem algo raro. A própria comunidade muçulmana critica muito a atitude de países como a Arábia Saudita e o Irã, os quais distorcem muito do Islã para os interesses dos seus líderes. O ruim é que as outras nações fora do Oriente Médio onde existem mais muçulmanos são, em termos globais, as quais também foram as mais maltratadas pelos imperialistas, como o Norte da África e sul-asiático. Mesmo assim, nos países sul-asiáticos onde não existem mais guerras internacionais, as religiões vivem em grande harmonia. A Indonésia, conhecida por ser um país com grande tolerância religiosa, recentemente têm visto o aumento opressivo de grupos extremistas islâmicos por causa da crescente corrupção e desmazelo com sua população, além da falta de atenção às minorias religiosas. O islamismo não é o culpado, e, sim, a própria degradação socioeconômica.

            E diferente do que muitos pensam, o islamismo se divide em vários ramos, assim como o cristianismo. Os dois principais galhos são os Sunitas e Xiitas, com os primeiros compondo cerca de 90% do total. Além disso, o modo como as pessoas encaram o Islã muda muito de comunidade para comunidade, de nação para nação. Assim como temos cristãos mais tradicionalistas, temos muçulmanos mais tradicionalistas. Assim como temos evangélicos mais exagerados, temos muçulmanos mais exagerados. Assim como temos cristãos mais liberais, temos também muçulmanos mais liberais. E não, os muçulmanos não odeiam Jesus, este o qual é um figura de grande importância no Islã. Essa é outra lorota inventada durante as Guerras Sagradas. Visitem os povos na Indonésia, Bangladesh, Índia ( quase 200 milhões de muçulmanos), etc. A diversidade cultural é extrema. Se existem países que maltratam sua população, eles maltratam por serem instáveis e extremamente corruptos. Aqui nas Américas, Honduras e El salvador não são um poço de corrupção e violência por causa de religião, e, sim, porque tiveram um mal desenvolvimento social, fruto do descaso colonial e exploratório. A maioria absoluta dos muçulmanos querem apenas festejar e se dedicar à sua religião de modo pacífico, celebrando o respeito comunitário e amor à família. Infelizmente, muitos acham que o islamismo é apenas violência, e que todos os muçulmanos são membros de grupos terroristas. Falando nisso, temos outros dois grandes questionamentos sobre a conduta islâmica: a roupagem da mulher e, mencionado anteriormente, a falta de direitos femininos.




        Vamos começar pelo último. O islamismo foi o primeiro sistema que garantiu grandes direitos às mulheres, especialmente a participação política. Alguns podem mencionar a poligamia (casamento de um homem com grandes condições financeiras com mais de uma mulher), mas quando isso foi criado, era uma prática comum pelo mundo todo, desde tribos até grandes impérios ocidentais. Hoje, as pessoas acham que todos os muçulmanos são casados com diversas mulheres. Isso é completamente fora da realidade, e menos do que 5% deles fazem algo do tipo, e concentrados em países machistas como a Arábia Saudita. Bem, e sem contar que grande parte dos ricaços, crentes ou não, espalhados pelo mundo vivem com várias mulheres. Tirando isso do caminho, não importa se o islamismo defende a mulher, porque o problema é que o mundo sempre foi, e ainda é, machista. A questão do desprezo à mulher é a nível global. Aqui no Brasil, as mulheres possuem uma representação ínfima na política, são maltratadas em casa e sofrem discriminação no trabalho. Entre 1980 e 2013 o número de homicídios cometidos contra mulheres aumentou em uma taxa de aproximadamente 111% aqui. O Canadá, por exemplo, com o seu elevado grau de desenvolvimento social, possui um sério problema: estupro e morte de mulheres indígenas no país. As nativas por lá sofrem um grande medo ao andar nas ruas porque muitos lá as julgam inferiores e apenas objetos de divertimento. É estimado que mais de 4 mil mulheres indígenas estejam desaparecidas ( provavelmente mortas), com muitas delas sendo encontradas jogadas em rios do país. Na Europa e na China, o tráfico sexual de mulheres, e escravas, é absurdo. O Japão e a China ainda são bastante tradicionalistas e, consequentemente, machistas. Nos EUA, milhões e milhões de eleitores apoiam o machista do Donald Trump. Na Índia, devido à cultura do seu povo, mais de 25 mil mulheres recém casadas são mortas ou mutiladas todos os anos por causa do dote. Além disso, as mulheres indianas tendem a abortar quando descobrem que o bebê é menina. A ONU mostra que 7 a cada 10 mulheres no mundo inteiro já foram ou serão violentadas em algum momento da vida. E quantas reais mulheres têm voz na Igreja Cristã? Quantas mulheres morrem todos os anos de abortos ilegais em países onde o aborto é considerado um absurdo por causa da premissa religiosa cristã? Quantas mulheres recebem menos do que os homens no trabalho, mesmo exercendo cargos iguais e possuindo, muitas vezes, melhor instrução?

