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O mistério da partenogênese

 

       Sempre foi de conhecimento científico que nascimentos em fêmeas ´virgens´ ( também chamado de partenogênese) de certos animais é algo que ocorre naturalmente e com certa frequência no meio ambiente. Mas em recentes anos, cientistas se surpreenderam com o quão comum este fenômeno ocorre em uma maior diversidade de grupos, podendo ser citados cobras, lagartos, tubarões e aves. A maior ocorrência deste fenômeno é testemunhada em zoológicos, quando a fêmea está sem um parceiro, mas em um ambiente bastante favorável em termos de alimentação e abrigo. Na natureza, os casos mais famosos ocorrem com o tubarão-martelo e dragão-de-Komodo.

Dragão-de-komodo partenogênico bebê, Zoológico de Chester, Inglaterra

         Basicamente, o óvulo da fêmea em questão pode sofre processos próprios de mitoses e meioses sem a presença do material genético dos machos, dando origem à crias ´clones´ ou ´meio-clones´ ( o processo detalhado é bem complexo, e não é o foco do texto).  Existem seres que sofrem partenogênese facultativa, sendo este método ativado quando não existem machos no habitat, à exemplo de certos tipos de cobras. Mas para os outros casos isso ocorre quase como um milagre, e ainda não se sabe a resposta sobre as causas desta forma de fecundação, especialmente em pássaros. E não se pode dizer também que o processo da partenogênese é o mesmo da clonagem. Na clonagem, um óvulo sem núcleo recebe o núcleo de uma célula qualquer de um doador, e, a partir das divisões mitóticas gestacionais, é dado origem a um clone, com material genético idêntico ao do doador. No caso da partenogênese, os processos iniciais podem envolver meiose ou mitose, e serão baseados no material genético contido no  óvulo, o que vai determinar se serão formados clones ou não da mãe. Quanto ao sexo das crias, no caso de não-clones, tudo vai depender do sistema de cromossomos sexuais da espécie. Em seres XY, como os vertebrados ( répteis, pássaros, anfíbios...), todos serão fêmeas.

          Em termos de evolução, o processo sexuado leva muitas vantagens, principalmente por permitir uma grande variação genética, a qual é muito importante em garantir a sobrevivência da espécie mesmo sob pressões ambientais bastante variáveis. Porém, se a partenogênese é tão comum, significa que ela têm um papel significativo nas linhas de evolução. Bem, uma utilidade lógica, e já comentada, seria a possibilidade de reprodução mesmo sem machos por perto, ou quando o indivíduo fêmea encontra-se perdido sozinho, podendo até mesmo ser o começo do surgimento de uma nova espécie separada por acidentes geológicos e formação de ilhas. E, complementando essa utilidade, existe o fato do número populacional da espécie crescer muito mais do que através da via sexuada. Isso ocorre porque a grande maioria dos casos de partenogênese dá origem à fêmeas, as quais também geram crias, diferente dos machos, os quais só fecundam. Só com fêmeas no ambiente, o número de nascimentos cresceria em um extremo potencial, caso a partenogênese prevalecesse continuamente.  E como será que os mecanismos biológicos iniciam este parto milagroso? Por vias hormonais, acaso ou ativação de certos genes adormecidos? Fica aí uma resposta ainda a ser alcançada.

Poderia, então, a partir da partenogênese, ter existido uma Virgem Maria Mãe de Jesus?

            Um outro fato conhecido é que mamíferos são os únicos com baixíssima probabilidade  ( diria inexistente) de realizarem nascimentos virgens, por causa da sua biologia reprodutiva mais complexa. De qualquer forma, através de manipulação genética, já foram criados ratos capazes de se reproduzirem assexuadamente, gerando descendentes férteis. Mas será que este processo pode  acontecer espontaneamente, mesmo em seres como os primatas, incluindo nós? Os cientistas ainda estão procurando por evidências, porém a ideia de uma Virgem Maria conceber Jesus não pode ser explicada por esse processo. Os filhos gerados dessa maneira, como mencionado acima, seriam todos fêmeas, devido ao fato da mãe poder fornecer apenas cromossomos sexuais X para o processo, sendo que o sexo masculino precisa de um Y. 

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://www.ansci.wisc.edu/jjp1/ansci_repro/misc/project_websites_08/tues/Komodo%20Dragons/what.htm
  2. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1204568/
  3. http://jmg.bmj.com/content/15/3/165.full.pdf
  4. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4081286/