YouTube

Artigos Recentes

Casamento religioso entre homossexuais é algo a ser discutido?

                               

           Pessoal, neste pequeno texto, eu vou tentar explicar o porquê da polêmica de aceitação entre homossexualidade e Igreja Cristã ser válida, mostrando que ela não é apenas uma ´frescura´ por parte dos casais homossexuais. Devo frisar, para qualquer mal entendido, que não sou contra qualquer religião, e já disse isso antes aqui: a fé em grupo, independente das suas crenças, pode até ser saudável dentro da sociedade. Ela, em princípio, serve para unir as pessoas e disciplinar as boas práticas de cidadania dentro da sociedade. Sou apenas contra o preconceito e fanatismo.

           Pois, bem, o que eu quero apontar é bem simples. Muitos argumentam que os homossexuais não têm direito algum em cobrar da Igreja algo que já está estipulado nas normas: a união entre duas pessoas do mesmo sexo é pecado, e um casamento, por exemplo, está longe de qualquer possibilidade nesse caso. Sim, está nas normas e os representantes religiosos não estão errados, na lógica, em negar a total aceitação dos homossexuais. Porém, existe um fato bem óbvio que muitos deixam passar despercebido: a religião cristã é algo extremamente popular na nossa sociedade, especialmente aqui no Brasil. Desde criança, somos induzidos a entrar no corpo da Igreja, fazemos catequese, ouvimos nossos pais orando pela fé Cristã, vemos programas de televisão que exaltam essa religião, frequentamos escolas cristãs. Ou seja, estamos mergulhados nela desde que nascemos. Não é algo como um culto fechado conhecido apenas por um punhado de pessoas e que requer rituais específicos de entrada. Ok, mas o que tudo isso tem a ver?

           Já perceberam que continuamos chamando nossos pais de ´papai´ ou ´mamãe´ mesmo depois de adultos? E por quê? Porque crescemos escutando nossos pais repetindo essas palavras para nós e aprendemos que eles gostavam disso toda vez que as repetíamos. Portanto, acabamos fixando isso no nosso aprendizado: ´papai´ e ´mamãe´ é algo bom para ser falado quando nos referimos aos nossos pais. Em uma analogia com a religião, isso significa que, muitas vezes, quando o indivíduo descobre sua verdadeira orientação sexual, ele já está apaixonado pela fé na qual ele esteve bebendo por tanto tempo. Ele já assimilou, intimamente, as mensagens de amor, paz e sabedoria passadas pelas escritas de um culto martelado em sua cabeça desde que ele se entendia por gente.  Quando esse indivíduo se revela homossexual, essa identidade cristã já faz parte da sua vida. Arrancar isso do seu íntimo não é tão simples como tirar um sapato. É por isso que, quando eles pedem para serem reconhecidos em plenos direitos pela Igreja, não é algo nada ridículo. Um relação parental forte já foi criada entre o seu eu e a fé. Esse raciocínio vale para outras polêmicas relacionadas à Igreja, como o aborto, pesquisas com células tronco e sexo seguro, onde tende-se a se considerar apenas o lado da Igreja, não do indivíduo a ela submetido. E, claro, isso também é válido para as outras religiões ao redor do mundo, especialmente as populares, como a Islâmica, esta a qual é ainda mais rígida na questão da homossexualidade e outras orientações e identidades sexuais que fogem do padrão biológico clássico.

            Portanto, quando você questiona um homossexual com a suposta obviedade ´Por que você continua seguindo essa religião se ela não te aceita? Você gosta de sofrer?´, está sendo bastante injusto com a pessoa. Em última instância, o Vaticano está sendo o maior pecador dessa história, por não entender que sua forte influência afeta significativamente a vida de centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo, na maioria das vezes de forma forçada por causa da popularidade cristã. Aliás, uma entidade que costumava encobrir milhares de casos de pedofilia entre padres e bispos estar negando completa aceitação dos homossexuais é meio irônico, não?

           Fiz esse pequeno texto apenas para mostrar o quão cego podemos ficar quando somos vítimas do preconceito. Não querer entender os sentimentos e as razões do próximo é um dos maiores problemas da humanidade. Estou aqui apenas colocando certas verdades que ficam enterradas, tímidas, no cerne da nossa sociedade. O esforço em desenterrá-las vale muito a pena.

Artigo relacionado: O aborto dever ser ou não legalizado?