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Pessoas obesas sentem menos frio do que as magras?

 

          Já foi comprovado, na prática, que pessoas mais gordas costumam sentir menos frio do que as magras. Em operações médicas que envolvem a hipotermia para a proteção da atividade cerebral ( resfriamento forçado do corpo para diminuir sua atividade metabólica), pessoas obesas tendem a demorar mais para atingir temperaturas mais baixas. Mas a resposta para a pergunta inicial não é tão simples assim.

          Bem, para explicar a menor taxa de perda calórica pelo corpo do obeso ( sensação de frio), temos duas explicações. A primeira governa grande parte do mundo animal, e envolve a relação área/volume corporal. Animais muito corpulentos possuem um volume muito maior do que sua área superficial de pele. Com isso, a perda de calor ocorre de forma mais lenta. Essa é uma das explicações também usada para explicar o grande tamanho de alguns répteis: como eles são exotérmicos ( não mantêm a própria temperatura corporal), uma grande massa faz com que eles segurem mais a pequena quantidade de calor gerado pelo seu baixo metabolismo, o que compensaria seu ´sangue frio´. O tamanho colossal de muitos dinossauros também caem na mesma teoria, já que eles não eram totalmente endotérmicos (1). Pessoas muito gordas têm um volume gigantesco, o que dificulta a perda de calor para o ambiente. É como tentar esquentar uma carne congelada: se você cortá-la em pedaços, ela aquece-se bem mais rápido porque aumentou sua superfície de contato com o ambiente em sua volta.

          A segunda explicação é que a camada de gordura muito maior nos obesos serve como um isolante térmico natural. Como a gordura conduz calor com uma péssima eficiência, fica mais difícil a passagem de energia calorífica das camadas mais interiores do corpo para fora. E, somando-se isso com a primeira explicação, o efeito torna-se sinérgico. Bem, mas como eu disse no início, a explicação não é assim tão simples. Algumas pessoas, independente se são magras ou não, possuem uma sensibilidade maior ao frio. Portanto, qualquer perda de calor pode ser significativa para certos indivíduos. Lembre-se: sensação de frio é algo psicológico, como todas as outras sensações do corpo. Outro problema que pode ocorrer é que, dependendo do frio e quantidade de massa corporal, o interior das pessoas obesas pode ficar muito quente e essa informação vai para o cérebro. Com isso, o comando para os vasos sanguíneos próximos à pele se contraírem ( assim, menos sangue quente ficaria em contato com o ambiente externo, diminuindo a perda de calor) deixa de existir, porque o cérebro pensa que é preciso perder calor, mesmo estando frio lá fora. Assim, o interior fica quente, mas a pele acaba perdendo muito calor, o que pode aumentar a sensação geral de frio. Desse modo, pessoas obesas, dependendo das condições, podem até sentir mais frio do que as magras.

          Além disso, temos as pessoas musculosas, mas magras. Sim, fica subentendido que a questão relaciona somente pessoas obesas e as muito magras ( pequenas e/ou ´finas´), mas é bom lembrar que os musculosos também tendem a sentir menos frio, porque a massa muscular gera muito calor ( o metabolismo nos músculos é cerca de três vezes maior do que a das células de gordura, por causa do constante anabolismo e catabolismo das fibras proteicas) e temos ainda o fato área/volume, da mesma forma que os obesos. E como não existe muita gordura prendendo calor interno e causando a confusão cerebral mencionada anteriormente, os marombeiros podem sentir menos frio do que os gordinhos.

        Conclusão: as pessoas obesas TENDEM a sentir menos frio, mas diversos outros fatores devem entrar na equação para julgar o termômetro interno de uma pessoa. 

(1)  Dinossauros de sangue morno?

Artigo complementar:  Por que sentimos calor ou frio?

 REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.popsci.com/article/science/fyi-do-fat-people-stay-warmer-thin-people
  2. http://repository.lib.ncsu.edu/ir/handle/1840.16/1335
  3. http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/5166518.stm
  4. http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0069361