          Agora pegue esse machismo e jogue no caos e miséria que sustenta o continente africano. Peque esse machismo e jogue em vários países destruídos pelas incontáveis guerras passadas e atuais no Oriente Médio. Como garantir qualquer direito humano no Iraque e Síria, esta última, literalmente, esquartejada pela atual guerra civil, terrorista e imperialista. Em várias partes da África, independentemente da religião, os pais vendem as filhas adolescentes, ou forçam casamentos, para sustentarem o resto da família e se livrarem de um fardo de despesas. Quantos países africanos praticam o terrível ato de circuncisão feminina para torná-las mais submissas ao homem? E os altos índices de prostituição compulsória? E alguns ainda culpam o Islã por isso, sendo que isso não têm nada a ver com islamismo. Mais uma vez, isso é apenas alienação histórica e da mídia. Se uma mulher muçulmana, ou qualquer outra mulher, está em uma comunidade/país pacifista, elas serão bem respeitadas. Caso contrário, não existirá religião que as salve.

           Já explorando esse ponto, outro grande mal entendido é a suposição do ocidente de que não existem movimentos feministas nos países de maioria muçulmana. Pelo contrário, como eu disse anteriormente, o islamismo garante plena voz e direitos às mulheres. Com isso, os movimentos feministas são muito fortes nessas áreas, e reivindicam as mesmas coisas que as mulheres fora do Islã. No Paquistão, é onde temos os exemplos mais fortes, com a jovem líder feminista Malala Yousafzai sendo um dos expoentes mais notáveis, a qual até mesmo ganhou o prêmio Nobel da Paz em 2014. O problema é que muitos movimentos feministas ocidentais acabam não dando muito apoio à causa feminista muçulmana devido ao fato de também acharem que tais movimentos não existem por lá. Esse triste engano faz com que a luta das mulheres se enfraqueça no mundo inteiro, por causa da falta de união internacional. Os muçulmanos são 1 em cada 4 habitantes do planeta. Imaginem uma união plena entre os dois grupos femininos! Além disso, para mostrar a força da mulher no mundo islâmico, podemos citar a Primeira-Ministra do Paquistão, Benazir Bhutto ( 1988-1990 e 1993-1996); a Presidente da Indonésia Megawati Sukarnoputri (4) ( 2001-2004); a primeira Primeira-Ministra da Turquia, Tansu Ciller ( 1993-1995); Primeiras-Ministras no Senegal, Mame Madior Boye (3) ( 2001-2004) e Aminata Touré ( 2013-2014); Primeiras-Ministras Begum Khaleda Zia ( 1991-1996 e 2001-2006) e Sheikh Hasina Wajed ( 1996-2001 e 2009 - ...) em Bangladesh; primeira Vice-Presidente no Irã ( Irã!), Masoumeh Ebtekar (2) ( 1997-2005); a Presidente de Mali, Cissé Mariam Kaidama Sidibé ( 2011-2015); atual Presidente do Kosovo, Atifete Jahjaga ( 2011-2015);  atual Presidente da Maurícia (1) ( não é maioria muçulmana, mas a presidente é), Bibi Ameenah Firdaus Gurib-Fakim ( 2015- ...); Roza Otunbayeva, Presidente do Quirguistão, ( 2010-2011); diversas cadeiras políticas ocupadas por muçulmanas no Reino Unido; e diversos outros exemplos ( sério, muitos!). Isso seria possível caso o Islã realmente subjugasse a mulher por lei? Não meus caros, o Islã foi o primeiro sistema a elevar o prestígio da mulher. Isso é História, pura e simples. E eu nem mencionei as mulheres muçulmanas na Antiguidade, entre Rainhas e chefes políticas. A primeira esposa do Profeta Muhammad ( figura central do Islã), Khadija bint Khuwaylid, foi sua maior conselheira política, e a terceira, Aisha Abu Bakr, era muito conhecida pela sua autoridade na medicina e ensino histórico, além de tê-lo acompanhado em batalhas e liderado um exército na Batalha de Camel.



