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Plásticos e a poluição oceânica

   


         Estamos tratando nossos oceanos como verdadeiras latas de lixo. Cerca de 80% dos seus resíduos poluentes vêm da civilização humana que vive em terra firme, e a maior parte deles é composta pelos perigosos plásticos. E, como quase tudo em nosso dia-a-dia é baseado em plástico, inclusive os envólucros usados para guardarem esses produtos, dá para imaginar o estrago que estamos fazendo, especialmente quando levamos em conta a imundice humana.

Zona de Convergência no Pacífico,lar das ´ilhas de lixo´
              É estimado que existam quase 200 milhões de toneladas de materiais plásticos espalhados pelos oceanos. Muitas pessoas já devem ter até ouvido falar em uma gigantesca mancha no meio do oceano Pacífico, duas vezes maior do que o estado do Texas, formada, basicamente, por um amontoado de lixo plástico. Sim, como as correntes oceânicas ao redor do mundo convergem em uma região do Pacífico, grande parte desse material flutuante fica concentrado lá (como pode ser visto na foto ao lado). Além disso, não é difícil visualizar o problema ao andar por diversas praias, onde o amontoado de lixo plástico trago pelas ondas é assustador. Mesmo isso sendo terrível, a maioria das pessoas interpreta errado o que é a poluição plástica nos mares. O plástico não é só garrafas ou embalagens inteiras flutuando pelas águas. A maior parte desses materiais possuem tamanhos minúsculos, frutos dos desgastes físicos sofridos pelo lixo original ou como componentes de produtos de uso cotidiano, como as microbeads presentes em muitos cosméticos. Com isso, eles acabam sendo encontrados em todos os cantos do oceano, tanto superficialmente quanto dentro das águas, principalmente quando estão fundidos com outros materiais orgânicos. Segundo pesquisas recendes, um total próximo de 5,25 trilhões de pedaços de plásticos estão espalhados por todos os cantos dos oceanos!

Duas tartarugas marinhas ficaram presas em redes plásticas abandonadas no mar, e, sem ajuda, elas poderiam ter morrido de fome, sede e desgaste físico

 Na primeira foto, aves marinhas estão sendo encontradas mortas com um grande quantidade de lixo plástico no interior do estômago e isso está se tornando cada vez mais comum; essas aves confundem os coloridos objetos com comida e até levam para o ninho com o objetivo de alimentar seus filhotes; e, na segunda foto, essa paisagem cheia de destroços plásticos também está se tornando bastante comum, sendo raro encontrar praias minimamente limpas ao redor do mundo

              E os pequenos pedaços é que são os verdadeiros problemas. Em tamanho muito reduzidos, às vezes até mesmo microscópicos, eles se misturam fácil nas águas marinhas e são absorvidos ou ingeridos por uma ampla gama de animais. Baleias, tartarugas, aves marinhas, peixes, entre diversos outros, engolem plásticos aos montes, e as partículas desses polímeros podem entrar por diversos orifícios desse animais, como o nariz, ocasionando graves danos e sofrimento aos mesmos. Os pedaços de plástico, dependendo do tamanho, e dos animais considerados, costumam ficar presos em seus estômagos, enchendo-os, e dificultando a ingestão de alimentos. Sufocação, estrangulação e cortes profundos também são comuns quando os animais tentam interagir com esses materiais. E quando os pedaços entram em outros locais mais sensíveis, como no nariz, a situação gera infecções e dores terríveis, o que pode ser exemplificado pelo triste vídeo abaixo. E é bom deixar claro que os grandes pedaços também são muito danosos, principalmente para as grandes espécies, as quais possuem maior facilidade em ingeri-los Eles também podem servir de armadilha para os animais, os quais acabam ficando presos em estruturas plásticas mais complexas, como certos tipos de redes de pescas confeccionadas com polímeros plásticos. No total, são estimados que 267 espécies de animais sofram sérios danos dos ´plásticos marinhos´.

                  

              O maior poluente plástico são partículas conhecidas como ´nurdles´. Elas são uma espécie de matéria-prima para a fabricação dos produtos plásticos, ou seja, "bolinhas" pequenas de plástico usadas para se produzir estruturas grandes ou como material de preenchimento diverso. Como possuem elevada área superficial, são ideias para o trabalho físico e químico industrial. Só os EUA manufaturam cerca de 27 milhões de toneladas de nurdles todos os anos! E, como compõem grande parte dos resíduos industriais, são essas pequenas partículas perigosas que vão parar nos rios e mares. E devido à sua grande área superficial e apolaridade das suas moléculas, eles também podem agir como ´esponjas´ de substâncias hidrofóbicas (pouca afinidade com a água) nos mares, onde muitas delas são bastante tóxicas para a vida. Assim, a partículas de nurdles concentram grandes quantidades de toxinas e acabam sendo engolidas por diversos animais, envenenando-os. Estudos feitos nos mares japoneses mostraram que diversos nurdles possuíam concentrações 1 milhão de vezes maiores de PCBs e DDE (toxinas) do que as águas ao seu redor! Além disso, essas partículas possuem diversos aditivos químicos em sua composição, os quais também são tóxicos (o mesmo problema é válido para os outros tipos de plástico). Por isso, acidentes envolvendo o derramamento de nurdles nos oceanos trazem um grande medo. Em Hong Kong, por exemplo, durante a passagem do Tufão Vicente, em 24 de julho de 2012, containers gigantes que armazenavam mais de 150 toneladas dessas partículas de plástico foram abertos com violência pelas rajadas de vento e expeliram todo o carregamento dentro do mar, na região costeira. De acordo com os especialistas, populações inteiras de peixe morreram devido ao incidente.

