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O perigo das armas não letais em protestos

 

        Nos últimos anos, o uso das chamadas armas não-letais´ vem aumentando pela polícia, acompanhando o crescente número de protestos massivos ao redor do mundo. Mas elas podem não ser tão inofensivas assim.

          Desde o ano retrasado, diversos protestos eclodiram aqui no Brasil e nos EUA, o primeiro por causa da revolta contra a corrupção e o segundo devido à guerra racial norte-americana. Em ambos os casos, a polícia sempre chega agindo com força excessiva auxiliada por armas não letais, como balas de borracha e gás lacrimogênio. Vários especialistas já vem alertando as autoridades a respeito destas armas do ´bem´ há um bom tempo.

           Para começar, as mesmas só deveriam ser usadas, em teoria, como último recurso, e, hoje, são usadas indiscriminadamente. Além disso, mesmo elas sendo projetadas visando o desferimento de golpes não letais, dependendo da situação, elas são tão mortais quanto qualquer outra arma de fogo. No caso das balas de borracha, se o policial atingir uma pessoa no pescoço, olho ou outra área sensível, e dependendo da condição do indivíduo, o tiro será fatal. O mesmo caso aplica-se em qualquer região do corpo se o disparo for à queima roupa.

            No caso do uso dos produtos químicos, os riscos são tão grandes quanto os tiros de borracha. Se o gás lacrimogênio, por exemplo, atingir alguém com alergia à substância utilizada ou tiver problemas respiratórios, como asma, a "inofensiva" fumaça não será apenas motivo de lágrimas. E, somando-se a isto, os efeitos no corpo dos gases usados não são conhecidos a longo prazo. Já o gás de pimenta, usado também para causar pânico e desconforto, é considerado uma arma de tortura pela Anistia Internacional. Em 1998, um estudo nos EUA mostrou que, no país, em torno de 100 pessoas já morreram devido ao uso do spray, em ação policial ou cotidiana. Na ação policial, se o indivíduo é atingido pelo produto e confinado em um lugar fechado logo depois, problemas cardíacos e de asfixia podem surgir por causa da dor extrema e ataques de pânico. O gás é feito com um concentrado do princípio ativo da pimenta e armazenado junto com um óleo para dificultar a retirada do rosto atingido (a substância ativa é solúvel em solventes apolares como o óleo e insolúvel em polares, como a água), fato que só piora a situação. Além disso, muitos o usam indiscriminadamente para uso pessoal, tornando a arma ainda mais perigosa. Em diversos países, principalmente os com alto IDH, como Finlândia e Canadá, o uso do spray sofre muitas restrições, quase sendo tratado como arma de fogo.

           O pior problema disso tudo é que toda a massa de protestantes, violenta ou não, é atingida por estas armas, e devido à falsa segurança proporcionada no manuseio delas, os alvos são totalmente aleatórios e porcamente mirados.  Só nos EUA, 15 pessoas já morreram desde 1971 nesta suposta ´guerra pacífica´. Se a liberdade policial no uso das armas não letais continuar neste nível, muitas pessoas inocentes irão morrer ou ficarão gravemente feridas. E o pior: você, cidadão protestante, é que paga por tudo isso.


REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2775771/
  2. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22981215
  3. https://www.nij.gov/journals/267/pages/use-of-force.aspx