         Agora vamos para outro assunto polêmico: a roupagem islâmica, ou, mais específico, o ´Hijab´. Na visão da maioria, as mulheres muçulmanas são obrigadas a usarem roupas que tampam todo o corpo e, algumas vezes, até mesmo os olhos ( véus translúcidos nessa parte) quando estão em locais públicos. Sim, existem alguns grupos que usam esse tipo de vestimenta, assim como existem homens que também usam esse tipo de roupa cobrindo todo o corpo. Mas existe uma diversidade enorme de roupas usadas tanto pelas mulheres quanto pelos homens, sendo o véu por cima da cabeça ( com o rosto descoberto), o básico, tanto para homens quanto para mulheres. Claro, na televisão e vídeos do Youtbe chauvinistas, só são mostrados mulheres muçulmanas andando como o Primo Itt da Família Adams. Novamente, comece a dar atenção em todas as comunidades islâmicas ao redor do planeta. A variedade de estilos e costumes cotidianos é imensa. Assim como os evangélicos, católicos mais tradicionais e pessoas do interior abominam o uso de roupas que mostram demais e até mesmo maquiagem ( algo permitido livremente no Islã), a cultura islâmica possui o seu próprio modo de mostrar seus traços característicos ( hijab em homens e mulheres, apreciação das barbas, etc.). Assim como ocorre nos países ocidentais, as feministas muçulmanas também tendem a questionar o uso do hijab mais ´extremo´, enquanto outras o acham algo natural. Além disso, diversas mulheres muçulmanas não usam vestimenta tradicional alguma.

         Tudo isso converge para uma pergunta: O que vocês acham ser a liberdade de escolha de roupas? Sim, muitos dirão: é a liberdade em usar a roupa que eu quero, não uma imposição cultural, como o hijab. Certo, mas quando as pessoas não entendem o jeito de se vestir dos punks e outras tribos urbanas, isso é o quê? Quando as pessoas acham um absurdo índios, tribos africanas, entre outras, que andam nuas ( órgãos genitais e/ou seios à mostra), isso é o quê? Você, ocidental, dono do seu modo de se vestir, por que você não fica pelado pelas ruas? Ah, porque isso é algo absurdo e contra a lei? Ah, é contra a lei? É absurdo? Por quê? Será que é por causa de uma vergonha imposta pela cultura? Quando uma mulher muçulmana fala que não aceitaria vestir uma mini-saia, você logo taxa ela de submissa? E se um índio ( não que todos os índios andam pelados, claro) perguntar o porquê de você não andar pelado? Você responde o quê? Qual é a lógica na qual os homens podem andar com os mamilos à mostra e as mulheres não? Por que executivos respeitáveis precisam andar de terno? Por que em locais formais ( emprego, escola, etc.) não se pode usar qualquer tipo de roupa? Por que usar boné é considerado algo imaturo? Obrigar uma pessoa a se vestir como você é o mesmo que tirar a liberdade daquela pessoa de não se vestir como você. Mais uma vez, isso é um preconceito contra a cultura alheia. É um preconceito contra o povo islâmico enraizado dede as Cruzadas. Aliás, quando as mulheres andam de roupas curtas no ocidente, geralmente elas são tachadas como indecentes e insultos afins. Somos livres no nosso modo de se vestir apenas dentro do nosso conceito de ´liberdade´.

