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Os rios aéreos e a seca no Brasil

 
         A crise de água no Brasil já havia sido prevista anos atrás, mas poucas medidas foram tomadas. O descaso é devido a  interesses econômicos mais atrativos para o governo e corporações que não dão a mínima ao futuro social e ambiental. E o desmatamento progressivo do nosso grande patrimônio, a floresta Amazônica, é o maior contribuidor desta lambança.

        Claro, temos o enorme desperdício de água praticado no Brasil, onde dados mostram que um terço da água potável destinada aos consumidores é perdida no caminho. Além disso, a agricultura e pecuária consomem quantidades inimagináveis de água, onde podemos citar os bovinos, os quais precisam utilizar 15 litros de água para produzirem 1 quilo de carne. Outro grande exemplo de devoração aquífera vem da produção de álcool combustível, onde são necessários 10 mil litros de água para produzir 1 litro de etanol! E este último exemplo entra na categoria de ´energia mais limpa, mas não tão limpa assim se formos mais fundo em sua origem´. Mas, apesar de todos estes absurdos, existe um problema ainda maior no Norte do nosso país.

           Se você observar o mapa-múndi, estamos na mesma faixa do Equador onde encontramos também a África e Austrália. E o que estes dois têm em comum? Sim, são regiões desérticas. E por que o Brasil não segue o mesmo padrão? A resposta reside na imensa massa vegetal presente na nossa Amazônia, através dos chamados ´rios aéreos´. As infinitas toneladas de folhas nesta floresta promovem uma grande evaporação de água das suas superfícies, formando verdadeiros exércitos de nuvens na região, as quais promovem chuvas frequentes ali e viajam por todo o país, permitindo precipitações regulares nos outros estados, independente do clima. Para se ter uma ideia do poder da superfície de contato gigantesca da transpiração das folhas na floresta, se toda a Amazônia fosse substituída por água, a evaporação resultante deste novo sistema seria 10 vezes menor do que a vegetação original! Sem nosso grande evaporador florestal, o Brasil seria um grande deserto!


          Sabendo agora da importância da nossa maior floresta, podemos começar a listar os problemas. O intenso desmatamento dela, para dar lugar à agropecuária ofensiva, causa dois sérios danos. O primeiro é a perda das folhas, com consequente diminuição da formação de nuvens. A segunda é a própria substituição da mata por gado e monoculturas, os quais bebem água como se não houvesse amanhã, como já falado acima. E como ainda somos, basicamente, uma nação de exportação primária, os interesses agropecuários sempre falarão mais alto no governo. E se nada for feito, vivenciaremos um deserto em um futuro não tão distante. São Paulo já está sentindo na pele a agonia escancarada na Amazônia.