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Estamos todos em alta velocidade no espaço!

  

         Pode parecer estranho à primeira vista, mas o nosso planeta está se deslocando na incrível velocidade média de 29,8 km/s ( 107 200 km/h!) em órbita do Sol! E sua rotação ( movimento em torno do próprio eixo) é de 1700 km/h! Sim, meu, caro, você está  viajando no espaço sideral em uma velocidade tão absurda que seria possível chegar à Lua em cerca de 4 horas de viagem com ela! Mas como é que não sentimos isso?

        A explicação é simples: inércia e velocidade constante. Quando você está em um ônibus se deslocando com uma velocidade constante, você só percebe que ele está se movimentando se olhar para fora das janelas e ver as coisas sendo deixadas rápido para trás. Mas, tirando isso, você pode fazer tudo normalmente dentro desse ônibus: andar pular, se sentar confortavelmente, etc. É como se você estivesse no chão. Mas basta o motorista colocar o pé no freio ou acelerador para você perceber, da forma mais desagradável possível, que está se movimentando bem rápido.

        A inércia é um termo físico usado para nomear a resistência oferecida pela matéria em sair do seu estado de movimento devido à presença de uma força.  Ou seja, se não houver aceleração ou desaceleração, sua inércia faz você ficar em sintonia de velocidade sobre o veículo te transportando, estabilizando tudo como se todos estivessem parados. E, diferente do ônibus, não temos um referencial óbvio em velocidade diferente ou parado em relação à nós para sabermos se estamos nos movendo ou não. 

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         Por isso, mesmo nessa fantástica velocidade terrestre, não sentimos nada. Porém, é importante ressaltar que o movimento de translação da Terra não possui velocidade constante durante o seu percurso. Nossa órbita é uma tímida elipse (praticamente um círculo) em volta do Sol, onde, em certas épocas do ano ( estações) estamos mais próximos ou mais perto dele. Quando estamos perto, nossa velocidade aumenta, e, quando estamos longe, nossa velocidade diminui ( ficamos mais afastados ou menos afastados do campo gravitacional solar). Só que a aceleração e a desaceleração são tão lentas, principalmente ao fato de que a elipse é quase desprezível, que podemos considerar tudo como constante. Tipo quando o carro é freado bem devagar, e nenhum dos passageiros nem sente direito a desaceleração. Ao contrário, quando a freada é brusca, todo mundo se ferra...:)

Representação exagerada da elipse do nosso movimento de translação; na verdade, diferente do que alguns acham, estamos orbitando o Sol em um quase perfeito círculo; as diferenças de velocidade existem, mas são mínimas

          Ah, só acrescentando algumas curiosidades:

1. Nosso Sistema Solar está se deslocando ao redor do centro da Via Láctea, nossa galáxia, a uma velocidade média de 220 km/s! Ou seja, você viaja pelo espaço sideral a uma velocidade ainda maior quando considerado todo o nosso Sistema!...

2. ...Isso sem contar que a nossa própria galáxia está se deslocando, através da expansão do espaço e atrações gravitacionais (1), à velocidades altíssimas também! Mas como o sistema de referencial fica mais ´abstrato´, fica meio difícil colocar valores. Uma coisa que sabe, porém, é que...

3. ...Nossa galáxia vizinha, Andrômeda, irá colidir com a Via Láctea daqui a cerca de 4 bilhões de anos! Ela está se aproximando de nós a uma velocidade próxima de 110 km/s! As duas Galáxias irão se fundir em um violento impacto!

4. E, fazendo referência ao nosso movimento de rotação, devido ao fato de que a Terra é achatada, possuindo uma circunferência maior na linha do Equador, quem está nos polos está se movimentando bem mais devagar do que quem está no centro. Ou seja, como o período é o mesmo, mas as distâncias percorridas não, a velocidade tangencial aumenta para os brasileiros e diminui para os esquimós...:)

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(1) Temos que pensar as galáxias como corpo fixos no Universo. O que está expandindo é apenas o espaço entre elas, o que faz com que elas tenha uma velocidade relativa uma em relação às outras. 

Artigo científico sobre a colisão com Andrômeda:  http://www.nature.com/news/andromeda-on-collision-course-with-the-milky-way-1.10765

Fonte de Referência Científica: http://nasa.gov/  (NASA)