           Voltando à questão da violência, é mais do que óbvio que ela só acompanha o Islã em lugares já violentos. E isso não é só uma observação geopolítica. Os estudos científicos não encontram relação alguma entre violência e religião. Aliás, mesmo em países instáveis, a religião islâmica até contribui um pouco para a manutenção  de uma menor violência por ser proibido o consumo alcoólico, drogas, jogos de azar e outras atividades ligadas ao vício. Mesmo isso, logicamente, não sendo seguido por todos os muçulmanos, eles são induzidos a moderarem na bebida e usarem menos drogas. Mas isso, com certeza, não é divulgado pelo videozinhos de ódio do Islã espalhados pela internet. Nesse tipo de mídia, as palavras ´Sharia´ e ´Jihad´ são completamente distorcidas e avaliadas apenas sob a ótica de países violentos, os quais manipulam as leis islâmicas. Para o Islã sério, as duas palavras representam esforço, empenho, compreensão, paz, acolhimento da família, devoção a Deus, respeito a todos dentro da sociedade, e viver pelo bem e para o bem. Educação e desenvolvimento econômico em conjunto são os caminhos para se combater a violência. Muitos acham, por exemplo, que ´Charia´ é a forma do Islã em mostrar que a mulher não vale nada, sendo passível de ser castigada por qualquer coisa. Isso vai completamente contra os ensinamentos islâmicos e é apenas visto em lugares extremamente radicais e machistas. E, mesmo nestes, os muçulmanos, em geral, são intensamente contra tal comportamento ignorante. Não nos esqueçamos que a discriminação contra a mulher é algo a nível global, sem exceções. Posso citar diversos países aqui que, mesmo não sendo alvos de guerras e não possuindo o islã como influência, são extremamente violentos e corruptos. Hitler era cristão, mas eu vou jogar a culpa do Nazismo no cristianismo? Só por que existem brigas de torcidas entre minorias, vou condenar todo o ato de torcer para um time? Só porque um grupo ínfimo de norte-americanos são seguidores da Ku Klux Klan são terroristas, vou condenar todo o povo dos EUA como terroristas racistas? Só porque alguns poucos homens são violentadores de mulheres, vou dizer que todos os homens são criminosos covardes?
  


         Quando eu defendo as religiões aqui, sou criticado pelos ateus. Quando eu digo que sou ateu e condeno algumas práticas cristãs, especialmente aquelas ligadas ao aborto, sou criticado pelos religiosos. Quando eu defendo os muçulmanos, sou criticado tanto pelos ateus quanto pelos cristãos, e alguns até dizem que eu estou me transformando em um seguidor do Islã. E quando eu defendo os negros e mulheres? Também acham que eu estou querendo ser negro ou uma mulher? Será que eu não defendo tudo isso por ser o correto? Temos que combater o preconceito e o extremismo, de todos os credos e partes que eles vierem. Alguns falam que as religiões são o grande entrave para um maior desenvolvimento humano. Não, o maior entrave para o maior desenvolvimento da nossa civilização é a inércia em não querermos aceitar o próximo como ele realmente é. Falta união e tolerância. Será que os judeus em Israel viram seu país crescer ao ponto de elevado desenvolvimento em que ele está por entrar em guerra civil com os mais de 16% de muçulmanos em seu território? Ou ambos, mesmo sendo considerados inimigos mortais em alguns países do Oriente Médio, resolveram deixar as diferenças culturais de lado em prol da nação israelense? Violência só ocorre por intermédio de outra violência.

           Eu sei que nem todos conseguem ter tempo para fazer uma pesquisa profunda sobre um assunto, sendo mais fácil digerir qualquer tipo de informação entregue nas mãos da forma mais fácil possível, mas quando estamos falando de 1,6 bilhões de pessoas no mundo, vale a pena abrirmos mais os olhos para que injustiças históricas não voltem a se repetir. No futuro, historiadores poderão olhar para o nosso período e criticarem amplamente a conduta que tivemos com o povo muçulmano por pura ignorância fomentada por interesses de poder e dominação. Assim aconteceu com os negros, assim aconteceu com os judeus, assim aconteceu com as mulheres, sendo que, até hoje, ainda não conseguimos superar esses preconceitos. Não fomentemos um Neo-Nazismo contra os muçulmanos por causa da forte intolerância infundada de alguns.


            

Artigo complementar: Ateísmo é a única razão?

 REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS E INVESTIGATIVAS
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