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Mitos sobre o álcool comum

         
         Indo direto ao ponto: Vamos verificar a veracidade de 6 fatos populares sobre o uso do álcool comum (etanol (2))...

1. Passar álcool no pescoço ajuda a curar dor de garganta?

Não. Por promover uma vasodilatação temporária, ocorre um aquecimento repentino na pele. Esse ´aquecimento´ promove uma sensação de alívio e bem-estar, o que pode causar uma ilusão de melhora dos sintomas. E isso pode ser perigoso porque as concentrações de etanol no álcool comercial são altíssimas, chegando a quase 100%. Ou seja, aquele pano embebido nele pode até provocar intoxicação e queimadura da pele.

2. Beber bebidas alcoólicas esquentam o corpo?

Não. O que ocorre é o explicado acima. Através da vasodilatação, sangue quente passa a estar mais em contato com sua pele ( aquele rosto vermelho, típico de bêbado...:). Esse processo aquece sua pele temporariamente. Mas, como o sangue passa a estar em contato com o ar ambiente, grande quantidade de calor passa a ser perdida através dele, esfriando consideravelmente o seu corpo depois de um tempo! Portanto, se o objetivo é aquecer o corpo em um dia muito frio, bebidas alcoólicas são as piores opções!

E, respondendo a pergunta inicial, o corpo não esquenta, apenas sangue com a temperatura normal do seu corpo passa a alcançar outras áreas esfriadas pelo ar ambiente. Sua temperatura, por causa disso, diminui na média, contrariando totalmente a crença popular.

3. Tomar um copo de vinho antes de dormir promove uma noite melhor de sono?

Não. Tanto o vinho, quanto qualquer outra bebida alcoólica, possui etanol, o qual é um sedativo. Com isso, a pessoa dorme com maior facilidade. Mas, sob a influência dessa substância, a qualidade do sono sempre é piorada, induzindo-a, até mesmo, a acordar no meio da noite (além do estresse gerado pelo etanol, existe também o efeito diurético, ou seja, a pessoa fica com mais vontade de urinar, algo que promove ainda mais prejuízos durante o sono).  Portanto, o fato da pessoa dormir mais rápido ilude o consenso popular.

4. É perigoso ingerir bebidas alcoólicas sob tratamentos com antibióticos?

Na grande maioria das vezes, não.  Misturar álcool (etanol) com antibióticos não traz nenhum efeito colateral ou inativação deste tipo de medicamento. Esse mito é bem difundido, e é um perigo, já que as pessoas tendem a deixar de tomar um antibiótico durante um tratamento, para poder beber sem esperar o pior. E pular os horários certos de tomar esse tipo de medicamento é um dos fatores que estão promovendo a grande crise de resistência bacteriana no mundo. (Superbactérias e a Resistência Bacteriana)
     
Mas existem algumas raras exceções onde o consumo dos dois podem trazer desagradáveis efeitos colaterais, mas estes serão informados pelo médico. E fica também a dica esperta para os doentes: se vocês está se recuperando de uma enfermidade, não consuma álcool, independentemente das reações adversas com medicamentos.

E é válido mencionar que o que foi respondido agora relaciona apenas os antibióticos. Outros tipos de medicamentos podem gerar graves efeitos colaterais quando misturados com bebidas alcoólicas.

5. O álcool em gel é tão eficaz quanto o álcool líquido para a assepsia das mãos?

Não. Estudos já mostraram que o álcool em solução líquida é um melhor agente antisséptico, e, portanto, deve ser a primeira opção de limpeza caso exista uma grande exigência de higienização (como em hospitais). De qualquer forma, o álcool em gel é muito melhor do que água e sabão (bactericida ou não) para a eliminação de germes na pele. Só é preciso tomar cuidado para não usá-lo em demasia porque isso pode levar a um ressecamento da pele. Já existe no mercado, contudo, versões em creme hidrante para resolver esse problema.

6. Vinho promove ganhos de saúde?

Provavelmente sim. Se tomado em pequenas doses, já foi mostrado que o seu consumo diminui os risco de doenças no coração, derrames, diabetes melitus, síndrome metabólica e aumenta um pouco a longevidade. Mas, não é o vinho em si que estaria promovendo tudo isso, é o álcool (etanol) o principal responsável (1). Ou seja, qualquer consumo bastante moderado (muito moderado!) de bebidas alcoólicas promove todos os efeitos acima listados ( respeitando, também, o teor alcoólico da mesma; beber um copo de cachaça não é o mesmo que beber um copo de cerveja). Caso haja um consumo maior do que o ideal ( uma taça diária de vinho para as mulheres e até duas taças para os homens, por exemplo), todos os efeitos acima são perdidos e se voltam contra você, furiosamente! E não importa se foi apenas um dia de excesso. Aquele dia trará danos acumulativos.

Portanto, não comece a beber apenas para ganhar benefícios mínimos de saúde. Cuidar da alimentação e prática de atividades físicas já supera, em muito, qualquer benefício trago pelo álcool (etanol). E existem pessoas que são fracas para a bebida, se viciando gravemente mesmo com um consumo baixo. Não vale a pena, definitivamente, começar o consumo de qualquer bebida alcoólica.

(1) Existem alguns bons antioxidantes no vinho, como os polifenóis, mas o efeito benéfico de saúde é, majoritariamente, fornecido pelo etanol em baixas concentrações. Porém, pesquisas já mostraram que o vinho é mais saudável do que a cerveja, em uma pequena margem de diferença, devido, provavelmente, à maior presença dessas substâncias.

(2) Eu faço questão de enfatizar ´etanol´ porque o termo ´álcool´, na química orgânica, compreende um grande grupo de substâncias quimicamente parecidas ( hidrocarbonetos que possuem uma ou mais funções hidroxilas em sua estrutura). O famoso metanol, por exemplo, também é um álcool.

Texto relacionado: O que é a ressaca?

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0939475313000677
  2. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0025619613010021
  3. http://link.springer.com/article/10.1007/s40429-016-0087-x 
  4. http://www.mdpi.com/2072-6643/4/7/759/htm
  5.  http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0308814614000120
  6. http://www.bbc.com/future/story/20130917-truth-about-drink-and-antibiotics 
  7.  https://cid.oxfordjournals.org/content/32/3/367.full
  8. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1472-765X.2012.03240.x/full
  9. http://idosi.org/abr/8%281%2914/7.pdf
  10. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S014067360208426X