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Mike, a galinha sem cabeça!

                              

           É uma cena comum nas zonas rurais uma brincadeira meio macabra, mas que diverte a criançada: depois da decapitação de uma galinha, ela continua se movendo por alguns minutos, esguichando sangue para tudo quanto é lugar! E, muitas vezes, o movimento é bastante energético, com a galinha podendo ainda sair correndo de um lado para o outro, e a criançada atrás, perseguindo o bicho sanguinolento. Uma verdadeira cena digna de Kill Bill. Mas uma galinha, chamada Mike, levou isso a um extremo jamais visto novamente.

            As galinhas, assim como as outras aves, possuem quase todo o cérebro no tronco cerebral, atrás dos ouvidos, onde encontra-se toda a estrutura nervosa de controle dos movimentos voluntários e involuntários, além do senso de equilíbrio. Ou seja, quando você corta a cabeça de uma galinha, o oxigênio residual da circulação sanguínea ainda existente continua permitindo a produção de energia nos músculos e, com o sistema nervoso responsável pela movimentação quase inteiramente intacto ao longo do pescoço da ave, a coitada decapitada consegue se mexer vigorosamente até a perda de sangue ser letal. Mas não se preocupem, porque ela não vai estar sofrendo, já que a parte do cérebro responsável pela sensação de dor vai junto com a cabeça. Bem, sabendo disso tudo, um caso do tipo ocorreu em 10 de setembro de 1945, quando o fazendeiro Lloyd Olsen, no Colorado, decepou uma das suas galinhas para o jantar. Porém, o que era para durar minutos durou quase dois anos!

Lloyde e Mike
           Quando Lloyd decepou sua galinha, o corte foi tão preciso que um coágulo se formou na artéria atingida, prevenindo que ela sangrasse até a morte. Com quase 80% do cérebro conservado no tronco cerebral e a circulação protegida, o fazendeiro trancafiou a galinha para ser usada no outro dia e, para sua surpresa, quando acordou para ir busca-lá ela estava lá, mais viva do que quando perdeu a cabeça! Os dias foram passando e a galinha sem cabeça continuava viva, com Lloyd alimentando-a através de uma seringa através do que sobrou do seu esôfago, e retirando o muco formado nessa via através de outra seringa. A fama da galinha começou a crescer na região, e ela ganhou o nome de Mike pelo seu dono.

           Depois de um tempo, Mike começou a controlar cada vez melhor o equilíbrio do seu novo corpo, conseguindo andar - mesmo que desengonçado -, pular, correr e até empoleirar! O sucesso feito pela galinha ganhou fama no país inteiro, com ela fazendo parte de shows, programas de TV e apresentações por várias cidades. Lloyd conseguiu um bom dinheiro com Mike, mas tudo acabou em 1947, quando a galinha se engasgou no seu muco e acabou morrendo, em um descuido durante a noite. Até a sua morte, Mike viveu incríveis 18 meses sem a cabeça e poderia ter vivido muito mais!

Mike andava muito bem, equilibra-se bem sob as duas pernas e era alimentado através de uma seringa, como mostrado na última figura
          Claro, que, depois do sucesso alcançado pela milagrosa galinha, várias outras pessoas tentaram alcançar tal feito, mas ninguém conseguiu ser tão preciso no corte. Em alguns casos, tiveram situações em que a galinha (ou galo...) conseguiu durar por até, no máximo, 11 horas, mas nada próximo do que Mike foi capaz. E uma última curiosidade: Mike continuou aumentando de peso e se desenvolvendo durante o período, ganhando 2 quilos de massa corporal!

Uma escultura de metal existe, até  hoje, em  Fruita, no Colorado, homenageando Mike

REFERÊNCIAS
  1. http://www.bbc.com/news/magazine-34198390
  2. http://blogs.scientificamerican.com/running-ponies/meet-miracle-mike-the-chicken-who-lived-for-18-months-without-his-head/
  3. http://www.miketheheadlesschicken.org/mike