Partículas de nurdle, um dos maiores poluentes dos oceanos


   PLÁSTICOS E BIODEGRADAÇÃO       
 
         Os plásticos são polímeros orgânicos formados a partir de subunidades moleculares provindas do tratamento do petróleo, carvão mineral e outros combustíveis fósseis (o principal é o petróleo), além de poderem serem criados a partir de matéria orgânica viva, como folhas, bagaço, óleos vegetais, entre outros. Os feitos a partir do petróleo, como o PET e PVC, como regra geral, não são biodegradáveis, mas alguns, como o PET, podem ser reciclados. Os feitos a partir de matéria orgânica podem ou não ser biodegradáveis, como o PHB, e podem ou não ser reciclados. Alguns plásticos ´verdes´ apenas utilizam matéria orgânica viva para ser produzido, ao invés de combustíveis fósseis, possuindo a mesma subunidade molecular. Um exemplo é o polietileno ( PET), não-biodegradável, formado a partir do eteno obtido do álcool da cana de açúcar. O eteno poderia também ter sido obtido do petróleo. Ou seja, ´verde´ não significa, necessariamente, biodegradável. Hoje, as pesquisas têm focado a produção de plásticos biodegradável, feitos a partir de fontes não fósseis. Mas os exemplos presentes no mercado ainda são caros e não possuem a mesma eficiência dos plásticos convencionais.

Desidratação do álcool através de um catalisador ácido, dando origem ao eteno e, depois de uma reação de polimerização, produzindo o polietileno; polui menos por não usar combustíveis fósseis, mas esse ´´PET verde´´ continua sendo não-biodegradével

           Um porém nisso tudo é que mesmo os plásticos biodegradáveis, os quais são mais facilmente decompostos e eliminados do meio ambiente, causam ainda danos significativos, porque a sua eliminação não é instantânea, podendo demorar até anos, dependendo das temperaturas, pressões e características químicas do ambiente. Nas águas marinhas, o tempo de decomposição é bem menor, tanto para os biodegradáveis quanto para os não-biodegradáveis. Em águas quentes e ricas em matéria viva, a maioria dos plásticos não demora muito mais do que 1 ano para serem degradados, dependendo do seu tamanho. Mas quatro problemas surgem desse processo. O primeiro é que a decomposição costuma não ser total, deixando pedaços nocivos para trás. Em segundo lugar, essa mesma decomposição acaba liberando substâncias potencialmente tóxicas, como o bisfenol A (o qual imita as moléculas de estrógenos dos animais, podendo causar descontroles hormonais) e poliestireno. Em terceiro lugar, mesmo que o plástico fique apenas por um período de 1 ano circulando pelos mares, esse tempo já é suficiente para causar bastante dano ambiental. E, em quarto e último lugar, as condições físicas, químicas e biológicas, como já mencionado, influenciam muito a taxa de degradação. Em águas mais frias, o tempo de decomposição pode se prolongar por muito mais anos. No Ártico, por exemplo, os cientistas já confirmaram que grandes fluxos de plástico estão invadindo a região. Em águas tão geladas, pode ter certeza que esses materiais não vão sumir tão cedo.

Nem o isolado e gelado Oceano Ártico escapa do ataque plástico

           No final, a solução para esse problema é saber como destinar bem seus resíduos plásticos. Evite jogar lixo em qualquer lugar, principalmente nas águas. Turistas e navios são um dos principais poluidores das regiões costeiras, e deveriam ser os principais alvos de campanhas de conscientização durante as viagens. Faça parte de coletas seletivas, objetivando a reciclagem, e restrinja seu consumo plástico apenas para o que for necessário. A poluição ambiental atinge a todos, inclusive nós. Prevenir é sempre melhor do que remediar.

Recicle, participe da coleta seletiva ou, pelo menos, não jogue lixo em qualquer lugar que não seja uma lixeira

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://ehp.niehs.nih.gov/123-a34/
  2.  http://www.coastal.ca.gov/publiced/marinedebris.html
  3.  http://serc.carleton.edu/NAGTWorkshops/health/case_studies/plastics.html
  4. http://www.grid.unep.ch/FP2011/step1/pdf/015_Law_2010.pdf 
  5. https://www.environment.gov.au/marine/marine-pollution/marine-debris
  6. https://marinedebris.noaa.gov/info/plastic.html
  7. http://www.mfe.govt.nz/marine/marine-pages-kids/how-you-can-reduce-marine-pollution
  8. http://www.antarctica.gov.au/environment/pollution-and-waste/pollution
  9. http://www.nytimes.com/2014/08/26/opinion/choking-the-oceans-with-plastic.html?_r=0
  10. https://law.ucla.edu/~/media/Files/UCLA/Law/Pages/Publications/CEN_EMM_PUB%20Surfrider%20UCLA%20-%20Plastics%20Solutions.ashx
  11. http://turtlecare.sunshinecoast.qld.gov.au/plastic-in-the-marine-environment.php
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